Loreena McKennitt - Dante's Prayer

quarta-feira, março 22, 2006

O nosso próximo Encontro

Estamos a escassos dias da realização de mais um Encontro da Irmandade Blogueira.

O Blognócio da Primavera é já no próximo sábado, dia 25.

O horário, ementa e localização, estão devidamente descritos no blog construído para este evento.

Então, até sábado!

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quinta-feira, março 16, 2006

Mário de Oliveira


Um padre exilado pelos carcereiros de Deus

Um padre sem templo nem altar – assim se identifica Mário de Oliveira. Desguarnecido do mister paroquial pelo Governo da Igreja Católica, o ex-pároco Mário e sempre Padre Mário não capitulou perante o cerceamento administrativo e territorial. E tem vindo, sem lhe tremer a voz e o site, a declarar que entre a Comissão Eclesiástica e a Missão Evangélica, em definitivo escolheu a Missão. Expulso do templo pelos zeladores do Pensamento Único e modeladores do Povo de Deus como rebanho do Senhor ou dos Senhores – este padre não se deixou anular nem sequer aceitou baixar o tom da cólera divina. Exerce o magistério em vez do ministério, cultiva a evidência em vez de vidência. Não trata Jesus como paradigma de servidão e de sofrimento, antes como irmão do infinito…
…Assim é o padre Mário: solitário e solidário. Solitário por determinação de uma Igreja satisfeita por ser sede do Poder; solidário porque ele – padre Mário – optou por uma Igreja – sede de saber e de partilha
”.

O que acabam de ler é parte do prefácio (primeiro e último paragrafo) a um dos livros de Mário de Oliveira, pelo jornalista César Príncipe.



Mário de Oliveira, um Companheiro

Ao transcrever uma parte deste prefácio não pretendi glorificar o Homem, pois sempre recusei submeter-me à prestação de todo e qualquer culto de personalidade, mas tão e somente recordar perante as pessoas da minha geração e também dar a conhecer aos mais novos, um dos exemplos de luta contra qualquer tipo de castração de consciências, de que Mário de Oliveira e uma minoria dos seus pares da Igreja Católica – um punhado de sacerdotes e alguns bispos – foram as honrosas excepções de uma Instituição, que através dos tempos, sempre foi uma fiel aliada ou servidora das classes dominantes.

Mário de Oliveira, Felicidade Alves, Francisco Fanhais, António Ferreira Gomes e mais uns quantos membros da Igreja Católica, embora com sensibilidades diferentes entre eles, foram uma referência, um exemplo de luta e companheirismo, para os crentes e não crentes, que sempre recusaram a canga que o Poder lhes pretendia impor.

Ateus, ou agnósticos como eu me defino, muitas vezes, antes de Abril de 1974, nos reunimos com alguns destes padres, para debater os problemas que afectavam este Povo e a abjecção da guerra colonial que o Poder de então nos impôs, ceifando e estropiando milhares de Vidas.

É evidente, como já tenho escrito em alguns textos anteriores, após o derrube do regime corporativista, decorridas que foram mais de três décadas, muitos outros problemas foram surgindo. O poder económico, o de cariz arcaico e o de novo tipo e seus aliados, foram minando os alicerces de uma jovem Democracia que queríamos libertadora, com igualdade de oportunidades para todos e não somente para uma minoria elitista que reparte o “bolo” entre si, deixando cair umas ténues migalhas para a maioria.

E é essa minoria que exerce a função jugular do Poder, independentemente da sua alternância cosmética.

Conheci pessoalmente o padre Mário de Oliveira, na passada terça-feira, dia 14, num jantar organizado pela TERTÚLIA CULTURAL FRATERNIDADE (não confundir com este blog), que mensalmente tem promovido encontros onde são debatidos temas apresentados por um orador convidado. Desta vez foi Mário de Oliveira que falou sobre Educação, Religião Hoje e Amanhã. Não vou pormenorizar aqui sobre o teor da sua comunicação e as intervenções que originou, preferindo sugerir a visita ao blog da minha Amiga Dad, o Momentos de Luar, que reflecte o seu sentir sobre o que ali se passou.

Mário de Oliveira e alguns dos seus pares continuam a sua Luta, junto com muitos crentes laicos, ateus e agnósticos.

Aquilo que nos une é mais forte do que alguns percursos não coincidentes que possamos ter.

Obrigado caro Mário por me ter dado a oportunidade de mais uma vez expressar o meu sentir.

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terça-feira, março 14, 2006

Um ano e oito meses na Blogosfera


Nesta segunda-feira que passou, dia 13, este blog completou o seu vigésimo mês de existência.

E é já no dia seguinte que assinalo tal facto, porque, pura e simplesmente, não me apeteceu escrever no dia anterior.

Nestes últimos trinta dias publiquei alguns textos, que me “deram muito gozo escrevê-los”. Aproveito para agradecer as vossas gentis palavras, nos respectivos comentários.

Assim como gostaria de não ser obrigado a escrever, neste período de tempo, dois outros textos, com outro tipo de conteúdo. Mas tinha razões fortes para o fazer. Acredite quem quiser. Assim, espero que tal assunto fique encerrado por aqui.

Mas falando em coisas agradáveis, é já no próximo dia 25 deste mês, que se realiza mais um Encontro, do qual sou um dos seus dinamizadores.

A propósito deste novo Encontro, eu, como fumador que sou, desde o tempo em que iniciei o antigo Ciclo Preparatório, com dez anos de idade, apelo aos meus confrades fumadores, para que compreendam o pedido e não uma imposição, que fizemos no respectivo blog, no sentido de aconselhar-mos os fumadores a satisfazerem o “vicio” no hall contíguo à sala de jantar ou no Bar.

Por hoje é tudo. Beijos e abraços.

Bem Hajam.

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sábado, março 11, 2006

Dez passos do Abismo

Iniciamos a habitual caminhada matinal. No primeiro passeio do dia o Medroso gosta de ir pelas traseiras do prédio. E é logo ali na esquina que alça a pata traseira direita.

Depois, conduz-me por debaixo do túnel que une o nosso ao prédio do lado. Entre as várias pesquisas das feromonas das fêmeas que por ali passam, vai marcando o seu território e prossegue o seu percurso por aquele que eu baptizei de “passeio dos cães”, uma via estreita que acompanha, de um lado, a serpenteante estrada que desemboca no concelho vizinho e, do lado oposto as traseiras dos outros prédios.

De ambos os lados, na área que medeia o “passeio dos cães” e a estrada ondulante e entre os espaços que permeiam aquela via e os prédios, existe uma extensão considerável de terreno baldio com uma inclinação de cerca de 90º, onde costuma florescer vegetação bravia: canas, malmequeres, malvas, cardos, etc., assim como algumas pequenas árvores que ajudam à sustentabilidade dos terrenos e impedem a erosão.

Naquela manhã notei alguma coisa de estranho. A borracheira que alguém plantou em frente das traseiras do nosso prédio tinha perdido o seu belo verde, como se a clorofila a tivesse abandonado, deixando assim de contribuir com a sua fotossíntese, privando-nos da sua quota-parte do precioso oxigénio.

Várias lagartixas e alguns sardões descreviam estranhos movimentos ziguezagueantes por entre as ervas e as flores silvestres amarelecidas. E o mais curioso é que nos últimos dias, a terra tinha sido razoavelmente regada pela preciosa chuva.

O meu fraterno Companheiro denotava sinais de agitação superiores aos habituais. Arrastava-me, através da trela que eu segurava numa das mãos, alternando com a outra.

Medroso volteava a cabeça nervosamente, de vez em quando aquietava-a com o nariz erguido em pequenos movimentos circulares, cheirando o ar, para logo de seguida, serpeando, dar algumas passadas, seguindo em frente com as narinas quase roçando o solo.

Continuámos a nossa caminhada pela estreita via. Notei que no terreno em declive que nos separava da estrada, para além do aspecto desolador das árvores desprovidas de folhagem e das ervas bravias beijando a terra, se encontravam dispersos alguns elementos que num primeiro olhar não consegui discernir os seus contornos.

Aproximei-me um pouco mais. Concentrei o meu olhar naquelas formas. Tratava-se de corpos esquartejados de aves de rapina de grande porte. As longas pernas e as enormes garras assim o confirmavam. Imediatamente o meu cérebro começou a relampejar debitando imagens de há três décadas atrás, quando, pela primeira vez, entrei na enorme câmara frigorifica de uma morgue, pejada de gavetões, que um funcionário alcoolizado, com o cigarro quase mastigado ao canto da boca, ia abrindo, deleitando-se em exibir aqueles corpos inteiros ou retalhados.

De quando em vez, naquele caminho, costumo avistar pequenas aves predadoras em busca de mamíferos roedores e de alguns coelhos que por ali abundam. Não fiquei petrificado. Simplesmente surpreendido pelo cenário mórbido que estava longe de encontrar naquele local.

O Medroso atingiu o cume da agitação. Olhava aqueles despojos para logo me dirigir os seus olhos inquiridores, emitindo uns estranhos sons. Procurei acalmá-lo. Falei com ele, acariciei-o e propus-lhe seguir em frente. Apercebi-me da sua relutância apavorada, puxando-me para trás. Não dei logo conta da razão da sua reacção e olhei em frente para procurar uma explicação.

A cerca de dez metros do local onde nos encontrávamos, a via terminava, abruptamente, na vacuidade de um abismo.

Despertei do meu normalmente pesado sono com um lamento que as feromonas de algumas cadelas da vizinhança, em período de cio, provocam no meu querido e leal companheiro.

Levantei-me. Preparei o café instantâneo que acompanhei com uma bolacha de aveia. Após a useira rotina da higiene diária, vesti-me. Coloquei-lhe o peitoral e a trela.

Saímos para o primeiro passeio matinal.

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sexta-feira, março 10, 2006

Check In / Check Out

Cinco da madrugada. O efeito dos sedativos vai-se dissipando. Vozes. Umas ténues, outras nem tanto assim. Alguns raios de luz vão inundando os quartos. Nas camas corpos mais ou menos inertes, outros em agitação quase permanente. Grande parte deles envolvidos pela urina e defecação incontinente.

As campainhas dos que ainda conseguem premi-las, emitem os peculiares sinais sonoros com uma frequência progressiva. Durante a (in) quietude da noite os sinais sonoros são mais espaçados.

É altura do costumeiro ritual dos cuidados de higiene e primeira refeição do dia. Quem consegue locomover-se dirige-se para a sala de refeições, sós ou acompanhados, dependendo do seu estado psico-motor.

Homens. Mulheres. A maioria no estado invernoso da Vida. Mas também lá permanecem seres de outras faixas etárias. Até um ou outro caso de quem ainda está na fase Primaveril, mas que cedo conheceu a degenerescência física, psíquica, ou ambas.

Após o pequeno-almoço dirigem-se ou são dirigidos para a sala de convívio. Juntam-se-lhes alguns utentes totalmente dependentes que são colocados sobre os sofás onde se mantêm praticamente imóveis, salvo um pestanejar ou algumas contracções faciais. E o que é mais doloroso, para estes Seres e para quem nutre por eles carinho e dedicação, é o facto de uma parte deles estar no pleno uso dos seus desempenhos psíquicos e como tal, aperceberem-se do porquê de ali estarem.

A maioria permanece calada. Outros, os que ainda conseguem raciocinar, têm pequenas e dispersas conversas entre si. Mas há os que se encontram em estado de delírio e é como que uma tragicomédia que protagonizam. Aparentemente direccionados para os seus parceiros laterais, estabelecem vários monólogos entre si.

Octávio pertence a este grupo. Senta-se, levanta-se, passeia ao redor da sala e pelo hall da recepção. Dirige-se com frequência ao sanitário. Uma vez saiu da casa de banho com a roupa em desalinho e um volumoso dejecto na mão direita. Era hora de visitas e o Octávio na imponência do seu quase metro e noventa rodopiava na sala com o braço direito levantado como se transportasse uma bandeja. Discreta e calmamente, uma funcionária retirou-o dali e conduziu-o para o quarto para o lavar e mudar de roupa.

Guinevere, uma gentil octogenária, de estatura pequena, num corpo seco e uns belos olhos azuis, permite imaginar a beleza Primaveril de que ainda conserva muitos traços. Fala pouco, mas com doçura.

Hora de almoço. Inicia-se a caminhada para a sala de refeições. Sentam-se nos lugares habituais e a tragicomédia continua. Há quem fique indiferente ao conteúdo do prato à sua frente. Assim como quem coma sofregamente. António pertence a este último grupo, sentado em frente de Joaquim, vai retirando do prato do parceiro pedaços de comer. Ambos entrados no tal estado delirante irreversível. Durante a sobremesa, perante a indiferença de Joaquim, António tira-lhe a laranja que deglute sofregamente incluindo a casca.

Uma parte destas pessoas necessita de ser de novo lavada e mudada de roupa, pois para além das marcas da recente refeição, a incontinência também as acariciou.

Elisabete observa tudo isto da prisão da sua esclerose múltipla. Quarenta e poucos anos. Em contraposição, o seu desempenho psíquico é normal e célere. Mulher inteligente e culta, fluente de palavras. Aparentemente conformada pela rigidez de um corpo que só lhe permite balancear os olhos e entreabrir os lábios Elisabete vive o quotidiano eivado de lembranças e entretém-se a analisar o ambiente restrito onde se encontra confinada.

Por entre estes Seres existem alguns com os corpos minados pelas escaras, com os tecidos num estado de necrose progressiva. Necessitam de ser tratados várias vezes ao dia. O cheiro exalado por aqueles buracos, alguns de enormes proporções, é insuportável. Mesmo com as mascaras a protegerem os rostos, algumas prestadoras de cuidados paramédicos não resistem e afastam-se para vomitar.

Quanto aos que se locomovem mais ou menos bem e que estão no seu perfeito estado de salubridade mental, têm comportamentos variados. Desde os que denotam atitudes comportamentais correctas, a outros que, pela sua hostilidade perante os companheiros ou funcionários, revelam um refinamento da agressividade latente durante a sua vida não dependente de terceiros, agravada pela revolta que sentem ao reconhecerem-se confinados àquele local até que o seu coração deixe de bater.

De vez em quando alguns partem. Terminam as suas angústias e os seus martírios. Quem fica, já está habituado a ver e a sentir os que partem. Os que não estão delirantes, obviamente.

Como a doce Guinevere aguardando serenamente a hora do seu embarque ou a imóvel Elisabete com o cérebro latejando de recordações, ocupando-o numa permanente análise dos seus pares e de todo o meio envolvente.

Todos estes Seres Humanos, foram colocados ali ou noutros locais similares para aguardarem a sua Partida.

Quando chegam são objecto de um breve Check In, para mais cedo ou mais tarde lhes prepararem o seu Check Out.


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quarta-feira, março 08, 2006

Companheiras

Summoning a Lover
Summoning a Lover
Linda Garland - UK

Estimadas Amigas,

Alguém se lembrou, fosse porque motivo fosse, de consagrar este dia à Mulher.

Sabemos que todos os dias deviam ser dedicados às Mulheres, assim como a toda a Humanidade.

Mas já que alguém se lembrou de que havíamos de presentear as Mulheres neste dia 8 de Março com o nosso tributo, quero aproveitar para vos saudar e exprimir todo o meu carinho e simpatia, pelas diversas formas de empenhamento e companheirismo devotadas aos vossos entes queridos: Pais, Companheiros, Filhos, Amigos, enfim, a todos os Seres Humanos.

Para todas vós, as presentes, ou para as que já partiram, os meus cravos vermelhos ou qualquer outro tipo de flor que apreciem.

E a propósito das que já partiram, permitam-me que encime esta minha homenagem à memória da minha saudosa Mãe, que foi para outro lugar em 8 de Março de 1998.

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segunda-feira, março 06, 2006

Quicas



Minha doce Quicas,

Há quanto tempo não sabia nada de ti, qual farol em movimento perpétuo, que ora ilumina este rectângulo banhado pelo vasto Atlântico e logo direcciona a sua luz pela pátria de Dante e por outras pátrias disseminadas pelos cinco continentes.

No momento em que estou a escrevinhar, não sei se estarás por perto ou enfiada no habitáculo de uma máquina voadora ou desfrutando um cruzeiro pelo Mediterrâneo.

És terrível, minha doce ariana de desempenhos felinos escondendo as suas garras de uma primaveril fogosidade outonal, tal como o teu clone afrodisíaco que espalha a sua libido pelo éter através da infinita auto-estrada virtual estimulando pulsões em muitas almas solitárias.

Eu para aqui estou, cogitando “perversa e grosseiramente”, em ninfas nostálgicas de idas formosuras, admirando a sua arte maquilhadora de corpos e almas, marcados pelos sinais indeléveis de tempos passados.

Mas, minha doce Quicas, estou em falta para contigo e desse pecado me penitencio. É o caso de não me ter lembrado de ti quando cogitei acerca dos fogos-fátuos.

O facto de só nos conhecermos virtualmente não será desculpa que releve essa minha falta. Auto-didacta no estudo das Almas, já há muito te tinha caracterizado sem conclusões definitivas. Como muito bem deves saber nada é definitivo, talvez só a morte física, mas mesmo esta, se acreditarmos no legado de Lavoisier, poderá proporcionar novas formas de Vida. Mas a tua recente e inesperada reaparição no remanso do meu terreiro teve o mérito de me despertar para a adição de mais algumas variáveis presentes na tua personalidade.

E digo mais, não previa como as minhas cogitações perversas através dos fogos-fátuos tivessem a funcionalidade de um artefacto de pesca enredando-te na rede das minhas palavras.

Ah!... Já me esquecia de te agradecer a profícua lição etimológica acerca da palavra “fraternidade”. É bom sabermos que há quem se preocupe com a nossa sapiência.

Minha terna Quicas, faço votos para que continues a desfrutar de óptimos desempenhos fisiológicos. Quanto aos psíquicos, como teu Amigo que sou, sugiro umas visitas regulares a um psicanalista de preferência freudiano para te ajudar no tratamento da disfunção libidinosa que aparentas.

Para ti e para a tua clone afrodisíaca, um beijo agridoce de um solidário e fraterno gárgula.

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sábado, março 04, 2006

Fogos-fátuos


Fogo-fátuo que tem
origem animal e gases do pântano de origem vegetal, são fenómenos idênticos.


Fogo Fátuo


‘Quando um corpo orgânico começa a entrar em putrefacção, ocorre a emissão do gás metano (CH4). O metano, em condições especiais de pressão e temperatura, em local não ventilado, começa a sair do solo e a misturar-se com o oxigénio do ar. Numa percentagem de aproximadamente 28%, o metano inflama-se espontaneamente, sem necessidade de uma faísca. Forma uma chama azulada, de curta duração, gerando um pequeno ruído. Se a pessoa estiver perto e sair correndo, devido à deslocação do ar a chama "irá atrás”…’


Esta explicação científica do fenómeno fogo-fátuo conduziu-me a fazer certas e determinadas comparações com o “fenómeno” comportamental de muitas pessoas que gravitam à nossa volta.

Rodopiando de um lado para o outro, este tipo de pessoas procura locais e personalidades que lhes possam proporcionar visibilidade e alimentar o seu egocentrismo.

Profissionais do protagonismo, insinuam-se, muitas vezes vitimando-se, penetrando no espírito solidário de outras pessoas, servindo-se delas e de um modo arrogante exigem caprichosamente “tudo e mais alguma coisa”.

Muito boa gente cai neste tipo de “conto do vigário” e muitas vezes, ao aperceberem-se do logro em que caíram, continuam a mostrar-se solidários, por – chamemos as coisas pelos seus nomes – uma questão de pena. Sentimento que qualquer pessoa de bom senso deve recusar em nome da sua auto-estima e dignidade própria.

São fogos-fátuos andantes, mestres do protagonismo e prestidigitação, que tiram da cartola as suas cenas em decomposição, deslumbrando ou assombrando espectadores incautos que aplaudem a sua arte dissimulada de cordel.

Nados mortos que serpenteiam como fantasmas entre os seus pares que tardiamente se apercebem da contrafacção dos conteúdos exibidos.

Sobra-lhes em esperteza o que lhes falta em inteligência. E assim vão trilhando o seu caminho mascarando as suas frustrações com os fogos-fátuos que emanam de um qualquer lugar.

E assim compartilho convosco estas breves e metafóricas cogitações.

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