Loreena McKennitt - Dante's Prayer

terça-feira, fevereiro 28, 2006

À Espera de Godot

Azulão

De vez em quando descubro-te por entre os ramos na distância do compasso do tempo marcado pelos silêncios ensurdecedores com que ouço os teus trinados.

Em permanente rodopio navegando por entre as brumas procuro descortinar a verdade da fantasia em que me deixei embalar no delírio dos meus Sonhos.

Mesmo não vislumbrando a tua plumagem anilada, pelos meus sentidos vão desfilando as imagens das lianas que te cercam.

Ouço os teus trinados enleados pelas cenas em que te envolves num movimento perpétuo tal como um narcótico injectado para atordoar a solidão do teu voo.

Saltitas de um galho para o outro descrevendo labirínticos círculos, regressando sempre ao interior do teu cárcere.

O brilho das tuas asas é conspurcado pela abnegada entrega a um dever predador que te agrilhoa na mentira do teu ninho.

Renuncias ao voo livre em busca da Utopia mantendo os teus reflexos condicionados no limite da tapada que te aprisiona.

Recusas o percurso iniciático de reaprender a linguagem dos pássaros sem grilhetas preferindo manter-te aprisionada na luz artificial da castração passiva das trevas.

É o Caminho estático que escolheste ou aceitas passivamente percorrer. Quanto a mim, prossigo o meu trilho interminável em busca da Utopia acariciando as mão nuns bolsos plenos do nada, tal como um personagem de Beckett aguardando a aparição do cálice de um Godot qualquer de onde beberei o elixir da quimera construída no delírio dos meus Sonhos.

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segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Despedida

Yoko deitado sobre o scanner


Apareceu aqui na escada no final do verão passado, vindo, ninguém soube de onde.

Aparentava não ser um sem-abrigo. Encontrei-o pela primeira vez no hall de entrada do edifício quando regressava do habitual passeio com o Medroso. Este, foi cheira-lo no inicio das escadas onde o garboso gatinho de pelagem prateada se tinha postado com ar amistoso e soltando umas adoráveis miadelas. Entretanto chegou um jovem vizinho com o seu cão Yoko, também regressado do “passeio das necessidades”. Nesse momento os dois cães começaram a ladrar excitados. O Yoko, um simpático cãozinho brincalhão, quis ir cheirar o gatinho, mas este não achou graça e bufou-lhe. O meu vizinho guardou o cão dele em casa cuja porta fica em frente à do meu escritório e eu guardei o meu. Abrimos a porta da rua ao gatinho e ele saiu compassadamente.

No dia seguinte lá estava ele de novo. Falei com o meu jovem vizinho e ele disse-me que não tinha possibilidades de ficar com o bichano. Subi ao quinto andar e fui conferenciar com a Família. Pois… já tinha adoptado o Medroso em 2002 e lá em casa já viviam o gato Pipocas com 14 anos e a gata Farrusca com 13, que fazer?

E o gatinho veio morar aqui para o meu escritório. Adaptou-se bem, incluindo o seu relacionamento com a minha “sombra”, o Medroso. Pedi aos meus Netos para lhe darem um nome e eles escolheram YOKO tal como o cão aqui do vizinho.

Os dias foram passando. De vez em quando, como aqui tenho quase as mesmas condições como na minha residência, dormia cá, com o Medroso, pois claro, para fazer companhia ao gatinho Yoko, atenuando-lhe assim as outras noites de solidão.

Tenho a mesa do computador junto à janela. O Medroso postava-se (o que ainda faz) do meu lado esquerdo encostado à parede da janela e o Yoko do lado direito sobre a carpete, mas volta que não volta, saltava para a mesa a ronronar e eu tinha de fazer uma grande ginástica para mover o “rato” e olhar para o monitor. Ele não dava “marradinhas”, olhava-me com aqueles belos olhos felinos, esperando que o acariciasse. Depois, andava a passear por cima da impressora, scanner e de um móvel contíguo. Outras vezes acomodava-se sobre o scanner.

Há poucos dias notei que o gatinho quase não comia, deixando praticamente de defecar e com dificuldade em urinar. Isto durante esta semana que agora terminou.

Confiando na capacidade de auto-regeneração dos chamados irracionais, ia estando atento e os primeiros sinais de que estaria perante algo mais complicado foram dados quando o gatinho deixou de vir para junto de mim, isolando-se.

Na passada quinta-feira resolvi dormir aqui. Durante o serão, antes de me deitar, o Yoko saiu do seu recanto e veio junto a mim saltando para cima da mesa e emitindo um miado que me pareceu estranho. Acariciei-o e ele foi deitar-se sobre o scanner. Passado algum tempo voltou para o chão e foi refugiar-se sob a cama no quarto. Quando me deitei ainda o chamei várias vezes. Mas ele não fez o que costumava – deitar-se junto à almofada durante um tempo e depois aninhar-se junto às minhas pernas.

No dia seguinte, na passada sexta-feira, quando me levantei deparei com ele no hall, sobre a carpete. Peguei nele e depois do acariciar coloquei-o sobre a cama. Manteve-se lá pouco tempo, isolando-se mais uma vez. Telefonei à médica proprietária da Clínica Veterinária, onde costumo levar os meus bichanos. Disse-me que estava de férias mas um dos colaboradores dela atender-me-ia.

Lá fui eu e a minha Filha, que embrulhou o gatinho numa grande toalha de praia. Fomos atendidos por uma jovem médica veterinária, que se limitou a ouvir o meu relato e depois de uma breve apalpação, diagnosticou uma infecção urinária e desidratação como consequência da mesma. Aplicou-lhe, pelo menos, dois tipos de soro e injectou-o com antibiótico e anti-inflamatório, dizendo que nos próximos cincos dias teríamos de lá voltar para lhe serem aplicadas as doses diárias de soro, antibiótico e anti-inflamatório. Passados esses cinco dias, parava-se o tratamento com o soro e seriam prescritas tomas em casa sem necessidade de deslocação ao consultório. Para além disto, prescreveu uma alimentação especial, que lá vendem, com o objectivo de o fortalecer e de lhe regular o aparelho urinário. Isto aconteceu entre as 15 e as 16 horas.

Regressados aqui, preparámos uma caixa de cartão com tudo o que era necessário para que o gatinho se sentisse confortável. A minha Filha aconchegou-lhe a toalha e deitou-o. De vez em quando eu ia espreita-lo. Por volta das 19 horas quando a minha Filha regressava com o meu Neto mais velho, fomos novamente junto ao Yoko e notámos que ele estava com insuficiência respiratória. Não lhe disse, mas pensei que estava perante um desfecho irreversível.

A minha Filha ainda telefonou para a referida clínica. Atendeu-a um médico que se comprometeu a entrar em contacto com a colega para saber do diagnóstico e da medicação aplicada. Ficou de contactar de seguida connosco. Não o chegou a fazer. Cerca das 20 horas fui junto a ele. Estava sereno, com os olhos abertos. Soergui-o um pouco. Ainda o apalpei com uma ténue esperança de lhe detectar sinais vitais.

O Medroso olhava como que incrédulo para o seu Companheiro de alguns meses. Entrámos no elevador. Quando abri a porta de casa a minha Filha perguntou-me pelo gatinho. Limitei-me a abanar a cabeça. Ela gritou e chorou revoltada e eu também não me contive.

A Sandra correu para o telefone e descarregou a sua revolta numa funcionária do Consultório. Daí a pouco telefonou o médico que tinha ficado de contactar com a colega que tratou o Yoko. Como previsível, colocou “água na fervura” dizendo que a medicina para os animais não estava tão desenvolvida como para as pessoas, blá, blá, blá…

Não quero fazer aqui juízos de valor. Mas penso que se passou algo de estranho. Não foram efectuadas quaisquer análises sanguíneas ou exames radiológicos. Que, julgo teriam de ser feitas para um correcto diagnóstico e aplicação das medidas adequadas. Fui suficientemente claro no relato que fiz a essa jovem médica veterinária e como tal creio ter-lhe fornecido pistas que a poderiam conduzir a uma avaliação, a mais correcta possível, do quadro clínico apresentado.

Desculpem a extensão deste desabafo. Foi um fim-de-semana dramático. Perdi um Amigo. Embora recente era uma Amizade já bastante fortalecida.

Na noite da passada quinta-feira, quando ele saltou para aqui pela última vez talvez estivesse a querer transmitir-me algo.

Tal como uma despedida.

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sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Estado da Justiça – O ASSALTO


Para não escrever a ”a quente” deixei rolar uns dias sobre o “assalto” efectuado pela PJ às instalações do Jornal 24 horas.

Não tenho qualquer tipo de simpatia ou antipatia pelo referido Jornal, mas este acontecimento de que tive conhecimento, tal como um qualquer comum cidadão, deixou-me bastante apreensivo e pela minha memória perpassaram lembranças de outros tempos.

Durante a vigência do regime corporativo, que eu classifico como uma versão pacóvia do nazi-fascismo, embora com a violência sob vários aspectos de que muitos se lembrarão, era usual a famigerada policia politica irromper pelos lares dos cidadãos e “virarem-lhes” as casas do avesso, muitas das vezes acompanhando estes actos com brutais agressões. O mesmo sucedia em redacções de jornais não enfeudados ao regime, livrarias, sociedades de cultura e recreio, etc. Prendiam os suspeitos, torturavam-nos, mantendo-os sem culpa formada nas prisões ou, passados anos, realizavam um simulacro de julgamento, em que alguns “juízes malditos” se prestavam a colaborar, proferindo pesadas sentenças, incluindo as chamadas “medidas de segurança”, o que significava prisão perpétua.

Pelo que sabemos, no caso da entrada intempestiva da PJ na redacção do referido Jornal, não terão havido, pelo menos, agressões físicas. Mas o acto em si, é na minha opinião bastante preocupante, pois poderá deixar antever situações similares, que aliás, já têm acontecido nestes últimos tempos, com cidadãos com maior ou menor visibilidade social.

Poderei compreender que no âmbito de uma investigação criminal e verdadeiramente fundamentada e legalizada com um mandato (ou mandado) de um “juiz consciente”, haja necessidade de proceder a buscas domiciliárias ou a Empresas ou a Instituições. Mas tanto quanto me foi dado apreender, neste caso concreto, tratou-se de um grave atentado à liberdade de expressão e de deontologia profissional.

Se o Jornal continha informações no âmbito do famigerado caso Casa Pia, que de tão nebuloso, há muito que emana um execrável cheiro de uma pia não Piedosa como a rainha de que lhe advém o nome, mas de um sanitário de recolha de dejectos, é porque alguém com responsabilidades acrescidas por estar obrigado ao tão propagado “segredo de Justiça” as forneceu.

Mas esta será só uma das muitas pontinhas de um enorme iceberg que a pouco e pouco vamos descortinando.

Para bom entendedor…

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terça-feira, fevereiro 21, 2006

Cravofobia


Cravofobiaestado psicopatológico caracterizado pelo medo de passar por ou estar junto a tão democrática flor e a tudo o que ela representa nas mentes abertas desta Lusitânia do nosso (des) encanto. (termo e definição minha)

Cresci em Lisboa no popular Bairro de Alfama, de onde sai para um Bairro adjacente aos 20 anos de idade, por ter casado um mês após ter sido libertado das masmorras da Pide.

Durante as várias fases do meu desenvolvimento, da meninice até ao chamado estado adulto, recordo-me de nas varandas da minha casa, a minha Mãe ter sempre a preocupação de manter vasos, entre outras espécies, tais como: espargos, sardinheiras e, os populares cravos.

Pelas janelas da vizinhança e por todo o Bairro em geral, raras eram aquelas, que não estivessem pejadas de vasos com as mais variadas plantas, flores e até era frequente verem-se crescer nespereiras nas sacadas daquelas janelas, onde algumas atingiam ou até ultrapassavam as janelas dos vizinhos dos andares cimeiros.

Mas havia duas flores que predominavam em todas as janelas, as das sardinheiras e os cravos vermelhos.

É evidente que isto também se passava nos outros Bairros, mas com destaque para os chamados Populares e por esse País fora. Do litoral urbano ao interior bucólico de então, raras eram as pessoas que não prestavam o seu culto às plantas ou às flores.

Mas retornando aos Bairros Populares de Lisboa e em especial àquele onde vivi e cresci, os cravos assumiam um papel de relevo nos comportamentos das pessoas. A vizinhança era composta maioritariamente na parte feminina, por vendedeiras de peixe, fruta, legumes, caracóis, fava-rica, etc. Quanto aos homens, exerciam as profissões de estivadores, marinheiros, operários de diversas especialidades – funileiros, mecânicos, pintores, bate-chapas, etc. e um número significativo de produtores de mais valias, ou seja, o então proletariado fabril.

A par de uma ou outra escaramuça, principalmente entre as mulheres, que não demoravam muito a dirimir-se, as pessoas eram de um modo geral fraternas entre si, acorrendo aos seus vizinhos quando estes necessitavam da sua ajuda, tanto sob o ponto de vista emocional, como de situações de doença ou de dificuldades financeiras, compartilhando o pouco que tinham com quem tinha muito pouco.

Pelos Santos Populares era uma alegria. Elas, confeccionando flores e outros adornos de papel, multicores. Eles, regressados do trabalho, montavam-se em escadotes de madeira e estendiam os suportes para aqueles adornos onde colocavam balões igualmente de papel. Estes, ainda me recordo, nos primeiros anos da minha meninice, eram iluminados por velas. Posteriormente passaram a utilizar lâmpadas eléctricas.

Numa pequena loja térrea do prédio onde morávamos vivia a tia América, vendedeira de frutas e legumes, o seu marido e uma numerosa prole. A tia América e o tio Fernando, ajudados pelos Filhos e pelas Amigas Celina e Rosinha, também vendedeiras, improvisavam mesas com umas tábuas e toca de colocar o fogareiro a carvão ao lado da casa, nos degraus que davam acesso ao prédio onde nós habitávamos o segundo andar, ateando o lume e era sempre a aviar. Centenas de sardinhas passadas por aquelas brasas.

Encostado ao prédio em frente costumavam erguer um palanque destinado aos animadores populares da Festa. Tocavam acordeão, banjo, bandolim, etc. E mesmo com a rua inclinada em forma de calçada, os pares não se coibiam de dar uns bons passos de dança naquela pista de basalto.

Chegamos então aos simpáticos manjericos que os rapazes compravam para oferecer às suas namoradas ou às moças que pretendiam conquistar. Por entre a verdejante planta aromática sobressaía um cravo vermelho, não de papel, mas natural. Muitos homens colocavam cravos nas lapelas dos casacos ou entre os botões das camisas. E a Festa durava até altas horas da madrugada. No final alguns homens e mulheres, vencidos pelo cansaço ou pelo carrascão da zona Oeste, ficavam descontraidamente prostrados no chão até o sol raiar.

Eram momentos que funcionavam como um paliativo efémero de felicidade, onde a maioria das pessoas atordoava num recanto do seu âmago as tristezas e os dramas do quotidiano.

Os anos foram passando e para agravar a situação dramática vivida pela maioria do Povo Português, fomos confrontados com cerca de 14 anos de guerra, ao longo dos quais foram ceifadas ou estropiadas milhares de Vidas.

Muita gente que viveu esses tempos de negrura, já se esqueceu ou procura camuflar a Verdade histórica. Contudo, há mais de três décadas a esperança renasceu e o Povo que mesclava as suas mágoas nos Santos Populares ou se atordoava no vinho das tabernas, quando ao raiar de uma manhã descobriu atónito um punhado de soldados, correu para junto deles e decorou os canos das suas armas com os fraternos cravos vermelhos.

Seguiram-se alguns tempos de encanto e muitos anos de desencanto, em que muitos ficaram pelo caminho ou venderam a sua consciência, ajudando inconsciente ou conscientemente, à regressão a muitas situações do passado. Espezinharam os cravos, o que quer dizer, o simbolismo que eles representam para os Espíritos abertos à Fraternidade Universal.

Nos tempos que correm pouco mais nos resta do que a Liberdade de expressão e reunião. Mesmo estes valores encontram-se ameaçados pelo revanchismo com mascara democrática ou ostensivo.

É não só necessário, mas urgente, de que todos os se reclamam defensores de uma sociedade mais equilibrada, para não utilizar outra terminologia, embora justa e apropriada, unam as mãos em defesa dos valores que sempre defenderam e lutaram.

Os cravos, assim como toda a flora, fauna, enfim, a Natureza, não são pertença exclusiva de ninguém. São de todos os que quiserem amar e cultiva-los ao invés de optarem pelo derramar de sangue alheio.

Mas, infelizmente, anda por aí muita gente que sofre de cravofobia, um termo que não consta de qualquer dicionário, mas que eu sugiro que passe a figurar.

Espalho os meus cravos vermelhos por todos vós, mesmo sabendo que alguns terão relutância de os tomar e acolher.


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sábado, fevereiro 18, 2006

Blognócio da Primavera

Estimados/as Amigos/as

Três semanas após a realização do nosso Blogstício do Inverno, temos a grata satisfação de anunciar a realização de um novo Encontro de Amigos/as, o Blognócio da Primavera que terá lugar no próximo dia 25 de Março, um sábado, como usual, no Restaurante da Associação 25 de Abril.

Desta vez o nosso Encontro verifica-se no sábado seguinte à ocorrência do Equinócio da Primavera. O que não aconteceu em relação ao Solstício do Inverno, dada a proximidade do dia de Natal.

Mas o que interessa é a oportunidade que temos de confraternizar, o resto são pormenores sem importância.

Os/as habituais presentes nestes Encontros já sabem como proceder à inscrição. Para os/as que queiram inscrever-se pela primeira vez basta clicarem na respectiva imagem no cimo deste blog que os direccionará para outro blog elaborado para o efeito e onde encontrarão todos os detalhes que consideramos necessários.

Agora chega de conversa e vamos lá a começar as inscrições.

Beijos e Abraços.

Augusto do
KlepsidraFirmino Mendes do Sopa de NaboseEU

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quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Um ano e sete meses na Blogosfera

Na passada segunda-feira, dia 13, este blog completou mais um mês, o décimo nono, a partilhar os meus encantos e desencantos.

Para assinalar este evento, meia dúzia de palavras sobre fraternidade e reciprocidade.

Continuo, como sempre, a ser fraterno com toda a gente que o mereça e seja digno da minha estima e Amizade. A única coisa que espero em troca é a reciprocidade da minha dedicação e a consideração que penso dever merecer de todas as pessoas a quem fraternalmente me dedico.

Porque, ser Amigo, não é tecer loas “por dá cá aquela palha”.

Um Amigo deve dizer sempre frontalmente o que pensa, dos actos e acções, das pessoas a quem dedica fraternalmente a sua Amizade. Porque se omitirmos ou mascaramos aquilo que pensamos, estaremos a ser uns falsos Amigos.

Como tal, desculpem a frontalidade, mas isto hoje não podia ficar por dizer.

Bem Hajam!


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domingo, fevereiro 12, 2006

Liberdade de expressão e as (in) tolerâncias

Todas as religiões são mais ou menos castradoras de um correcto desempenho do indivíduo perante a sociedade em que está inserido.

As religiões, elaboradas por Seres Humanos, poderão conter na sua essência, valores conducentes ao bem-estar e a um correcto comportamento individual, contudo, a sua aplicação prática tem sido sempre desvirtuada ao longo dos tempos pelos seus guardiões, ou, por outras palavras, pelas suas hierarquias, desde os seus chefes supremos até à base da sua pirâmide – os sacerdotes das várias confissões instituídas.

A aplicabilidade de determinada doutrina religiosa tem sido sempre condicionada pelos poderes temporais instituídos. Sempre existiu uma sólida interactividade entre os designados poderes espirituais e os temporais.

Mesmo nos estados ditos laicos, a classe dirigente alia-se aos sectores religiosos maioritários, podendo essas alianças verificarem-se pontualmente ou de forma permanente.

A célebre expressão de Karl Marx de que a “
religião é o ópio do Povo” mesmo para muitas pessoas que conscientemente praticam a sua Fé, devem em algum momento ter reflectido no porquê desta expressão, fundamentada, deste grande filósofo do século XIX.

Retornando à pirâmide das hierarquias, sabemos de, no caso de alguns servidores da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR), dignas e honrosas e excepções, como foi e tem sido a sua praxis em países como Portugal, Brasil, da América Latina, etc., em que estes servidores da ICAR se têm colocado ao lado das pessoas mais fragilizadas socialmente, não hesitando em questionar os poderes instituídos, colocando muitas vezes em risco a sua integridade física, sem qualquer apoio do chefe supremo da sua Igreja – o Papa.

Mas estas são excepções que não relevam a regra do que tem sido a prática da maioria dos elementos constituintes daquela que eu designo por pirâmide hierárquica, co-responsáveis por todos os atropelos à dignidade humana.

No caso das confissões islâmicas penso que o que se tem verificado, com uma ou outra variante, será similar à prática das confissões de inspiração cristã. O mesmo poderemos concluir em relação a outras confissões religiosas.

Em quase todas elas a intolerância prevalece sobre a tolerância que devia existir entre si. Assim, continuamos a assistir à prática e ao incitamento ao ódio, protagonizado pelos responsáveis das principais confissões religiosas entrelaçados com o poder politico temporal, quando não são aqueles, uma e a outra face do Poder instituído.

Respeito os usos e costumes de toda a gente, desde que eles não colidam com os valores que sempre defendi, como o direito à Vida e à Liberdade consciente de cada um.

Considero, por exemplo, que uma mulher de origem muçulmana ou hindu tem todo o direito de usar o seu vestuário tradicional nos diferentes países onde viva ou que visite. Assim como verbero a imposição de determinados países muçulmanos, ao obrigarem as nossas mulheres a tapar o cabelo ou a usarem vestuário de acordo com as suas tradições.

Há que manter sempre uma postura de equilíbrio e respeito mútuo. Não obstante o que aqui expressei acerca das diferentes religiões, tenho plena consciência da realidade envolvente e como tal, há que respeitar quem as pratique

Sempre defendi a Liberdade em toda a sua plenitude. E isto quer dizer uma Liberdade consciente, não ofensiva da sensibilidade alheia.

Não devem os usuários da Liberdade utilizarem-na para acicatar ódios. Certas posturas, penso, serão tomadas levianamente. Mas outras não serão tão inócuas como à primeira vista poderiam deixar de transparecer.

Ao condenarmos o excesso de atitudes exacerbadas por multidões em fúria, protagonizando violência de uma forma irracional, temos de igual modo de indagar quais os responsáveis pelo rastilho que desencadeou tais ondas de violência.

Muitos países ocidentais com especial destaque e protagonismo dos EUA, são os principais responsáveis pela crescente onda de violência não só nos países muçulmanos mas em todo o planeta mercê de uma politica desenfreada de lucro que não olha a meios para atingir os seus fins.

Quem forneceu armamento e tecnologia com fins destrutivos a países como o Iraque, Irão, Afeganistão, Paquistão, etc.,?

De igual modo, muitos dos países muçulmanos, não estão isentos de culpa. Antes pelo contrário. A sua cumplicidade com certos países ocidentais, ainda que de quando em vez os hostilizem, a violação dos direitos humanos e as desigualdades sociais são uma prática do seu quotidiano.

A exclusão e a violência estão imbuídas tanto em largas franjas do Ocidente como do Oriente. Compete aos indivíduos que se afirmam defensores de valores humanistas Lutar. Denunciando estas situações e dando a sua quota-parte na edificação de uma sociedade mais justa e mais Fraterna.

Não existem santos. Mas pululam muitos pecadores por aí.


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sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Imagens do Blogstício do Inverno


Caros/as Amigos/as

Finalmente acabei o trabalho, sendo assim possível divulgar as imagens do Encontro da Irmandade Blogueira, o Blogstício do Inverno, realizado no passado dia 28 de Janeiro, em Lisboa, na sede da Associação 25 de Abril.

Foram umas boas horas, a escolher e a trabalhar as fotografias enviadas por
Lina/Mar Revolto, OrCa, Sandra Feliciano e Wind.

É só clicar na flor e iniciar a vossa visita.



Imagem de
Wind

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segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Sexualidade silenciosa

“A primeira vez foi horrível. Senti me escabrosa. A dor foi indescritível. Pungente. Mas também qual é a mãe que imagina um dia vir a masturbar o seu próprio filho, não é?"

Chocante? Talvez, mas só para quem se limita a ler ou a ouvir apressadamente e não se dá ao trabalho de pensar no porquê das coisas.

O primeiro parágrafo é uma citação do início de um artigo de duas páginas publicado na edição do passado sábado no
Diário de Noticias (DN).

Esta Mãe de um deficiente profundo, actualmente com 20 anos de idade pensou, pesou as consequências e tomou uma decisão.

Quem não raciocina ou está imbuído por certos valores morais, principalmente incutidos por algumas religiões, apressar-se-á a catalogar este procedimento como uma manifestação incestuosa.

Os deficientes, mais ou menos profundos, têm manifestações inatas que não podem nem devem ser escamoteadas. É o caso da libido, que segundo Freud nos ensina na sua teoria da sexualidade, “
há sinais desta logo no início da vida extra uterina, constituindo a libido”.

Outro dos casos referidos no citado artigo do DN é o de um jovem de 28 anos portador da síndrome de Down, vulgo mongolismo. Segundo o Pai, este jovem “começou a masturbar-se em público e a falar obsessivamente de sexo…” Pacientemente, o Pai, ensinou-lhe que “ele podia tocar-se desde que o fizesse na intimidade”. Depois contratou uma prostituta para “ele experimentar uma relação sexual”.

Para os falsos puritanos, tratar-se-á de mais uma imoralidade. Este Pai é dos que raciocinam, também pensou e agiu. Ainda que não aceitemos a prostituição, mas como infelizmente esta é uma realidade presente, este Pai, certamente saltando por cima dos seus valores, decidiu que o aliviar do sofrimento interno do seu Filho justificava a sua decisão.

Após estes e outros exemplos, a peça do DN prossegue com opiniões de profissionais da área da saúde, nomeadamente da psiquiatria e psicologia, bem como de progenitores com funções de direcção em Associações de protecção e defesa de pessoas com deficiências psico-motoras. Aqui realço dois casos: “a contracepção definitiva ou cirúrgica” e o direito que um casal de deficientes tem de ser feliz, fazendo uma vida em comum.

A contracepção, embora com algumas lacunas está prevista na lei portuguesa. Podem faze-lo pessoas com mais de 25 anos de idade. Quanto a este aspecto penso que a Lei só contempla os indivíduos em pleno uso das suas faculdades mentais. Assim sendo, como vão os progenitores ou qualquer outra pessoa que os acolha, proceder com doentes portadores das referidas patologias?

Penso que os progenitores ou as pessoas responsáveis por esses doentes, deverão em conjunto com os médicos, tomar as decisões mais acertadas. E estas não deverão esperar pelo completar dos 25 anos, embora, como disse atrás, ter entendido que a Lei só contempla as pessoas em pleno uso das suas faculdades mentais. A ser assim, os responsáveis por estes doentes, logo que detectem nos seus comportamentos a agitação e a angústia provocada pelas suas pulsões sexuais devem agir de imediato recorrendo a clínicos da especialidade.

No que respeita à vida em comum de dois Seres com este tipo de deficiências estou inteiramente de acordo, salvaguardando o aspecto da procriação, longe de qualquer conceito hitleriano de produção de seres perfeitos, mas evitando a concepção de novos Seres que herdarão o código genético dos seus progenitores. E isto passará por uma atenção cuidada dos diversos intervenientes no acompanhamento desses casais.

Todo o Ser Humano, independentemente dos seus desempenhos psíquicos ou físicos tem direito a uma qualidade de vida que lhe proporcione ou tente proporcionar, um bem-estar que lhe minore o seu sofrimento e as suas angústias.

A sexualidade silenciosa é uma realidade protagonizada por muitos Seres Humanos que, ao invés de ser ignorada ou marginalizada, deve ser seriamente encarada pelas pessoas ditas normais, de modo a proporcionarmos a esses Seres, a possibilidade de, pelo menos, não se sentirem tão infelizes.

Porque eles sofrem, cabe-nos a nós, minorar o seu sofrimento.

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sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Ser Solidário

A ideia surgiu no nosso último Encontro do passado dia 28 de Janeiro, pela voz de alguns participantes e na sequência de um post da Sandra Feliciano publicado no seu Cobre & Canela dois dias antes. Ninguém se manifestou contra. Sabemos que alguns Amigos/as da blogosfera já referiram o assunto nos seus blogs, porém o Augusto do Klepsidra, considerou que devíamos dar mais visibilidade a esta campanha de solidariedade e como tal, escreveu um pequeno texto que me enviou.

Pela minha parte, ilustrei esse texto com duas imagens e converti-o para linguagem HTML alojando-o no meu servidor web.pt.

Queiram ter a gentileza de clicar na imagem com crianças no cimo deste blog. Leiam. Reflictam. E tomem as vossas decisões.

Bem Hajam


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quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Textos sobre o nosso Encontro

Dado que houve mais Amigos/as que colocaram textos sobre o nosso Encontro, após a colocação do meu post anterior, sugiro que consultem a Lista abaixo, que irá sendo actualizada, conforme eu vá tendo conhecimento de novos textos:

· Absolutely do
Absolutamente Fabulosa
· Dilbert do
Confessionário do Dilbert
· GEOSAPIENS do
GEOSAPIENS
· Luís Ferreira do
Sem Palavras
· Passaro Azul do
Ilha Encantada
· Paulo Nunes do
Poesia Lusa
· Perplexo do
Universos Assimétricos
· Sandra Feliciano do
Cobre & Canela
· TNT do
Hora Absurda
· Wind do
WebClub
· Zecatelhado do
Tadechuva II

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