Loreena McKennitt - Dante's Prayer

domingo, maio 21, 2006

Os três Pastorinhos (II)

II – A experiência escutista e as minhas primeiras dúvidas


Sofrimento – purificação do pecado

"O argumento cristão habitual é que o sofrimento, neste mundo, constitui uma purificação do pecado, sendo assim, uma boa coisa. Tal argumento não passa, naturalmente de uma racionalização do sadismo; seja, porém, como for, é um argumento muito fraco. Eu convidaria qualquer cristão a que me acompanhasse ao pavilhão infantil de um hospital, a fim de observar o sofrimento que é lá suportado, para ver se continuaria a afirmar que aquelas crianças eram tão corruptas, moralmente, a ponto de merecerem o que estavam sofrendo. Para que possa dizer tal coisa, um homem tem que destruir em si mesmo todos os sentimentos de misericórdia e de compaixão. Deve, em suma, tornar-se tão cruel como o Deus em que crê. Homem algum que acredite ser para o bem tudo o que acontece neste mundo de sofrimento poderá manter intactos os seus valores morais, já que está sempre encontrando escusas para a dor e a miséria".


Bertrand Russell. Porque não sou cristão. Brasília Editora, Porto

Após o meu regresso dessa minha incursão por alguns dos bastidores do Santuário de Fátima prossegui com a minha actividade de escuteiro.

Reuniões na sede do Agrupamento a que pertencia, aprendendo com os mais velhos a história do movimento criado pelo General inglês Baden-Powell (1857-1941) em 1907. Para além desta formação teórica aprendíamos a executar os célebres nós com as cordas de sisal, armar uma tenda, etc., etc.

Acampamentos e os seus belos “fogos de Campo”, em que ao redor de uma fogueira cantávamos, contávamos histórias e improvisávamos pequenas peças de teatro.

De 17 a 27 de Agosto de 1956, tinha eu 13 anos de idade, participei com o meu Agrupamento, no X Acampamento Nacional que se realizou em Avintes. Foi a primeira vez que tive a oportunidade de visitar a bela cidade do Porto.

Proporcionaram-nos um excelente passeio fluvial entre as duas margens do mítico Douro. Este passeio ficou ensombrado quando um pequeno bote se aproximou do barco tradicional que nos transportava e o barqueiro berrando na nossa direcção: “Está aí “fulano”? “É para dizer que a mãe dele morreu”. Dito mais ao menos assim, com esta rudeza e frieza que a todos impressionou e indispôs.

Fora este dramático episódio, os restantes dias do acampamento decorreram com normalidade e com a sã alegria e convívio fraterno daquelas centenas de jovens, entre os quais se encontravam, alguns Grupos estrangeiros.

Regressando à nossa actividade normal em Lisboa, íamos prosseguindo as nossas com as nossas habituais tarefas. No que respeita às actividades religiosas, elas resumiam-se praticamente à participação na missa dominical.

Pelos 15 ou 16 anos de idade vi-me na contingência de abandonar a actividade escutista. Empreguei-me e matriculei-me num curso nocturno, o que não me deixava praticamente tempo livre. Dos escuteiros e do tempo que lá passei, só guardo boas recordações.

Continuei a frequentar as missas dominicais, porém, já com o espírito de um observador atento a todos os pormenores que ali se passavam.

A minha experiência no Santuário de Fátima, talvez tivesse sido decisiva para o levantamento de questões que até então me tinham passado despercebidas. Não foram só os pormenores que relatei no I capítulo, mas um conjunto de circunstâncias do que ali observei, adicionando outras posteriores, que, como espectador atento, via desenrolar dentro dos templos que frequentei e externamente na praxis dos senhores da Igreja e dos seus aliados laicos.

Maria, Mãe de Jesus, personificava a mulher ofendida pelos vários escribas dos escritos religiosos, inventores da concepção extra-carnal, fazendo crer, durante séculos e séculos, que a sublimação do Amor através da carne, era pecado.

Considero esta, a maior e mais grave ofensa feita a todas as mulheres, através de uma fundamentação contra-natura da concepção.

Foi José, companheiro de Maria, padrasto de Jesus?

Poucos são os locais, cidades, vilas ou aldeias, onde desde remotos tempos, se não tenha inventado uma Nossa Senhora qualquer. Alguns exemplos: Imaculada Conceição; Sameiro; Nazaré; Agonia; Navegantes, etc., etc. etc. e até da Boa-Morte (Ponte de Lima).

Já para não falar da legião de santos/as e beatos/as que foram surgindo através dos tempos. Lembram-se, por exemplo, na História de Portugal, da Batalha de Aljubarrota? Com os castelhanos a berrar “Santiago de Castela!” e os portugueses “S. Jorge de Portugal?”. Os soldados no terreiro matando-se e ferindo-se mutuamente e lá no éter o S. Jorge montado num dragão, que lançava chamas, para esturricar o malandro do seu comparsa castelhano…

Quase seis séculos depois, não muito distante dali, um, ou vários “iluminados” arquitectaram e muito bem, diga-se de passagem, o surgimento de mais uma virtuosa Senhora, a de Fátima.

Tentarei nos próximos capítulos desmontar aquele que eu considero um dos maiores embustes da História do Portugal contemporâneo.


(continua)

Comentários Alternativos - Haloscan:

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Comments:
Fernando,

Maria é para mim o ser divino mais querido, respeito-a com uma devoção fervorosa. É uma questão de fé, sem dúvida, mas é uma convicção profunda, intimamente ligada ao que sou. Aceito como uma coisa natural que outras pessoas pensem de modo diferente e defendam essas ideias com empenho. Apesar disso, tenho que te dizer que de todo e de todo não concordo nem posso concordar com o teu post, e com aquilo que ele deixa antever – a exposição de Fátima como um dos maiores embustes da história nacional. Não vou sequer falar do enorme pretenciosismo que tal classificação encerra, prefiro antes abordar outros aspectos.
Acho que és bastante novo ainda, para poderes falar de coisas que aconteceram antes de tu nasceres. Mas acho, acima de tudo, que não deves afrontar, ainda por cima de modo tão violento, um dos sentimentos mais profundos dos católicos,que é a fé em Maria. Eu, por Maria, e na afirmação coerente das minhas convicções, seria capaz de tudo. Acredito que ela apareceu e aparece a todos os que dela necessitam, embora poucos tenham o dom de reconhecer a presença dela. Já senti a presença de Maria na minha vida e sem essa presença a minha capacidade para enfrentar as dificuldades por que passo todos os dias.

Fernando, respeita a fé dos outros. Aquilo que levianamente classificas como um embuste, é sagrado para outros e, pelos vistos, até na tua própria casa. Só fui a Fátima uma vez, mas tenho o Sameiro aqui perto de mim, local que desde criança me habituei a frequentar e onde encontro sempre o calor divino, a protecção e paz de Maria.
Respeito a tua falta de fé. Parece-me, no entanto, que só um enorme enviesamento ideológico permite a violência gratuita das palavras que escreveste. Tenho de te dizer que não aceito que ponhas em causa uma coisa tão querida como é Maria a quem considero mãe divina, uma mãe que não tem preferências nem cores politicas, mas uma protectora. Faço-o em consistência com a minha fé, e faço-o consciente de que também esta consistência, num mundo cada vez mais interesseiro e voltada para o seu próprio umbigo, também esta minha defesa da minha fé Mariana não será adequadamente compreendida. Não me arrependo de o fazer. O respeito pelos nossos valores e as nossas convicções é muito importante e mesmo com os erros da minha condição humana, procuro assegurá-lo tanto quanto consigo.

Fernando, por favor, pára de escrever desta forma violenta sobre Fátima. É possível defenderes as tuas convicções sem a ofensa gratuita os crentes, sem esta violência excusada no modo. Pela minha parte, acho que devias pedir desculpa aos que, como eu acreditam em Maria, e se sentem ofendidos pela gratituidade e violência que usas neste post.
Gosto muito de ti, Fernando, há anos que gosto de ti como pessoa, mas por favor, por favor respeita os sentimentos daqueles que como eu tem Maria como a grande Matriarca da humanidade.

Fica em paz, Fernando.
 
Fernando, lamento gosto muito de ti mas isto é superior a mim, por Maria dou a vida.Doi-me tanto saber que o meu querido amigo diz que Fátima é um embuste atingiu-me de morte, eu sou devota de Maria, respeito a tua falta de crença, respeito a tua falta de fé...Mas chamares um embuste a Fátima Fernando isso fiquei chocada. Respeita todos os que acreditamos e somos milhões em relação á uma minuria muito reduzida que não acredita, mesmo nessa minuria que não acredita existem muitos que dão o beneficio da dúvida. Por favor Fernando a Fé não! por favor.
 
Pois meu amigo Fernando, há para aqui uma montanha de confusões na tua cabeça.
1º: Quando colas aquela coisa do sofrimento aos CRISTÃOS, isso não é verdade. Pode ser no que respeita a algumas pessoas da Igreja Romana e mais umas quantas, mas não se estende a TODOS os cristãos. Quem escreve uma barbaridade desse tamanho, das duas uma: Ou está a falar gratuitamente sem conhecimento de causa ou então está conscientemente a torcer a verdade, o que acredito não ser o teu caso já que te considero um homem amigo da verdade.
Jesus O CRISTO foi precisamente o oposto disso que tentas dizer que fão os cristãos. Tu, como tiveste uma educação católica ( como vejo) foste formado nesses enganos, mas mesmo assim, isso não te dá o direito de bulires com a fé dos outros, o que considero muito pouco ético. Eu também não acredito em Fátima, por muitas e variadas razões, mas acredito em Cristo e tento seguir o seu exemplo de homem bom, solidário, justo e incapaz de odiar o seu semelhante...
afinal é o que tu também defendes, não?
Refreia lá os teus ânimos e fala de outras coisas que tu tão bem sabes e que nós tanto gostamos.

Um @bração do
Zeca da Nau
 
Fernando, por favor pára com esta exposição. SE é isso que sentes guarda dentro de ti, mas não deites aqui revoltas ou ódios sobre coisas tão sensíveis para nós os crentes e puro na crença, respeita-nos e respeita os nossos sentimentos. Beijinho
 
Fernando, nunca te esquecerei, o teu carinho para com a minha pessoa. Descansa pem paz amigo.
 
Não vos conheço, mas acredito na vossa boa-fé, isto é, que acreditais naquilo que exprimis. Porque não querei que outros exprimam convicções diferentes? Você disse: «SE é isso que sentes guarda dentro de ti, mas não deites aqui revoltas ou ódios sobre coisas tão sensíveis para nós os crentes e puro na crença, respeita-nos e respeita os nossos sentimentos». E os descrentes, quando começam a ser respeitados? Quando deixam de obrigar-nos a viver segundo as regras que os religiosos criaram para servir os poderosos? SE não conheceis a História, não a apagueis, ao menos, não façais mais fogueiras com a vossa censura, estai abertos à verdade. Respeitosos cumprimentos de uma vítima das leis religiosas. (Nada que se compare às vítimas que aparecem actualmente nas imagens das guerras).
 
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