Quinta-feira, Março 16, 2006
Mário de Oliveira
Um padre exilado pelos carcereiros de Deus
“Um padre sem templo nem altar – assim se identifica Mário de Oliveira. Desguarnecido do mister paroquial pelo Governo da Igreja Católica, o ex-pároco Mário e sempre Padre Mário não capitulou perante o cerceamento administrativo e territorial. E tem vindo, sem lhe tremer a voz e o site, a declarar que entre a Comissão Eclesiástica e a Missão Evangélica, em definitivo escolheu a Missão. Expulso do templo pelos zeladores do Pensamento Único e modeladores do Povo de Deus como rebanho do Senhor ou dos Senhores – este padre não se deixou anular nem sequer aceitou baixar o tom da cólera divina. Exerce o magistério em vez do ministério, cultiva a evidência em vez de vidência. Não trata Jesus como paradigma de servidão e de sofrimento, antes como irmão do infinito…
…Assim é o padre Mário: solitário e solidário. Solitário por determinação de uma Igreja satisfeita por ser sede do Poder; solidário porque ele – padre Mário – optou por uma Igreja – sede de saber e de partilha”.
O que acabam de ler é parte do prefácio (primeiro e último paragrafo) a um dos livros de Mário de Oliveira, pelo jornalista César Príncipe.
Mário de Oliveira, um Companheiro
Ao transcrever uma parte deste prefácio não pretendi glorificar o Homem, pois sempre recusei submeter-me à prestação de todo e qualquer culto de personalidade, mas tão e somente recordar perante as pessoas da minha geração e também dar a conhecer aos mais novos, um dos exemplos de luta contra qualquer tipo de castração de consciências, de que Mário de Oliveira e uma minoria dos seus pares da Igreja Católica – um punhado de sacerdotes e alguns bispos – foram as honrosas excepções de uma Instituição, que através dos tempos, sempre foi uma fiel aliada ou servidora das classes dominantes.
Mário de Oliveira, Felicidade Alves, Francisco Fanhais, António Ferreira Gomes e mais uns quantos membros da Igreja Católica, embora com sensibilidades diferentes entre eles, foram uma referência, um exemplo de luta e companheirismo, para os crentes e não crentes, que sempre recusaram a canga que o Poder lhes pretendia impor.
Ateus, ou agnósticos como eu me defino, muitas vezes, antes de Abril de 1974, nos reunimos com alguns destes padres, para debater os problemas que afectavam este Povo e a abjecção da guerra colonial que o Poder de então nos impôs, ceifando e estropiando milhares de Vidas.
É evidente, como já tenho escrito em alguns textos anteriores, após o derrube do regime corporativista, decorridas que foram mais de três décadas, muitos outros problemas foram surgindo. O poder económico, o de cariz arcaico e o de novo tipo e seus aliados, foram minando os alicerces de uma jovem Democracia que queríamos libertadora, com igualdade de oportunidades para todos e não somente para uma minoria elitista que reparte o “bolo” entre si, deixando cair umas ténues migalhas para a maioria.
E é essa minoria que exerce a função jugular do Poder, independentemente da sua alternância cosmética.
Conheci pessoalmente o padre Mário de Oliveira, na passada terça-feira, dia 14, num jantar organizado pela TERTÚLIA CULTURAL FRATERNIDADE (não confundir com este blog), que mensalmente tem promovido encontros onde são debatidos temas apresentados por um orador convidado. Desta vez foi Mário de Oliveira que falou sobre Educação, Religião Hoje e Amanhã. Não vou pormenorizar aqui sobre o teor da sua comunicação e as intervenções que originou, preferindo sugerir a visita ao blog da minha Amiga Dad, o Momentos de Luar, que reflecte o seu sentir sobre o que ali se passou.
Mário de Oliveira e alguns dos seus pares continuam a sua Luta, junto com muitos crentes laicos, ateus e agnósticos.
Aquilo que nos une é mais forte do que alguns percursos não coincidentes que possamos ter.
Obrigado caro Mário por me ter dado a oportunidade de mais uma vez expressar o meu sentir.
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Comments:
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Fernando!
É mesmo assim! Este homem é um exemplo de força para todos nós, às vezes tão acomodados e com medo de olhar para o lado, pois somos fracos!
Beijinho,
É mesmo assim! Este homem é um exemplo de força para todos nós, às vezes tão acomodados e com medo de olhar para o lado, pois somos fracos!
Beijinho,
Ele não está encarcerado....ele agora é mais livre do que nunca, pois está a fazer e executar o plano para que foi destinado!!!
Ser o apostolo dos pobres e gritar como pode a liberdade de ser FILHO DE DEUS!!!
Acho que os encarcerados, são todos os que não têm coragem de fazer o mesmo e estão condicionados aos grilhões de Roma.
Um abraço
Ser o apostolo dos pobres e gritar como pode a liberdade de ser FILHO DE DEUS!!!
Acho que os encarcerados, são todos os que não têm coragem de fazer o mesmo e estão condicionados aos grilhões de Roma.
Um abraço
Um abraço e um bom fim de semana.
Parece que o pessoal da manutenção já resolveu o problema na Travessa.
Parece que o pessoal da manutenção já resolveu o problema na Travessa.
Queria sugerir mais uma visita ao meu blog, SOCIOCRACIA, onde coligi uma série de elementos sobre "o Negócio do Medo". Há para todos os gostos, desde os factos fortemente indiciados, até "teorias da conspiração", plausíveis. Tudo para demonstrar que há muita gente cuja consciência está a ser "agredida" pela campanha de medo da comunicação social e pela censura cerrada e cretina a este tipo de notícias... Peço a todos que divulguem, de modo a criar uma corrente que não possa mais ser ignorada...
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