Loreena McKennitt - Dante's Prayer

segunda-feira, novembro 28, 2005

Lares ou Campos de Concentração?

Auschwitz


Foi há quase trinta anos, em 1976, quando pela primeira vez tomei contacto com um Lar de Terceira Idade.

Em Junho desse ano, o meu Pai, com 68 anos de idade, viu agravada a sua arteriosclerose de que padecia precocemente há alguns anos. Rolou pelas escadas do prédio onde vivia com a minha Mãe. Nunca mais se levantou sozinho. Nove meses de sofrimento para ele e para nós que o víamos mirrar, definhar, a cada dia que passava.

Como os filhos e as noras tinham os seus compromissos profissionais, a minha Mãe, falando connosco, diligenciou no sentido de internar o meu Pai num Lar. Embora com bastantes reservas os filhos aceitaram tal decisão.

Tratou-se da papelada com a Segurança Social, para a respectiva comparticipação nos custos e comprometemo-nos com o respectivo remanescente. Assim, passados poucos dias da queda do meu Pai, internamo-lo num Lar, que existe, ou existia na chamada zona nobre de Lisboa, entre o Saldanha e o Campo Pequeno.

Era um palacete oitocentista, de fachada artística, com amplos salões no piso térreo e quartos largos nos pisos superiores. A responsável pelo Lar e julgo que proprietária deste palacete, era uma mulher de estatura média alta, morena, seca, postura dinâmica, que revelava para um observador mais atento, um jogo gestual e verbal próprio de pessoas sem uma réstia de humanidade e que através do seu comportamento social humilham, dominam ou tentam dominar os outros, o que, por sorte desse tipo de gente, raramente encontram quem lhes faça frente e as desmascare.

A referida “Fraulein” era coadjuvada nas funções de gestão do Lar, por um filho, um rapazote trintão, bem nutrido, com um sorriso imbecil a iluminar-lhe o semblante de menino bem comportado, cumpridor dos ditames da mamã.

Passados dois ou três dias, das nossas visitas diárias, foram o suficiente para nos apercebermos do “inferno” (aparentemente dourado) onde o meu Pai estava internado.

O meu Pai estava num quarto junto com outros utentes, logo na primeira cama. Mesmo antes deste acontecimento era uma pessoa introvertida, afável perante os outros, mas de parcas palavras. Durante as visitas mantinha-se calado, como que ignorando-nos. Incentivávamo-lo a falar, mas ele, com a sua grande miopia, corpo a encarquilhar-se em forma de C, respondia-nos praticamente por monossílabos e com os olhos perdidos no vazio, como que a pedir-nos em silêncio que o deixássemos definhar em paz. Nunca tinha sido um lutador. Sempre foi um resignado perante a Vida.

Aquele Lar, tal como tantos outros que pululam por aí actualmente, sejam eles em apartamentos de habitação normais, em que os idosos (e não só), se amontoam como num curral de caprinos ou sediados em mansões ou moradias, destinados a utentes da chamada classe média alta, não têm responsável clínico ou médico assistente. O pessoal recrutado que presta assistência aos utentes, na sua grande maioria, não tem habilitações profissionais ou sensibilidade humana para desempenhar tal tarefa.

Em relação ao meu Pai, desde o encontrarmos com a fralda encharcada de urina e defecação, a formigas a passearem-lhe pela cara, já para não falar da alimentação ministrada, foi o suficiente para ao fim de uma semana o retirarmos daquele “campo de concentração” e o levarmos de volta para a sua casa.

Foram longos e penosos nove meses, em que a minha Companheira, após terminar o seu trabalho numa multinacional, se dirigia a casa dos meus Pais para tratar do Sogro, principalmente na parte referente à higiene. Foi uma enfermeira diligente e carinhosa para o meu Pai.

Passados esses nove dramáticos meses, em Janeiro de 1977, o meu Pai sossegou. E foi impressionante de constatar como a morte física lhe devolveu a flacidez ao corpo. Cuja forma de C já estava praticamente fechada, formando um O. Endireitámos-lhe o corpo. O rosto, antes crispado pela longa agonia, readquiriu o seu usual ar sereno que tinha em Vida, antes daqueles nove meses.

Esses nove dramáticos meses e a experiência de uma semana naquele “inferno” de fachada senhorial, marcaram-me para sempre ao longo de quase 30 anos passados.

Através destes anos, fui conhecendo alguns Lares onde se encontravam internados familiares ou pessoas amigas. Uns, como referido atrás, implantados em casas de habitação sem um mínimo de condições para o desempenho da sua função. Outros, os tais para utentes da classe média alta, mais ou menos imponentes.

É evidente que existem raras e honrosas excepções. Uma delas, encontrei-a num Lar situado na zona da Graça, em Lisboa, situado num antigo complexo senhorial, onde a minha Mãe, por decisão própria, decidiu passar os últimos anos da sua Vida. Foi ela que deu todas as voltas necessárias para a respectiva admissão naquele local, que escolheu no início dos anos 90. As instalações, muita embora se tratasse de uma antiga residência senhorial não tinham a imponência do palacete onde fora internado o meu Pai em 1976, mas as condições, sob o aspecto humanístico: trato com os utentes, alimentação, higiene, etc., eram bastante aceitáveis. E o pessoal, de um modo geral, era carinhoso e diligente para quem estava ali à espera de alcançar a sua “etapa final”.

Já no início deste ano, foi a vez do meu único irmão, mais velho 12 anos, passar uma “temporada” de uns quatro meses num desses Lares para utentes da classe média/alta. Situado na região Oeste, este complexo moderno, de atraentes linhas arquitectónicas, foi do melhor que encontrei. Quartos individuais ou duplos, com casa de banho, limpos e arejados. Salas de convívio e de refeição bastante amplas e harmoniosas. Pessoal bastante competente e de um modo geral afável para utentes e familiares. Enfim, todo um conjunto de serviços prestados que justificarão os 1750 Euros (mil setecentos e cinquenta Euros), valor mínimo cobrado à maioria dos utentes (ou seja, aos seus familiares). Passados esses quatro meses o meu Irmão voltou para casa, mercê das consideráveis melhoras dos seus órgãos de locomoção e, da persistência psicológica e afectiva que o Irmão mais novo lhe devotou. Desculpem-me a presunção.

Mas, caros/as leitores/as, referi atrás duas das excepções encontradas no panorama que se pode constatar nos chamados Lares de acolhimento, prestadores de serviços, não só a pessoas seniores, como em alguns casos, a doentes de outras faixas etárias dependentes de terceiros.

Mas, quanto à grande maioria destas entidades prestadoras de serviços, o panorama não é dourado, nem sequer prateado. É sim um verdadeiro e escandaloso atentado à dignidade humana.

Tive oportunidade de conhecer alguns destes Lares. Alguns, como já referido, implantados em minúsculas casas de habitação sem um mínimo de condições, tanto no que respeita à acomodação dos utentes, como em salubridade e no trato com aqueles Seres dependentes de terceiros. Tive até conhecimento de alguns casos de maus-tratos físicos. As pessoas proprietárias destas casas a que chamam de Lares, são, de um modo geral, pessoas sem qualquer tipo de preparação para aquelas funções, não só do ponto de vista profissional, como humanístico. Neste tipo de “casebres” cobram, pelo menos, valores mensais superiores ao dobro do salário mínimo nacional.

Depois, vêm os outros, os da chamada camada média alta, onde a mensalidade mínima é de 1750 Euros (mil setecentos e cinquenta Euros), como também já referi atrás. Em grande parte destes, em relação aos dos “casebres” só se verificam mudanças cosméticas. Normalmente implantados em moradias de fachadas atraentes, hall, recepção e sala de visitas devidamente cuidados. Quanto aos quartos e ao que se passa no seu interior, a conversa já é outra. Os quartos poderão ter condições, mas os utentes, principalmente os acamados ou com disfunções psíquicas, são muitas vezes votados ao abandono, sendo vulgares as quedas, manterem-se vomitados, com urina ou defecação, que por vezes lhes cobre todo o corpo.

No que respeita à alimentação, grande parte destes Lares da designada classe média alta, prestam de igual modo um péssimo serviço. Não tanto pela quantidade (que muitas vezes é insuficiente), mas pela qualidade de alimentação fornecida. Um pequeno exemplo: à hora do lanche servem finíssimas fatias de pão de forma em torradas, com uma pequena camada de margarina de um dos lados – margarina sim, não manteiga.

Sabemos que estes Seres Humanos, com idade avançada ou outros dependentes mais novos, dado o não dispêndio de energias e a outros factores, não necessitam de ingerir grande quantidade de alimentos. Mas a alimentação que lhes é ministrada deve ter um mínimo de qualidade. O que, repito, não acontece em muitos destes Lares.

Não quero ser exaustivo, mas lembro-vos aquilo que escrevi no meu texto
Autópsia. Entre os muitos exemplos, falei, embora superficialmente, acerca das pessoas que falecem em Lares. Não falei de cor. Nunca extrapolo os temas de que falo e eu sei porque dei esse exemplo.

Assim como sei porque escrevi o presente texto. Como tal, sugiro a quem me está a ler, que retire as devidas ilações do seu conteúdo.

Termino com um apelo aos meus leitores. Caso tenham condições de espaço e/ou financeiras, evitem a todo o custo internar os vossos entes queridos num Lar. Por melhores condições que este tenha, não irá nunca substituir coisas tão importantes como o Afecto, o Calor Humano e o Amor.

Mas se for de todo impossível manter os vossos entes queridos convosco, pelo menos tenham em atenção aquilo que escrevi, estando permanentemente atentos a tudo o que se passa na casa de acolhimento designada por Lar. Visitem-nos com a máxima regularidade possível. Prestem-lhes atenção. Ainda que muitos destes Seres não estejam no pleno uso das suas faculdades mentais, eles sentem o Afecto, o Calor Humano e o Amor que lhes devotamos.

Só mais um exemplo para terminar: Durante o período de internamento do meu Irmão, visitava-o três vezes por semana. Aos outros dias ele tinha a visita da minha Cunhada e da minha sobrinha, sua Filha. Quando ele me via chegar, todo o seu semblante se iluminava.

Ser Fraterno e Solidário, faz-nos felizes e não custa absolutamente nada.


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terça-feira, novembro 22, 2005

Jogos de Morte


A minha prezada Amiga Carmem Vilanova publicou no passado dia 7 do corrente mês, no seu blog, um texto intitulado
Deadly Game.

Dada a sua importância, considerei que não podia limitar-me a um mero comentário, tendo-me desde logo comprometido a escrever algumas linhas sobre as problemáticas subjacentes ao seu conteúdo e a dar de igual modo a conhecer a referida crónica através do link que aqui coloquei sob o título
Deadly Game.

Como sabemos, para a formação do carácter de um indivíduo têm particular importância as componentes genéticas herdadas dos seus progenitores. As tais componentes inatas. E nelas devemos incluir, para além do código genético herdado, o desempenho do feto dentro do útero materno, para o qual podem concorrer vários factores tais como: malformações, que poderão ser provocadas por anomalias transmitidas pelos seus progenitores na fase da concepção e pelas mais diversificadas razões (doenças sexualmente transmissíveis, por exemplo); A ingestão de fármacos contra-indicados, álcool, alimentação não apropriada, etc., durante o período de gravidez; estados depressivos ou actividades stressantes, etc., etc., etc.

Mas, ainda que não se verifiquem estas anomalias ou outras, durante o período embrionário até à chegada ao mundo externo, a que designamos por nascimento, o desenvolvimento, desde o estado latente até à chamada fase da adolescência, constitui, segundo o que tenho observado ao longo destes anos, um factor decisivo para a formação do carácter individual e o seu subsequente desempenho comportamental em sociedade.

Para estas componentes concorrem diversos factores, nomeadamente e talvez em lugar cimeiro, os afectos ou desafectos, sentidos no meio envolvente em que o infanto-juvenil se encontra inserido; a receptividade ou hostilidade de que se sente alvo, no lar familiar ou na casa ou na instituição, em que se verifica o seu desenvolvimento.

Os educadores, têm o dever de proporcionar aos seus educandos, de forma responsável e não castradora, as ferramentas auxiliares para um correcto desenvolvimento cognitivo.

Se o desenvolvimento tecnológico contribui para um melhor bem-estar de uma parte dos Seres Humanos (infelizmente continuamos com milhões de excluídos), por outro lado, muitas das novas tecnologias transportam consigo conteúdos eivados de mensagens deformadoras que afectam negativa e perigosamente, o desenvolvimento comportamental dos infanto-juvenis, já para não falarmos dos adultos.

O que acabaram de ler foi a forma mais sintética possível que encontrei para explanar alguns conceitos apreendidos sobre o desenvolvimento cognitivo infanto-juvenil que deve ser encarado pelos pais, familiares, encarregados de educação, educadores, etc. de uma forma altamente responsável, caso contrario, estar-se-á a contribuir para a produção de Seres com um carácter eivado pela apreensão de conceitos deformadores da sua personalidade e consequentemente expostos a todos os riscos inerentes à sua deficiente aprendizagem.

Carmem Vilanova no seu
pedagógico texto chama-nos a atenção para alguns factores de risco a que os infanto-juvenis se encontram vulneráveis.

Dá-nos como exemplo os chamados Chocking Games que seduzem muitas crianças e adolescentes, mercê da tecnologia colocada à sua disposição, nomeadamente, através de sites na net ou nos chamados chat-rooms.

Estes jogos já conduziram à morte muitas crianças e adolescentes. Para não ser exaustivo, aconselho-os a consultarem o link da
WIKIPÉDIA que descreve o essencial deste tipo nefasto de entretenimento, bem como o link da CBS NEWS que relata o caso concreto de uma criança que se suicidou inconscientemente e o drama e o alerta lançado pela sua Mãe.

Termino esta minha contribuição com os dois parágrafos finais do citado texto da Carmem Vilanova:

“Lembremos que a maioria das vezes em que nossos filhos buscam um artifício como este "jogo", como qualquer outro igualmente perigoso, ou que buscam as drogas, estão querendo chamar nossa atenção e alertar-nos para algo que não está bem com eles, e que cabe unicamente a nós, fazê-los lembrar o quanto são amados, o quanto são importantes em nossas vidas, que sua ausência será uma ferida sempre aberta em nosso coração, que os amamos e os queremos bem...

Reflictamos sobre isso e livremos nossos filhos de situações como esta antes que seja tarde demais!!!”


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sexta-feira, novembro 18, 2005

A Percepção

1 - Introdução


De acordo com a minha maneira de ser e de estar na Vida, as coisas que me proponho fazer, terão de ter cabeça, tronco e membros, mesmo correndo o risco de enveredar por caminhos, por vezes escorregadios, na procura da Verdade possível das coisas. Pois não havendo Verdades absolutas, aquilo que aprendi e o que continuo a aprender, até que os meus desempenhos, fisiológicos e psíquicos o permitam, motivam-me para que interprete tal papel no Teatro Labiríntico da Vida.

Assim sendo, e como de costume, coloquei imediatamente a funcionar a minha máquina cognitiva e, delineei logo, o que gostaria de fazer e isso não se compadecia com o estruturar de um trabalho sintetizado, limitando-me a registar de forma resumida, conceitos escolásticos, insertos nos diversos compêndios, manuais, enciclopédias, etc., de Filosofia ou de Psicologia.

Como usual, utilizarei termos científicos, que, por circunstâncias decorrentes da minha Vida e ao grande interesse que a biologia sempre me despertou, familiarizaram-me com grande parte deles. Assim, usá-los-ei, sempre que, no decorrer deste trabalho, considere necessário faze-lo.

Espero conseguir transmitir, de uma forma minimamente correcta a tarefa que me propus realizar.



Esta é a pequena nota introdutória contida num trabalho que realizei em 2004 e que tal como outros anteriores, foi revisto e adaptado para o compartilhar convosco.

O trabalho completo encontra-se disponível em formato PDF. Quem estiver interessado em o conhecer, por favor siga a ligação abaixo:


A PERCEPÇÃO

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quarta-feira, novembro 16, 2005

Retrato do Desejado

Montagem FB


Seco, olhar indefinido, carão de mato,
Bem servido de pés e grande de altura,
Hirto de semblante, o mesmo de figura,
Nariz empinado a meio, não cordato;

Mestre do silêncio e do recato,
Atabalhoado no falar e na postura
Abandona o porão como um rato;
Quando da proa lhe pedem faladura

Devoto incensador de mil tabus
Auto-verdades balbuciadas sem alento,
Carrega para o altar a sua cruz,

Eis Aníbal, de quem se julga algum talento;
Psicótico, fantasma Desejado que reluz
Emergindo do nevoeiro contra o vento.

FB

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domingo, novembro 13, 2005

Um ano e quatro meses na Blogosfera


Mais um mês se passou. Este último foi marcado, entre outras coisas, pela realização de mais um Encontro da Irmandade Blogueira, promovido pelo Augusto do Klepsidra e por este vosso Amigo.

O que ali se passou encontra-se relatado neste blog através de três textos colocados nos passados dias 16, 18 e 21 de Outubro. Contudo, permitam-me que destaque o projecto associativo de autoria da Sandra Feliciano do Cobre & Canela, dada a sua importância, para avançarmos para uma Associação Blogueira. Assim, espero que o meritório trabalho desta nossa Amiga não tenha sido em vão.

Para além daqueles três relatos, foram colocados durante este décimo sexto mês, mais sete “posts”. Destes, gostaria de realçar o meu conto Montanha Russa, de conteúdo dramático, mas que me deu muito gozo escrever.

Como espectador atento e interveniente sempre que considero necessário, tenho observado as movimentações à volta da eleição Presidencial a realizar no próximo mês de Janeiro. A única abordagem que fiz aqui sobre este assunto foi através de um texto colocado no passado dia 28 de Setembro, intitulado Trova do Vento Que Passa. Até Janeiro do próximo ano, considerarei o que devo fazer. Ponto final.

No próximo mês, se a Natureza o permitir, aqui estarei a fazer mais um balanço. Até lá, vou tentar escrevinhar mais algumas coisitas.

Um Fraterno Abraço,

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quarta-feira, novembro 09, 2005

O Silêncio

O Silêncio é de ouro quando, ao senti-lo, não somos invadidos por um mal-estar ensurdecedor que nos corrói as entranhas.

O Silêncio é de ouro quando o desejamos e o acompanhamos com a Quinta Sinfonia ou a Cavalgada das Valquírias.

O Silêncio é de Ouro quando os nossos olhos encontram outros, com a magia das palavras mudas que nos preenchem.

O Culto do Silêncio, quando assumido por lapsos de Tempo, poderá ser profilático e ajudar-nos a reencontrar-nos.

O Culto do Silêncio, poderá servir-nos como auto-defesa mas nunca deve ser usado como arma de arremesso.

O Culto do Silêncio, quando assumido de boa Fé, não deverá ferir tímpanos alheios, nem vilipendiar as suas vísceras.

O Silêncio poderá transportar-nos
À Beira de um Penhasco ou despedaçar-nos numa qualquer Montanha Russa.

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Rapsódia Vegetariana


Estou a tentar descomprimir um pouco e a serenar os/as Amigos/as…


Cliquem aqui e divirtam-se

Grato pela vossa Solidariedade

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domingo, novembro 06, 2005

Multi-usos


Multi-usos está cansado. Não é bem um cansaço físico, mas uma daquelas sensações que lhe percorrem todos os neurónios, aquele conjunto de células e fibras nervosas que inervam as nossas vísceras abdominais e são o sustentáculo do nosso Sistema Nervoso.

Os neurónios destinados a cuidar dos órgãos sensoriais cutâneos e dos músculos esqueléticos reúnem-se na linha dorsal, entre a pele e o esqueleto, protegidos pela coluna vertebral, formando aí, um longo cordão, a medula espinal, cuja extremidade anterior se dilatou, originando o cérebro. Este e a medula espinal são denominados, em oposição ao simpático, de Sistema Nervoso Central (SNC).

O conjunto das funções do nosso organismo é controlado pelo sistema nervoso. Os órgãos de percepção (visão, audição, olfacto, etc.) permitem-nos adaptarmo-nos ao mundo exterior. O SNC situado no cérebro e na medula espinal, utiliza uma ampla rede de nervos periféricos. Os nervos sensitivos informam o SNC devido aos receptores sensoriais. Uma vez determinada a conduta a seguir, os nervos motores accionam os órgãos e os músculos. O sistema nervoso é composto pelas tais células denominadas neurónios.

Segundo a Ciência, o nosso cérebro possui cerca de 100 biliões de neurónios quando nascemos. O ser humano perde cerca de 50 000 neurónios por dia, que não são substituídos, a partir dos 20 anos de idade.

Pois é meus Amigos, se a Ciência está certa, a partir dos 20 anos de idade, iniciamos uma natural contagem decrescente que culmina com o nosso desaparecimento físico. Sobre o Espírito… bem, isso é outra conversa que nem os mais iluminados conseguiram ainda dar resposta.

Voltando ao Multi-usos: Este espécimen está no seu ponto de saturação, ainda que com muitos neurónios no seu “reservatório”. É certo que Multi-usos já teve crises similares ao longo dos anos, antes e após os seus neurónios, com a manutenção dos iniciais e o esvaziamento dos cinquenta mil diários.

Multi-usos já tinha idade para ter juízo, ou seja, de se limitar a fazer umas frequentes sessões psicanalíticas internas (leia-se com os seus neurónios) e deixar de preocupar-se com a neurologia alheia.

Mas o seu espírito de bombeiro voluntário ou de auto-didacta, psicanalista ao domicílio ou virtual, “está-lhe” na massa do sangue. Que é como quem diz, um desempenho inato bastante burilado pelo Seu adquirido.

A ele recorrem carpidores ou carpideiras com maior ou menor grau de prostração maníaco-depressiva.

Multi-usos continua colocando toda sua capacidade de bom auditor, consumindo assim extemporaneamente valores que ultrapassam os cinquenta mil diários, do Orçamento Geral Neurónico do seu Sistema Nervoso Central.

Os Pacientes exprimem a sua gratidão, tecendo-lhe loas e depois esquecem-no. Nada que ele não esperasse. Mas, com mil milhões ou um bilião de macacos, minha gente, o gajo não é de Aço e como tal, quando alguma ferrugem faz a natural intrusão entre os seus neurónios, necessitava de alguma ajuda para a remover.

Multi-usos olha em redor e para o monitor.

Nada!

Usado e descartado.


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quinta-feira, novembro 03, 2005

AUTISMO - o Inato e o Adquirido

Pela óptica da Psicologia, o Autismo é uma «Forma primitiva de pensamento em que se utiliza material subjectivo ou subjectivado, em grande parte proveniente do inconsciente. É uma das características normalmente observadas na sintomatologia esquizofrénica…»
(CABRAL & NICK, 1996/97)

Segundo a Medicina convencional, trata-se de uma «Perturbação mental muito estranha que começa na infância e que (sem tratamento) persiste na vida adulta. A criança parece isolar-se do resto do mundo. A sensibilidade é normal, mas há pouca percepção. A criança porque ouve sem prestar atenção, pode não aprender a falar; nem sequer manifestar desejo de comunicar…»
(WINGATE, 1977)

Se bem que aflorado de uma forma sintética, na minha perspectiva, ambas as concepções se complementam, não sendo minha intenção dissecar neste texto, todas as variáveis inerentes a esta disfunção patológica.

Segundo alguns autores, é essencial diferenciar Autismo, como sintoma psicótico, do Autismo Infantil, que classificam como doença específica. O Autismo sintoma diz respeito ao relacionamento entre o sujeito e a realidade, entre o paciente e as pessoas que o rodeiam ou com quem venha a privar. No autismo esta relação deforma-se de maneira caricata, auto-excluindo-se o seu portador da comunidade, que se manifesta por um afastamento do envolvimento Cultural que deveria permear a vida gregária de um determinado sistema.

O paciente autista vive a sua própria convicção doentia sem nunca se preocupar com outros pontos de vista, interesses ou juízos de valor. O paciente autista quase exclui o outro, ou quase se exclui dos outros, ele não sente necessidade de comprovar a sua convicção perante a realidade, não se preocupa em fundamentá-la nem para si, nem para os demais.

Em casos de esquizofrenia, o autismo, na sua expressão de perda do contacto vital com a realidade, serve para explicar certos tipos de estereotipias, como a catatonia, por exemplo, as alterações da linguagem oral e escrita. Nesses casos poderá suceder que os enfermos repitam, sem cessar, as palavras ou frases, em tom de voz monótono, em voz sussurrada ou aos gritos.

O autismo infantil, caracteriza-se pela presença de um desenvolvimento acentuadamente anormal ou danificado na interacção social e comunicação e um repertório marcadamente restritivo de actividades e interesses. As manifestações do transtorno variam de caso para caso, dependendo do nível de desenvolvimento e idade cronológica do indivíduo.

O Transtorno Autista é chamado, ocasionalmente, de autismo infantil precoce, autismo da infância ou autismo de Kanner. O prejuízo na interacção social recíproca é amplo e persistente. Pode haver um prejuízo marcante no uso de múltiplos comportamentos não-verbais (por ex., contacto visual directo, expressão facial, posturas e gestos corporais) que regulam a interacção social e a comunicação. Pode haver um fracasso em desenvolver relacionamentos com os seus pares que sejam apropriados ao nível de desenvolvimento, os quais, assumem diferentes formas, em diferentes idades.

Os indivíduos mais jovens podem demonstrar pouco ou nenhum interesse pelo estabelecimento de amizades; os mais velhos podem ter interesse por amizades, mas não compreendem as convenções da iteração social.

Pode ocorrer uma falta de busca espontânea pelo prazer compartilhado, interesses ou realizações com outras pessoas (por ex., não mostrar, trazer ou apontar para objectos que consideram interessantes).

Uma falta de reciprocidade social ou emocional pode estar presente (por ex., não participa activamente em jogos ou brincadeiras sociais simples, preferindo actividades solitárias, ou envolve os outros em actividades apenas como instrumentos ou auxílios "mecânicos").

Frequentemente, a consciencialização da existência dos outros pelo indivíduo encontra-se bastante prejudicada. Os indivíduos com este transtorno podem ignorar as outras crianças (incluindo os irmãos), podem não ter ideia das necessidades dos outros, ou não perceber o sofrimento de outra pessoa.

O prejuízo na comunicação também é marcante e persistente, afectando as habilidades tanto verbais quanto não-verbais. Pode haver atraso ou falta total de desenvolvimento da linguagem falada. Em indivíduos que chegam a falar, pode existir um acentuado prejuízo na capacidade de iniciar ou manter uma conversação, um uso estereotipado e repetitivo da linguagem ou uma linguagem idiossincrática. Além disso, podem estar ausentes os jogos variados e espontâneos de faz-de-conta ou de imitação social apropriados ao nível de desenvolvimento.

Quando se verifica um desenvolvimento na fala, o timbre, a entoação, a velocidade, o ritmo ou a ênfase podem ser anormais (por ex., o tom de voz pode ser monótono ou elevar-se de modo interrogativo ao final de frases afirmativas). As estruturas gramaticais são frequentemente imaturas e incluem o uso estereotipado e repetitivo da linguagem (por ex., repetição de palavras ou frases, independentemente do significado; repetição de spots publicitários) ou uma linguagem metafórica (isto é, uma linguagem que apenas pode ser entendida claramente pelas pessoas familiarizadas com o estilo de comunicação do indivíduo). Uma perturbação na compreensão da linguagem pode ser evidenciada por uma incapacidade de entender perguntas, orientações ou piadas simples.

As brincadeiras imaginativas em geral estão ausentes ou apresentam prejuízo acentuado. Esses indivíduos também tendem a não se envolver nos jogos de imitação ou rotinas simples da infância, ou fazem-no fora de contexto ou de um modo mecânico.

Chegados a este ponto, atrevo-me a concluir, que o Autismo de que tenho estado a falar e a citar, é fruto de uma disfunção genética. Assim esse desempenho foi, por factores de vária ordem, herdado dos progenitores. Logo, uma patologia inata. Uma doença do foro psíquico provocada pelo seu desempenho fisiológico.

Tenho estado a tentar, ainda que sumariamente, dar uma panorâmica do Autismo enquanto doença congénita ou, se quisermos, inata. Mas, seria do meu ponto de vista interessante as Ciências Psicológicas ou Sociológicas, debruçarem-se, direi mesmo, exaustivamente, sobre outro tipo de Autismo, o Social. E porquê?

Comecemos por fazer a nossa auto-introspecção. Como tem sido o nosso desempenho comportamental ao longo da Vida? Quantas vezes teimámos, inconsciente ou conscientemente em cometer os mesmos erros? Quantas vezes uma voz Amiga ou a nossa própria Consciência, nos disseram que estávamos a seguir o Caminho errado? E nós o que fizemos? Continuámos a manter uma atitude obstinada perante os outros e perante nós próprios, assumido assim comportamentos similares aos de um doente Autista ou Esquizofrénico.

Estamos então perante uma forma comportamental Autista adquirida, visto que até a uma determinada fase da nossa Vida, o nosso desempenho interno e externo foi considerado normal. Mas os desenvolvimentos posteriores ocorridos no meio externo, aliados à nossa incapacidade, momentânea ou não, de lhes darmos a resposta mais correcta, podem envolver-nos numa via labiríntica, na qual, poderemos permanecer mais ou menos tempo, ou até, nunca encontramos a sua saída.

Isto, quanto a mim, não é um jogo metafórico de palavras. Trata-se da constatação de uma realidade que nos envolve e que sempre envolveu os chamados Seres racionais. Mas vamos experimentar alguns exemplos.

Quando determinada pessoa é acometida por algum tipo de depressão motivada por frustrações do foro sentimental, pode assumir várias atitudes comportamentais, nomeadamente: Encerrar-se em si própria, assumindo o mutismo como forma de estar em sociedade, ignorando-a; Avocar atitudes agressivas perante os outros, maltratando-os física e/ou psicologicamente; Fazer um jogo chantagista de vitimização perante os que a rodeiam, para inspirar sentimentos de pena, comprando assim os afectos de que se sente desapossada; Embarcar em delírios aventureiros para colmatar as percas sofridas, que normalmente culminam em novas frustrações; etc., etc., etc.

Se nos debruçarmos sobre o meio político-social envolvente, constatamos de igual modo comportamentos Autistas. Desde as bases orgânicas, passando pelos quadros intermédios, até ao topo. Isto verifica-se em todos os sectores da sociedade, tais como: nas associações desportivas e culturais; nas empresas; nos partidos políticos e nos vários Órgãos de Soberania.

A maioria das pessoas assume-se como detentora da Verdade. Não são permeáveis ao aprofundamento colectivo. Só a sua Verdade prevalece, ainda que os efeitos nocivos causados pela sua postura obstinada sejam bastante visíveis e se encontrem diante de si próprias, arregimentando justificações para o injustificável. Se isto não é uma forma de Autismo adquirido, como é que o vamos classificar?

Convido-vos a compararem as manifestações comportamentais de Autismo inato, com os exemplos que eu classifico de Autismo adquirido ou Autismo Social.



Bibliografia

CABRAL, Álvaro & NICK, Eva – Dicionário Técnico de Psicologia – São Paulo: Editora Cultrix, Ed. 9-10-11-12, 1996/7

WINGATE, Peter – Dicionário de Medicina – Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1977

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quarta-feira, novembro 02, 2005

Do Alto da Minha Janela

Nota Prévia: Este texto foi escrito e publicado no Jornal Noticias da Amadora, no princípio dos anos 70. Antes da Revolução de Abril. É a segunda vez que o publico neste Blog, pois da primeira, em Agosto do passado ano, com pouco mais de um de um mês de actividade blogueira, este conto da vida real passou naturalmente despercebido.

Do Alto da Minha Janela

Hoje, como em outros dias, quando o horário profissional o permite, pela manhã, deste quarto andar, banhado pelo Tejo e pelos odores da brisa petrolífera que nos chega ali de Cabo Ruivo, inundando o interior das casas, desta cidade de ar viciado, que provoca nos seus habitantes um constante enjoo e mal-estar interior, depois de o ter recusado ao Tejo, o meu olhar deteve-se mais uma vez no portão do prédio em frente.

Lá estava ela. Dezenas e dezenas de pontas de cabelo apontadas nas mais variadas direcções. Muito, muito hirtas. Cabelo ruçado, cor mal definida (natural ou poeira acumulada?). Agora vejo-lhe o rosto. Cara quadrada, maçãs salientes, nariz grosso... não, não lhe distingo os olhos. Estatura média, pernas arqueadas e coxeia um pouco. As vestes são sempre as mesmas. Azul, negro, cinzento?. A saia vai quase ao tornozelo em pernas nuas.

Toque, que toque e os caixotes bem catados. Um já está e o segundo saco já vai a meio. Levanta, agacha e aquelas mãos vão percorrendo os detritos da urbe.

Agora chega o carro do lixo. Sem preocupações de estilo, os almeidas saltam pesadamente, deixando o cheiro pestilento (que já não os incomoda) do lixo triturado. Espalham-se pelas portas. Um destes pobres diabos, já há algum tempo que faz a corte à triste trapeira. E este burguesinho cá de cima a bisbilhotar tudo.

Têm longas conversas. O tempo não tem horas, que importa! Desajeitadamente, ele pousa as mãos calosas sobre aquela conversada de ocasião. Puxa-a para si e deposita-lhe beijos na cara. Ela nada recusa. Passa gente?. E eles que se importam?. As mãos do homenzinho descem um pouco, beliscam, entretêm-sem em rudes caricias. A reciprocidade de cheiros não os repele. Pois até isso os junta, não é verdade?. E assim passam uns bocados, suponho que agradáveis, até que o carro do lixo começa a afastar-se lentamente e eles se separam. Ele corre para o carro e ela fica, continuando a acondicionar aqueles despejos, seu ganha pão.

A porteira do prédio costuma dar-lhe um púcaro com café e um naco de pão. E com o muro servindo de mesa, a trapeira, lentamente, mastiga o pão e sorve o café.

E eu cá de cima, impassível, a assistir, do alto da minha janela. Não, não sei o que é que comecei a senti agora. Esta sensação estranha de vazio que me percorre interiormente, provoca-me um certo mal-estar que não suporto. Ah! Já sei... estou com fome.

Mudo, despeço-me da trapeira e dos seus sacos e fecho a janela. Na cozinha esperava-me o café instantâneo, o pão doce que os meus sogros me trouxeram de Coimbra e creio até, que a minha mulher ainda ontem comprou uns bolos secos. O melhor é ir verificar na boleira...

Fernando Bizarro

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