Loreena McKennitt - Dante's Prayer

quarta-feira, setembro 28, 2005

Trova do Vento que Passa

Caro Manuel Alegre,

O seu extraordinário Poema, Trova do Vento que Passa, escrito nos tempos da Resistência e que foi um dos nossos lenitivos para prosseguirmos a nossa Luta, ainda hoje se mantém actual, passadas que foram três décadas da Revolução dos nossos Sonhos, traídos com a conivência de muitos, que se aliaram ao inimigo de sempre, a pretexto da defesa de falsos valores de Liberdade.

As forças mais conservadoras, utilizando uma classificação suave, não perdoam e é no mínimo lamentável o triste espectáculo protagonizado pelas várias sensibilidades ditas de Esquerda deste País, entregando-o de “bandeja” nas mãos de opressores travestidos de democratas, com o seu exército de gigolos aduladores do Poder instituído.

Porque não é de Esquerda quem se afirma como tal, mas quem, pela sua praxis quotidiana, o demonstra ser.

É evidente que ninguém é perfeito. Mas há erros e Erros. Há aqueles que de tão graves que são, poder-nos-ão conduzir como que a um beco cuja saída não se vislumbra e quando deles tomarmos consciência, será tarde demais para os podermos sanar.

Há algumas pessoas do chamado Centro ou de Direita, pelas quais nutro algum, senão considerável respeito, dada a verticalidade com que defendem as suas crenças. Respeito-os, apesar dos valores que defendem se situarem nos antípodas das minhas convicções. Claro que me refiro a pessoas que defendem os valores em que acreditam, mas que de igual modo, respeitam e tratam cordialmente os seus adversários políticos.

Por outro lado, existem pessoas ditas de Esquerda, que, pelas piruetas exibidas perante a Sociedade, enxovalham os valores que nos animam e que essa gente diz defender, tais como os da trilogia: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Valores esses que deveriam aplicar-se a todos os nossos concidadãos que o mereçam, ao invés de serem desfrutados por um reduzido número de confrades, que do alto dos seus Templos se glorificam mutuamente mantendo a sua equidistante arrogância perante aqueles que lutam honestamente por um Futuro que vá progressivamente diluindo a desigualdade entre os homens.

A Esquerda é corporizada por pessoas e como tal, estas, deverão estar imbuídas por uma Superioridade Moral em consonância com os seus valores humanistas, muito embora divergindo e seguindo por caminhos diversos, têm a obrigação e o dever de os preservar e defender.

Qualquer cidadão consciente e atento às realidades do País em que vive, sabe que desde o 25 de Novembro de 1975, por razões que todos sabemos, o Poder tem sido exercido sempre ao Centro. Direita ou Esquerda. Mas mesmo o Centro Esquerda quando toma assento nas cadeiras do Poder, tem mais apetência por praticas direitistas, arrumando assim no limbo das prateleiras alguma réstia dos seus valores Humanistas.

O Poder, constitucionalmente, deveria na prática ser exercido pelas diversas Instituições consagradas na nossa Lei fundamental. Mas sabemos que não é exactamente assim. Várias partículas nebulosas emperram o seu exercício.

Os cidadãos conscientes andam desencantados, só divisando o tal Beco sem saída. A ampla via conducente a um Futuro condigno não se vislumbra. E é trágico que passadas mais de três décadas que sacudiram a letargia vivida pela maior parte dos nossos concidadãos, nós, os da geração de Abril, a maioria dos quais em pleno Outono da Vida, caminhando, ou alguns já situados na invernosa recta final, não tenhamos conseguido projectar perante os nossos Filhos e Netos, sem os impor, como é evidente, os valores porque nos batemos.

E é assim, que os mais novos assistem ao triste espectáculo de uma Esquerda dividida e muita dela autista, que estende a passadeira do Poder, a uma certa Direita matreira, que vai calmamente entrosando a canonização apoteótica de um obscuro Desejado.

Um antigo menos que sofrível Primeiro-Ministro, exímio na arte da pirueta politica, tornou-se um razoável Presidente da República até há uns dez anos atrás. Dizia depois retirar-se da vida pública, mas ainda voou até Bruxelas, para complementar o seu ego. De regresso fez crer aos seus compatriotas que era tempo de se afastar da cousa pública e dedicar-se à Família e à sua escrita. Eis senão quando o exuberante Patriarca, perante a dormência concertada de muitos dos seus pares, se ergue, da sua poltrona reflexiva e numa jogada de mestre se propõe travar o titubeante sexagenário direitista na caminhada para o assento cimeiro do Poder.

Vários correligionários e não só, muitos já com as indeléveis marcas artríticas, físicas e psíquicas, com que o Tempo os contemplou, aplaudiram tão patriótica decisão do honorável Patriarca.

Perante este patético cenário, dois homens situados à Esquerda do nosso espectro político, respeitáveis perante os seus parceiros ideológicos e perante muitos dos seus concidadãos, decidiram e, quanto a mim, muito bem, participar no Jogo, tomando as suas posições no relvado. Finalmente, o prezado Poeta, homem de valores humanistas, veio juntar-se àqueles dois cidadãos, concretizando assim o que já tinha proposto fazer há uns tempos atrás.

Três homens. Com uma pratica de Esquerda, embora por caminhos divergentes e um Patriarca postado no Centro do terreno aguardando pelo início do Jogo.

Entretanto, o empedernindo e titubeante Professor vai gaguejando algumas palavras desconexas para encapotar a sua entrada no relvado.

Até que ponto nós permitimos chegar a esta situação, meu caro Manuel Alegre. O velho ditado popular que diz que “depois da casa roubada trancas à porta”, certamente se aplicará à tragicomédia de que todos somos espectadores e protagonistas.

Talvez seja um bom bocado tarde de mais, mas a batalha não está perdida por antecipação. Se todos aqueles que amam a Liberdade e a defesa do seus valores se empenharem, unindo-se no essencial e colocando o acessório no seu devido lugar, certamente, juntos encontraremos a tal via conducente a um Futuro eivado pelos valores por que temos Lutado.

Tal como no final do filme do Ernesto de Sousa, D. Roberto, se ouvia uma voz off dizendo: “Mas ainda não é o fim. O fim, é deixar de Lutar”, porque “mesmo na noite mais triste, em tempo de solidão, há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não".


Comentários Alternativos - Haloscan:

|


quinta-feira, setembro 22, 2005

À Beira de um Penhasco




Naquele dia Ele decidiu ir ao seu encontro. Sabia que Ela apareceria de um modo qualquer naquele lugar.

Abandonou o seu espaço e saiu. Dirigiu-se ao automóvel, entrou no habitáculo sentando-se o mais confortavelmente possível. Accionou a ignição e a viatura começou a rodar em direcção à Auto-estrada. Ao fim de uns três quilómetros percorridos naquela via rápida, abandonou-a rumando em direcção à marginal. O odor da maresia inundou-lhe o Corpo e o Espírito. Do auto rádio vinham os acordes dos Pink Floyd, que o acompanhavam naquele serpear, umas vezes suave, outras vezes pronunciado da estrada. O calor do Verão naquele fim de tarde era atenuado por aquela refrescante ténue brisa marítima. O grande rio encontrava-se ali com o Oceano. Nas várias praias, ainda com alguma gente povoando o areal e alguns resistentes imersos na água, em que se destacavam surfistas. Mais adiante, aqui e ali, alguns pescadores amadores tentavam a sua sorte.

Chegou à cidadela e atravessou-a. Lá no cimo encontrou a via que o conduzia de novo à beira mar, onde varias moradias e alguns prédios roubaram o bucólico daquele lugar. Lá estava ele, o grande Oceano. Percorreu aquela estrada menos ondulante do que a que tinha percorrido até à cidadela, chegando ao vasto areal que forma pequenas dunas de ambos os lados, com o alcatrão salpicado do ouro que o vento depositava quando beijava a areia com mais vigor. Entrou na aprazível via, ladeada de acolhedores pinheiros bravos. Ao chegar ao entroncamento das duas estrada que conduzem à Serra, deixou para trás a que atravessa o seu interior, virou à esquerda iniciando assim a subida. O Sol ainda tinha brilho suficiente para decorar a água com tons de verde-esmeralda e argenta. Com o progressivo serpentear da subida deixou quase completamente de ver aquele Mar, onde através de perigosos barrancos, de quando em vez, aparecia, como que a convidar os caminhantes para prosseguirem em frente até o poderem desfrutar em toda a sua plenitude. Lá no alto daquele troço da Serra, alguns metros de via descendente e novo entroncamento. Virou à esquerda seguindo por aquela estreita estrada coleante que finda nas fragas altaneiras que antecedem o belo farol prestes a iniciar o seu movimento perpétuo durante a noite ou enquanto pairarem as brumas marinhas.

A loja de artesanato estava prestes a encerrar. O bar também denotava pouco ou nenhum movimento. Conduziu o carro até ao limite permitido. Estava praticamente só. Duas ou três viaturas ainda permaneciam em frente ao bar. Abriu o vidro do lado oposto. Uma fragrância forte de maresia invadiu o habitáculo. Com os braços em triângulo sobre no volante apoiou o queixo sobre as mãos entrelaçadas. Os olhos, como uma câmara fotográfica com zoom, iam vasculhando aquela imensidão oceânica até à linha do horizonte. Quase no limite desta divisavam-se os contornos do parecia ser um cargueiro. Bandos de gaivotas pairavam no ar emitindo os seus sons característicos. Acendeu um cigarro que foi consumido compassadamente sem deixar de contemplar um dos quatro (?) elementos da Natureza, ali, do alto daquele imponente e privilegiado lugar. Apagou o cigarro. Reclinou o banco, espreguiçou-se aprazivelmente, recostando-se com as pernas quase esticadas, cerrou os olhos e abandonou-se a um estado de auto-hipnose.

O Sol, com tons mesclados de ouro e carmim, estava prestes a beijar o Oceano quão próximo se prefigurava o seu ocaso. Ele caminhou compassadamente até à zona de segurança. Ultrapassou-a, até atingir umas rochas que aparentavam uma cadeira de encosto.

Éolo, na sua eterna disputa com Neptuno, desestabilizando a água dos Mares, empurrava-a vigorosamente contra as fragas. Um barulho quase ensurdecedor que abafava o tagarelar das gaivotas. Formavam-se extensos montes de espuma através das piruetas da água oceânica.

Como que indiferente àquela força da Natureza, ele recordou o primeiro dia em que os seus olhos se cruzaram. Entrou na velha sala e sentou-se. Dos participantes, pouco mais de meia dúzia, predominava o sexo feminino. Ela estava de pé fazendo a sua explanação tendo de permeio uma velha secretaria. Uma Senhora, tipo balzaquiano, de provecta idade, sentava-se do lado oposto. De vez em quando levantava-se interrompendo a oradora, enfatizando o tema. Pacientemente, Ela, esboçava um sorriso iluminado que lhe acentuava o brilho dos seus belos olhos, fitando a velha Senhora com um ar misto de ternura e complacência.

Ele nunca foi um espectador passivo. Com uma cultura geral, razoável, embora anárquica, nada do que ali se estava a falar lhe era indiferente. Logo que considerou oportuno, interveio. A velha Senhora fitava-o atentamente. Ela, prosseguiu a sua intervenção. De cabelo ligeiramente curto e cuidadosamente tratado, tez morena, impecavelmente vestida, com um conjunto clássico de cor azul escura, composto por casaco, calça e sapatos a condizer. Completavam o seu vestuário, um camiseiro, do qual avultava, gentilmente, um fino lenço de seda. Ele, um eterno apaixonado pela beleza da Vida, observava-a enquanto fazia nova intervenção. Os olhos de ambos estavam como magnetizados. Ela escutava-o, saboreando-lhe as palavras. Ele notou-lhe um leve aflorar rosáceo nas faces. Não foi Amor, mas uma empatia poderosamente cúmplice, à primeira vista.

O Compasso do Tempo prosseguia a sua rota. Ele reconhecia-lhe os passos. Postado no largo portão, costumava fazer uma pausa fumando um cigarro, antes de iniciar a descida por aquela rua íngreme.

Naquele dia, ao senti-la, foi ao seu encontro. Os seus lábios selaram-se pela primeira vez. Repetiram o gesto, três ou quatro vezes, silenciosamente.

Ele lia-lhe a sua luta interior e as feridas em chaga. Respeitava a sua fragilidade emocional. Deixava-a prosseguir o seu Caminho de veredas escarpadas pelas encruzilhadas da Vida.

Decidiu afastar-se Dela por tempo não planificado, mas nunca a esqueceu.

As imagens iam-se sucedendo, tendo como ecrã, as densas Brumas que progressivamente desciam sobre aquele Mar em ebulição.

Os acordes de Wagner ecoaram no Espaço. As Brumas sublimaram a sua união a prazo com Oceano. A Lua Cheia permitiu-lhe descortinar por entre aquele nevoeiro, um sem número de silhuetas. Estavam cada vez mais próximas. Montavam Pegasus brancos e negros. Um gigantesco tabuleiro de xadrez. Corpos desnudados, maravilhosamente esculpidos, com os seus seios erectos e longos cabelos ondulantes.

Ao chegarem próximo daquele Penhasco, as belas Valquírias começaram a executar uma envolvente dança em espiral à sua volta.

Sentiu uma fragrância familiar. Manteve-se na sua posição de espectador fisicamente estático. Só o seu Espírito fazia o seu desempenho em catadupa. Aquele odor era cada vez mais intenso. Sentiu-se envolvido por aquelas delicadas mãos que lhe acariciavam a fronte. O seu Corpo estava completamente em descompressão. Ela sentou-se no seu colo, agarrando-o e beijando-o sofregamente. Estavam prestes a consumar a Utopia do seu Amor, quando, num lapso de tempo, os seus Corpos unidos rolaram por entre as escarpas até o Mar os acolher. Os acordes de Wagner eram cada vez mais intensos. As belas Valquírias desceram até a linha de água formando um enorme círculo. Com a força das ondas os dois Corpos unidos iam-se afastando até ficarem exactamente no centro daquele círculo. Imergiram suavemente e à medida que iam descendo, afloravam à superfície, centenas ou milhares, de rosas e cravos vermelhos. O Sangue dos Amantes.

Sentiu tocarem-lhe no braço. Soergueu-se e endireitou o banco.

“O senhor sente-se bem?” “Sim, sim, obrigado, estou bem”, respondeu Ele ao agente da Policia Marítima. “Acha que está em condições de conduzir?” “Estou com certeza, grato pelo seu cuidado”.

Pôs o carro a trabalhar, ligou os faróis e começou a rolar. A viatura da Policia ainda o acompanhou até ao entroncamento de estradas. Reduziu a velocidade, colocou o braço esquerdo de fora num cumprimento de despedida. Introduziu uma cassete dos Dead Can Dance no leitor.

Acompanhado por aquela música de que tanto gostava e o embalava no caleidoscópio da Vida e da sua escrita, reiniciou o caminho de volta…

Comentários Alternativos - Haloscan:

|


terça-feira, setembro 20, 2005

VIDA!!!


Igor Santiago - 26 semanas de gestação
Igor Santiago - 26 semanas de gestação

A Hereditariedade é um acontecimento maravilhoso!

O encontro do espermatozóide mais veloz com o óvulo receptador, dá origem à formação de um zigoto e como resultado, o momento mais admirável da Natureza, o do início da gestação de um, ou mais, novos Seres.

O que acabaram de ler é uma forma bastante simplificada de descrever esta maravilha. Mas chega de divagações, filosófico-científicas, que vocês muito bem conhecem.

Hoje eu estou muito feliz. Porque a Elsa, a minha Filha Espiritual, enviou-me três imagens do Igor Santiago, seu Filho e meu novel Neto, no aconchego do seu ventre. Escolhi a imagem que estão vendo aqui em cima, captada hoje, dia 20, na Ecografia tridimensional, para a partilhar convosco.

Este é um Filho desejado, fruto do Amor dos seus Pais.

Lá para o meio ou finais de Dezembro, o Igor Santiago conhecerá o Mundo externo e o seu babado Avô aqui estará para o acolher e repartir o Amor com os seus Primos, André Alexandre e Daniel Alexandre.

Vamos todos torcer pela Elsa e pelo Carlos, os felizes e expectantes Papás.


Comentários Alternativos - Haloscan:

|


sexta-feira, setembro 16, 2005

O Homem Descartável

Era uma vez… Um Homem nascido na Primavera.

As flores de Maio impregnaram o seu inato e nunca murcharam ao longo do seu aprendizado adquirido.

Era uma vez um Sonhador, que fantasiava endireitar o Mundo.

Foi Poeta e Prosador, de rimas de Luta e gestos de Amor.

O Homem da Primavera, foi amado, odiado, suportado e aclamado.

Ofertaram-lhe verbos e prosas laudatórias.

Deu tudo de Si, recebendo quase nada.

Às pessoas. A instituições compostas por gente, a gente que corporizava instituições.

Mas um dia, no Outono, O Homem da Primavera, descobriu que era um Homem Descartável.

Contudo, o Homem Descartável não desarmou.

Ele continuou o seu Caminho. Amado, odiado, suportado e aclamado.

Acompanhado pelos cânticos das Sereias e o choro armadilhado das Hienas.

O Homem da Primavera, agora Descartável, não se rendeu.


Comentários Alternativos - Haloscan:

|


quinta-feira, setembro 15, 2005

A Mãe de Carlos – IV (final)


Apanhava o carro eléctrico de regresso um pouco depois da meia-noite. Cerca de dez ou quinze minutos, descia na paragem da Rua do Terreiro de Trigo. Subia compassadamente aquelas escadinhas estreitas com o mesmo nome onde os prédios quase se tocavam desembocando no Largo de S. Rafael. Mais umas passadas e chegava à Rua da Adiça, em pleno coração do bairro de Alfama.

Naquele tempo era usual ouvir-se no silêncio da noite o som de palmas. “Já vai!”, gritava o Senhor Manuel, guarda-nocturno. Um sexagenário bem adiantado, simpático, baixote, bem nutrido, com a espada que na época usavam estes vigilantes da noite, quase a roçar o chão. Lembram-se do boneco sempre-em-pé? Pois era essa a impressão que causava aquele “boneco animado”. Andando pachorrentamente com os pés para o lado, com um grosso molho de chaves na mão. “Boa noite menino Fernando”. “Boa noite senhor Manuel. Muito obrigado”. Abria a porta da rua e com a lanterna apontada a iluminar o primeiro lanço da escada, esperava que eu dobrasse o seguinte que me conduziam ao segundo andar.

A casa dos meus Pais era pequena, dois quartos e uma sala de jantar. A cozinha muito estreita, onde inicialmente, ao lado da chaminé, havia uma pia de despejos sem qualquer resguardo, a não ser uma tábua de madeira para nos preservar do frio incomodo da pedra quando lá nos sentávamos. Ao lado, estava colocado um tanque de cimento com aquelas estrias para lavar a roupa. Ainda na minha meninice, os meus Pais, fizeram obras naquela pequena cozinha e entre a chaminé e o local onde estava o tanque, mandaram erguer uma minúscula casa de banho, substituindo a pia de pedra por uma sanita. Um pequeno lavatório e um esquentador redondo, completavam aquele espaço exíguo. O chão em mosaico tinha um ralo para escoamento da água dos banhos. Umas finas paredes forradas a azulejo branco e uma estreita porta ofereciam-nos a privacidade.

Aquela casa era (e é, porque ainda existe) muito peculiar, pois tinha três portas exteriores de acesso através do patamar. A primeira para a cozinha, a segunda para a sala de jantar e a terceira para um dos quartos, o meu. O Tó, meu único irmão mais velho, já tinha casado.

O meu quarto era “polivalente”. Servia também de escritório para o meu Pai e para mim. Duas secretarias. Numa delas uma barulhenta máquina de escrever Royal, que anos mais tarde foi substituída por uma eléctrica. Na outra secretaria montes de papelada. Completava o mobiliário daquele quarto/escritório, um móvel/cama, rectangular. Na parte superior, longitudinalmente, tinha uma concavidade onde guardava os meus tesouros: Os meus livros.

Quando regressava de casa do Carlos, abria a porta que dava acesso directo ao meu quarto, entrava de mansinho, dirigia-me ao referido móvel e abria-o com cuidado. Lá estava ela, a minha cama, o berço dos meus Sonhos. Despia a roupa e vestia o pijama. Tinha acesso à cozinha através de um minúsculo e estreitíssimo corredor, onde passava quase de lado. Fazia este percurso silenciosamente. Depois deitava-me, ligando um pequeno candeeiro para ler até que o sono me vencesse.

Amiúde, pousava o livro ou o jornal e pensava nela. Adormecia embalado pelos meus Sonhos. Na manhã seguinte acordava para o mundo real, mas continuava a Sonhar acordado.

Os anos rolaram, dois ou três. Com dezoito anos conheci a minha Companheira de sempre. Os delírios de adolescente foram-se esbatendo, restando deles uma doce lembrança.

Em Abril de 1963, duas semanas antes de completar os vinte anos de idade, fui cumprir mais uma missão, com um outro Companheiro, que entretanto me tinha sido apresentado e de quem só conhecia o pseudónimo. Foi curta a nossa tarefa. Entrámos num beco, o dos Remédios, na freguesia de S. Vicente de Fora. No número 3, entretidos a colocar a papelada clandestina nas caixas de correio, não nos apercebemos de nada. De repente, duas mãos possantes agarraram-nos. “Estão presos! Já para a Esquadra”.

Petrificados, não reagimos. Deixámo-nos conduzir pelo chefe Cristóvão até à Esquadra dos Caminhos-de-Ferro. Descemos aquela serpenteante escadaria que termina na Rua do Museu de Artilharia. A esquadra ainda hoje se situa próximo da porta principal do Museu. Teria sido fácil dar-lhe um encontrão e desatarmos a fugir. Mas não o fizemos.

Na esquadra, alguns agentes, ainda nos disseram em voz baixa e com ar triste, porque é que nos tínhamos metido “naquilo”. Ainda aguardámos umas duas ou três horas. Um carro da Pide veio buscar-nos para a Rua António Maria Cardoso, sede da sinistra policia politica. Aí separam-nos.

Fizeram-me subir uma escada em caracol que parecia não ter fim acompanhado por um esquálido pide de feições impenetráveis, tipo cara de inquisidor, como se vê nalgumas telas a óleo ou em filmes, que, silenciosamente, com um gesto de mão, me mandava continuar a subir. Por fim parámos e penetrei num andar com varias salas. Fui conduzido para uma delas. Lá dentro um homem alto, bem vestido, tipo germânico. Era o inspector Passo. Meia dúzia de palavras secas brotaram daquela boca, com os olhos a fitarem-me intensamente, sem qualquer contracção histriónica.

Depois fizeram-me descer. Tinha começado o meu percurso iniciático de preso político. Mandaram-me para a Cadeia do Aljube. Chorei convulsivamente o resto da noite. Os meus Sonhos tinham sido abruptamente interrompidos.

Alguns pormenores da minha vivência prisional já tiveram a oportunidade de ser relatados através do meu texto:
Memórias de prisão e a ignomínia da traição publicado neste blog em 22 de Junho passado.

Só voltei a ver o meu Amigo e Camarada Carlos, onze anos depois ou seja após o 25 de Abril de 1974. O Carlos descobriu-me nas instalações locais da CDE (ainda se designava assim), na Rua do Paraíso, Freguesia de S. Vicente de Fora, em Lisboa.

Abraçamo-nos efusivamente. Após a minha detenção e a do outro companheiro, o meu Amigo e Camarada Carlos, conseguiu dar o “salto” para França, onde viveu muitas emoções, entre as quais, o célebre Maio de 68.

O Carlos sabia, seguramente, que eu não o tinha traído e mostrou-me o seu reconhecimento. Quanto ao outro companheiro, talvez não tivesse aguentado a pressão dos interrogatórios. Mas, enfim, cada um é como cada qual e fico-me por aqui…

Perguntei-lhe pela Mãe. Felizmente encontrava-se bem. O Carlos ainda compareceu a algumas reuniões nossas e acções de dinamização. Seguiram-se, como os leitores sabem, momentos conturbados que culminaram com o 25 de Novembro. Os Sonhos de quem acreditou na pureza dos seus Ideais tinham sido traídos. Mas também me fico por aqui…

Entretanto o Carlos voltou a, ou para França e eu em 1977 (curiosamente em Abril) vim residir para aqui, Carnaxide, nos arredores da capital. Nunca mais nos reencontrámos. Gostava imenso de o voltar a ver, se a Natureza não lhe pregou nenhuma partida. Mas tenho esperança que ele se encontra entre nós.

Quanto àquela Mãe Coragem que me embalava os puros Sonhos de adolescente, sendo mais nova que a minha Mãe, é possível que ainda se encontre por “cá”. E se assim for, vislumbro uma doce e bela velhinha emanando um suave perfume através da beleza dos seus olhos.

Carlos, onde quer que estejas recebe o meu Fraterno abraço. Para a tua Mãe, onde quer que se encontre, a minha vénia e um puro beijo na sua fronte.



Episódios anteriores:

A Mãe de Carlos – I
A Mãe de Carlos – II
A Mãe de Carlos – III

Nota: O 1º episódio desta história foi publicado em 17 de Junho passado e o 3º em 27 do mesmo mês. Circunstâncias várias determinaram que eu só concluísse esta história quase 3 meses depois.

Comentários Alternativos - Haloscan:

|


terça-feira, setembro 13, 2005

Um ano e dois meses na Blogosfera


Mais um mês. O decimo quarto de palavras com endereço. Nestes últimos trinta dias, como usual através dos primórdios do Tempo, muita gente conheceu o mundo exterior e muitos outros o abandonaram fisicamente. Uns, não deixaram boas recordações nos que ficaram, outros, permanecerão para sempre na nossa memória, mesmo aqueles com quem não privámos fisicamente como foi o caso do nosso Amigo virtual Pantanero a quem este vosso escriba dedicou um modesto texto.

Mas a Vida tem de continuar e a melhor homenagem que poderemos prestar àqueles que nos deixaram gratas recordações é continuarmos a lutar por uma sociedade mais justa e mais fraterna.

Após o texto comemorativo de há um mês atrás, meti-me na aventura de escrever um pequeno conto. Baseado em factos reais, dei largas à minha fantasia e construí Os Esquilos de Yardley. E já que falo nisso, quero publicamente, através deste Blog, agradecer a grande gentileza da nossa querida Amiga Carmem Lúcia Villanova pelo seu precioso trabalho na tradução para a língua inglesa do citado conto. Bem Hajas querida Amiga! Outra nossa Amiga, a Elvira, está a fazer a tradução para a língua de Molière. Para ti também querida Elvira o meu Bem Hajas.

Foram oito textos e um poema durante este último mês. Uma média de dois “posts” semanais. A propósito, admiro a capacidade das Amigas e dos Amigos que conseguem “postar” diariamente. Não é que me falte tempo, mas estabeleci que deveria colocar somente dois, o máximo três, “posts” (embirro com este termo…) semanais.

Permitam-me, para finalizar, algumas palavras sobre o texto Autópsia colocado na passada semana e que fez parte da minha colaboração quinzenal para o Jornal Voz das Beiras.

Alguns Amigos e Amigas ficaram chocados com a frontalidade com que eu tratei um tema tão delicado. Já tive a oportunidade de dizer a dois ou três, que eu não elaborei aquele texto de ânimo leve. Sei perfeitamente do que falo. É a realidade nua e crua. Devo ressalvar que a maioria dos/as Amigos/as, compreendeu perfeitamente a mensagem que eu pretendi transmitir. Acrescentarei até que poderia ter ido mais longe. Mas creio que para bom entendedor…

Espero que a Natureza me permita estar aqui no próximo mês, em 13 de Outubro. E caso não tenham notado, este vosso Amigo e o Augusto, têm preparado um Jantar/Encontro da “Irmandade” Blogueira, o célebre Blognócio do Outono, para dois dias depois, 15 de Outubro, um sábado. A todos/as que queiram participar, garanto-vos não se arrependerão.

Um Fraterno Abraço,

Comentários Alternativos - Haloscan:

|


domingo, setembro 11, 2005

O POVO UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO!


Não estava com disposição de escrever coisa alguma até à próxima terça-feira, mas o meu e também de muitos de vós, prezado e estimado Amigo José Gomes do Chuviscos e do Movimentum, com o seu post de hoje abanou a minha letargia.

O José Gomes diz no
Chuviscos o essencial, sobre o sombrio dia 11 de Setembro, no Chile, onde a barbárie, devidamente orientada e dirigida, por altas instituições do país das “amplas liberdades” de que muita lusitana gente, antigos revolucionários de pacotilha, exalta as suas virtudes tecendo-lhe loas quase diariamente nos seus escritos, onde a senilidade, enterrada no conforto da sua Vida dourada os situou, vomitando na mordomia das suas mansões todo o seu fel, talvez para tentarem apagar da sua própria memória o tempo em que berravam incendiárias palavras de ordem contra o seu actual amigo americano, ou seja, o sistema que eles agora adulam.

O sanguinário Pinochet e os seus sequazes, ficaram e decerto continuarão impunes até à sua morte. A Humanidade, continua fértil em Pinochets e aspirantes aos ditos. Mas de igual modo alberga um punhado de homens e mulheres, que nunca se renderam, vergaram ou venderam e que continuarão a lutar até ao seu desaparecimento físico contra os seus carrascos. Os bacocos, produtores de fel prosseguirão a sua caminhada, mas nós cá estaremos para os desmascarar e dar-lhes a merecida resposta remetendo-os para a lixeira da História.

E ainda que tão vil gente continue a exprimir o seu sarcástico ódio contra aqueles que nunca se vergaram nem traíram, nós aqui estaremos para gritar bem alto aquela celebre frase dos Sonhos traídos do Povo Chileno adoptada posteriormente por nós em Abril de 1974:

O POVO UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO!



Nota: Sugiro uma visita ao Chuviscos de onde o fundo musical que estão ouvindo foi retirado.


Comentários Alternativos - Haloscan:

|


quarta-feira, setembro 07, 2005

Autópsia


Quando falece um familiar próximo, a maioria das pessoas tem como preocupação primaria livrar-se da incomodidade do cadáver.

Será compreensível esta atitude, não só em termos afectação psicológica, como também por uma questão de salubridade pública. Mas de igual modo estão inerentes a estes factos questões de natureza ética.

Quando alguém exala o último suspiro num Hospital e se o quadro clínico do falecido apresentar duvidas quanto à causa de morte, de um modo geral, o responsável da equipa médica determina o envio do cadáver para os serviços de Medicina Legal onde uma equipa de médicos legistas irá determinar, mais ou menos com precisão, as causas da morte de um determinado individuo.

Ora, se nos Hospitais, que em principio deveriam estar devidamente apetrechados com toda a maquinaria inerente ao seu desempenho, tais com: Aparelhos de Raios X, de Ecografias, de Tomografias Axiais Computorizadas (TAC), de Laboratórios de Patologia, etc., etc., sendo assim possível essas unidades hospitalares terem o máximo de informação clínica sobre cada um dos seus doentes e mesmo assim os responsáveis de determinada Equipa, consideram, face à morte de um seu doente, que deverá ser efectuada uma autopsia para determinar as verdadeiras causas do óbito, isto revela, um alto grau de profissionalismo e consciência responsável por parte daqueles que prestaram o seu juramento Hipocrático.

Acontece que na maioria dos casos, os familiares da pessoa falecida, ficam como que apavorados, pela dissecação ou talvez profanação no conceito de alguns, do ente desaparecido. Apressam-se a revolver “o céu e a terra” para evitarem tal acto, a maior parte das vezes com o “empurrão” dos agentes funerários que pululam nos Hospitais, sendo muitas das vezes eles, que se antecipam aos serviços hospitalares comunicando o óbito aos familiares e oferecendo de imediato os seus préstimos.

Quanto a mim, penso que seria de todo o interesse não só dos familiares próximos, como também e principalmente da Ciência, determinar-se com o maior grau de exactidão possível a causa da morte de determinada pessoa sobre a qual pairassem algumas dúvidas. Para os familiares teria uma função pedagógica, alertando-os para cuidados futuros a terem consigo próprios, de forma a evitar ou a minorar o surgimento ou desenvolvimento de determinadas patologias indesejadas. Para a Ciência, seria uma forma de aquisição de novos Conhecimentos que evitassem ou minorassem a propagação de determinadas doenças e por fim possibilitasse o seu despiste e respectiva cura.

Mas existem outras situações que considero muito mais graves. É o caso das pessoas que falecem na via pública, nas suas residências ou em lares. Nestes casos sou de opinião que o envio do corpo para os serviços de Medicina Legal devia ser obrigatório, ainda que os seus familiares próximos não estivessem de acordo.

Cada vez mais pessoas manifestam em Vida o desejo de que o seu Corpo seja cremado ao invés de ser enterrado ou colocado num jazigo. Eu também sou daqueles que tenho esse desejo.

Mas pensem nisto: Determinada pessoa vai a andar normalmente na rua e cai de repente e quando alguém responsável lhe faz um exame primário constata que morreu. Causas da morte? Normalmente determinam um ataque cardíaco fulminante. A maior parte dos casos assim será, mas, se não for?

Nas residências e nos lares, mantêm-se as mesmas dúvidas. Toda a gente morre porque o coração deixa de funcionar, não irrigando o cérebro e este, ao fim de três minutos ou pouco mais, face à ausência de oxigenação é afectado por lesões irreversíveis que na maioria dos casos culminam com a morte cerebral e assim a pessoa é declarada clinicamente morta.

Como sabem, há muita gente que não tem médicos privados e os que os têm, os seus familiares contactam o médico comunicando a morte do familiar embora a maior parte das vezes estes clínicos não se desloquem às residências ou aos lares onde viviam os seus pacientes para atestarem o óbito, fazendo com que a família tenha que ir busca-lo de outra maneira. Quanto aos que não tem o seu próprio médico, os familiares recorrem a médicos conhecidos ou, na maioria dos casos, pelo que tenho sabido, são os próprios agentes funerários que oferecem os serviços de um médico das suas relações. O que é que pensam disto?

Suponham que uma determinada pessoa, doente do foro cardio vascular, devidamente medicada, mas por causa do seu desempenho intelectual, não consegue por si só realizar as tomas dos medicamentos prescritos e como tal está dependente dos cuidados do cônjuge para a realização de tais actos. Considerem também, que a sua parceira ou parceiro, que tem outro tipo de disfunção mental, como por exemplo, fazer uso abusivo das chamadas mezinhas caseiras normalmente vendidas e recomendadas por uma certa gente disseminada por aí em "consultórios".

Seguindo o curso a este tipo de suposições, imaginemos que a segunda pessoa referida, face à caracterização acima descrita, saturada do companheiro ou da companheira, traça um plano meticulosamente elaborado para acelerar a sua morte.

Como a maioria de vocês sabem, um dos procedimentos de prevenção ou para o tratamento de Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) é a toma diária de um antipirético, normalmente entre 125 ou 150 miligramas. Estes fármacos vão provocar uma maior fluidez do sangue, prevenindo assim uma obstrução das artérias e consequentemente o risco de formação de trombos quando as tomas são efectuadas de acordo com a prescrição do clínico. No caso de, por exemplo, se duplicar a dose prescrita, este procedimento poderá provocar efeitos contrários.

Imaginemos então que uma pessoa com distúrbios mentais administre gradualmente ao seu cônjuge doses elevadas e que proceda exactamente ao contrário em relação à alimentação, confeccionando alimentos ricos em colesterol. Sabem qual será o desfecho, não é verdade? O paciente começa a sentir dificuldades respiratórias que se vão agravando até que ocorra o tal ataque fatal. Telefona para um médico conhecido solicitando-lhe a emissão de uma certidão de óbito. Em seguida, contacta uma agência funerária dando indicações expressas para a cremação do corpo, sem que tenha havido qualquer manifestação da pessoa em vida nesse sentido.(*)

A ocultação perfeita de um crime. Que eu saiba a Medicina Legal, até hoje, não conseguiu chegar a quaisquer conclusões, se é que alguma vez o tentaram fazer, tendo por elementos as cinzas de um indivíduo.

Quero deixar aqui expresso que tenho um grande respeito pelos profissionais de Medicina nas suas várias especialidades. Não tenho médico particular. Desde 1995, nas quatro vezes que me conduziram ao Hospital de S. Francisco Xavier, em Lisboa, fui exemplarmente assistido. A eles devo o facto de estar hoje aqui a escrever para vocês. Para eles a minha eterna gratidão e o meu Bem Hajam.

Dos profissionais que referi negativamente, estou certo que a maioria deles procedeu de boa fé ao emitirem as certidões de óbito. Mas faço daqui um apelo a esses profissionais, para que se detenham nas dúvidas aqui expressas.

Não pretendo acusar ninguém mas, as décadas já vividas, não como mero passante, mas como espectador e interveniente na Vida, obrigam-me a consciência a tornar público as minhas dúvidas, tentando assim, contribuir para um transparente funcionamento de todos os sectores da sociedade em que nos encontramos inseridos.

Imaginação fértil? Olhem que não…

In
Voz das Beiras.



(*) Esclarecimento: O texto que acabaram de ler é o correcto. Na semana anterior a esta, foi enviado para o Voz das Beiras um primeiro original, que, vim a verificar, em menos de 24 horas depois, que continha várias incorrecções, sendo a mais grave a do parágrafo evidenciado a azul. Imediatamente fiz a correcção de todo o texto e enviei-o, como normalmente, via e-mail para o director do Jornal com a indicação de urgente. Infelizmente, o Jornal na sua versão on-line e creio que também na impressa, publicou o texto errado, o que, principalmente no paragrafo evidenciado a azul, pode desvirtuar o sentido que eu lhe quis dar.

Por esta lamentável ocorrência apresento aqui as minhas públicas desculpas aos leitores do Voz das Beiras. Quanto a questões de pormenor, nomeadamente o esclarecimento deste caso na próxima edição do Jornal, espero, em breve, conseguir contactar o seu Director e meu prezado amigo Pinto Correia.


Esclarecimento - 2: Hoje, quinta-feira dia 8, cerca das 13 horas, entrei em contacto com uma colaboradora da Dom Digital, empresa de informática que faz a manutenção e colocação da edição on-line do Voz das Beiras, que prontamente fez a alteração ao citado paragrafo. A essa Senhora expresso aqui os meus reconhecidos agradecimentos pela forma pronta e eficaz como tratou o assunto. Quanto à edição impressa do Jornal, que ainda não recebi, presumo que terá sido editada com o texto errado. E se assim tiver acontecido, solicitarei à Direcção do Voz das Beiras uma explicação clara aos seus leitores sobre este lapso.


Comentários Alternativos - Haloscan:

|


segunda-feira, setembro 05, 2005

Blognócio do Outono

Aqui há umas duas ou três semanas atrás, o Augusto do Klepsidra veio ter comigo, aqui, em Carnaxide e à mesa da esplanada do Via Roma, que alguns de vocês já conhecem, combinámos mais uma confraternização da “Irmandade” Blogueira.

A data que se nos afigurou melhor foi a de 15 de Outubro, um sábado, pois como todos sabem aproximam-se os dias de agitação politica por causa das Eleições Autárquicas. Assim resolvemos organizar o jantar para o sábado seguinte ao dia das eleições.

Esperamos uma grande adesão a esta nossa iniciativa. Para inscrição e detalhes acerca deste evento, por favor cliquem na imagem ao cimo deste Blog.

Um Abraço para vocês.

Comentários Alternativos - Haloscan:

|


quinta-feira, setembro 01, 2005

Cravo meu gentil, que te partiste



Cravo meu gentil, que te partiste
Tão cedo desta Lusitânia, descontente.
Repousa lá no Éter eternamente
E viva eu cá no burgo como um triste

Se lá pelas alturas, onde subiste
Memória desta Pátria te consente
Não esqueças nunca aquele fogo ardente
Que sempre nos meus olhos tão puro viste

E se vires que se sou merecedor
Da fragrância vermelha que me ficou
Da raiva e desencanto desta dor

Roga à Natureza, que a tua Vida encurtou
Que tão cedo me permita o teu odor
Quão cedo dos meus Sonhos te levou

Comentários Alternativos - Haloscan:

|


This page is powered by Blogger. Isn't yours?

* Apelo para a Humanidade *

* Lista de Subscritores *



Contacta-me:
contacta-me
Fala comigo:
hotmail

Visitantes desde
13/07/2004:

web stats
Blogarama - The Blog Directory

Arquivos
  • Julho 2004
  • Agosto 2004
  • Setembro 2004
  • Outubro 2004
  • Novembro 2004
  • Dezembro 2004
  • Janeiro 2005
  • Fevereiro 2005
  • Março 2005
  • Abril 2005
  • Maio 2005
  • Junho 2005
  • Julho 2005
  • Agosto 2005
  • Setembro 2005
  • Outubro 2005
  • Novembro 2005
  • Dezembro 2005
  • Janeiro 2006
  • Fevereiro 2006
  • Março 2006
  • Abril 2006
  • Maio 2006
  • Junho 2006

  • Entradas Recentes
  • FERNANDO ...Uma homenagem No dia 24 de Junho, um ...
  • ... (continua) Colocado por Fernando B. 21.05.200...
  • Os três Pastorinhos (II)
  • Os três Pastorinhos (I)
  • Um ano e dez meses na Blogosfera
  • Eles lá sabem porquê…
  • Até sempre, Companheiro Vasco
  • VIVA O PRIMEIRO DE MAIO!
  • Olhar da Imprensa - 25 de Abril de 1974
  • E Depois do Adeus
  • Sugestão de Visitas

  • Notícias da Amadora
  • Voz das Beiras
  • Voz das Beiras - Blogs
  • Este Blog apoia esta campanha
  • Associação Animal
  • INTERVALO - GRUPO DE TEATRO
  • Os Sítios do Arco-da-Velha
  • PobrezaZero
  • Associação Gaita de Foles
  • Registe o seu e-mail para ser avisado
    dos mais recentes textos deste Blog



    powered by Bloglet


    Linkar este Blog?
    Fraternidade

    Se deseja linkar este blog com esta imagem por favor copie este código




    O meu Amigo muito especial


    Image hosted by Photobucket.com

    Também escrevo aqui:


    Redescobrir
    Joy Division

    15,00 Euros
    Para encomendar clica na imagem

  • Mundo Bizarro

  • Estúdio de Dança

  • Castelo de Thor
  • O Portal da História
  • Round Table
  • Cancro da Mama


  • Free Photo Albums from Bravenet.com
    Free Photo Albums from Bravenet.com

    Estou no Blog.com.pt

    Fases da Lua
     

    velocimetro


    More blogs about lusomerlin.blogspot.com

    eXTReMe Tracker

    Are you talkin' to me?

    BlogRating