Loreena McKennitt - Dante's Prayer

quinta-feira, março 31, 2005

Liberdade ???

O psiquiatra Paulo Rebelato, em entrevista para a revista gaúcha Red 32, disse que o máximo de liberdade que o ser humano pode aspirar é escolher a prisão na qual quer viver. Pode-se aceitar esta verdade com pessimismo ou optimismo, mas é impossível refutá-la. A liberdade é uma abstracção.

Liberdade não é uma calça velha, azul e desbotada, e sim, nudez total, nenhum comportamento para vestir.

No entanto, a sociedade não nos deixa sair à rua sem um crachá de identificação pendurado no pescoço. Diga-me qual é a sua tribo e eu lhe direi qual é a sua clausura. São cativeiros bem mais agradáveis do que o Carandiru: podemos pegar sol, ler livros, receber amigos, comer bons pratos, ouvir música, ou seja, uma cadeia à moda Luis Estevão, só que temos que advogar em causa própria e hábeas corpus, nem pensar.

O casamento pode ser uma prisão. E a maternidade, a pena máxima. Um emprego que rende um gordo salário trancafia você, o impede de chutar o balde e arriscar novos voos. O mesmo se pode dizer de um cargo de chefia. Tudo que lhe dá segurança ao mesmo tempo o escraviza.

Viver sem laços igualmente pode nos reter. Uma vida mundana, sem dependentes para sustentar, o céu como limite: prisão também. Você se condena a passar o resto da vida sem experimentar a delícia de uma vida amorosa estável, o conforto de um endereço certo e a imortalidade alcançada através de um filho.

Se nem a estabilidade e a instabilidade nos tornam livres, aceitemos que poder escolher a própria prisão já é, em si, uma vitória. Nós é que decidimos quando seremos capturados e para onde seremos levados. É uma opção consciente. Não nos obrigaram a nada, não nos trancafiaram num sanatório ou num presídio real, entre quatro paredes. Nosso crime é estar vivo e nossa sentença é branda, visto que outros, ao cometerem o mesmo crime que nós - nascer - foram trancafiados em lugares chamados analfabetismo, miséria e exclusão.

Brindemos: temos todos cela especial.


Este texto Foi-me enviado por uma grande Amiga, Guida C.

O meu reconhecimento e agradecimento pelo seu gesto.

Num momento em que não estava com disposição de escrever nada, este texto foi muito oportuno.


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segunda-feira, março 28, 2005

Amêndoas Amargas


Nestes dias que passaram, designados pela Igreja Católica Apostólica Romana, como Quaresma, recebi, tal como vocês, simpáticos votos de Páscoa Feliz.

De um modo geral, o meu silêncio, foi a melhor resposta que encontrei para tão gentis gestos.

Embora compreenda perfeitamente as intenções sinceras dos meus Amigos, agradeço-as, retribuindo-lhes com os desejos de que arranjem força suficiente para enfrentarem os mais variados escolhos da Vida que se lhes deparam e que nunca cruzem os braços perante quaisquer adversidades.

As amêndoas deglutidas por muitos trabalhadores portugueses foram aquelas que lhes ofereceram os donos ou gestores das empresas onde trabalham ou trabalhavam, embaladas pela hipocrisia criminosa de quem não tem problema algum de lançar milhares e milhares de pessoas na vala comum do desemprego, à custa do encerramento fraudulento dessas empresas, descapitalizando-as, transferindo o capital para as suas luxuosas mansões e bens moveis de alta gama, ou pura e simplesmente, pela calada da noite, como bandidos de alto coturno, desmontarem máquinas e demais equipamentos para os exportarem para países onde obterão mais valias graças à exploração dos respectivos trabalhadores nativos e os nossos governantes, azuis, laranjas ou rosas, usando todos eles, o mesmo discurso circunstancial, “vão lavando as mãos, como o Pilatos bíblico”, compactuando por mérito próprio ou por defeito, com os abutres sem escrúpulos, gestores ou detentores do Capital.

Isto só tem um nome: ROUBO. E que eu saiba, qualquer tipo de roubo, seja ele por esticão, arrombamento, etc. é crime. Se, pela calada da noite se retiram máquinas, se durante o dia se fazem transferências das contas das empresas para contas pessoais, se os capitais das empresas vão parar a paraísos fiscais, etc., etc., etc., então estamos perante um ROUBO colectivo que afecta milhares de pessoas singulares e uma entidade, que se designa por ESTADO.

Houve-se muito falar de Associações Criminosas. Parece que está chegado o momento das pessoas de bem exigirem dos seus representantes que elegeram, uma profunda revisão do Código Penal.

As amêndoas podem ter sido e continuam a ser, muito doces para alguns. Mas para milhares e milhares de trabalhadores, cujo único crime que cometeram foi o de trabalhar, têm o sabor do fel vertido por criminosos sem escrúpulos.

Para bom entendedor…

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sexta-feira, março 25, 2005

Jantar de Aniversário do Pandora's Box


gar940-2.gif Ora aqui ficam as notícias fesquinhas sobre o jantar... aliás, e acho que bem posso dizer isto, do "grande jantar de aniversário do pandora's box":

Afinal o restaurante Safari, foi substituído pelo RESTAURANTE FLORESTA de Moscavide. A bem dizer vamos fazer um grande safari na floresta... hehehee.

Da ementa constam:garcook.gif

Entradas
salgadinhos, queijo, chouriço à minhota...
Sopa
Creme de legumes
Prato Principal
Grelhada Mista de Carnes
com Arroz de Feijão, Batata Frita e Esparregado
Sobremesas
Salada de Frutas, Mousse de Chocolate, Leite Creme, Semi-Frios
(à escolha)

Sangria Branca, Vinhos Branco e Tinto, Águas, Sumos
Café e Digestivo


Lá vamos trabalhar para o pneuzito...
A sala é só para nós e há pelo menos (e se tudo correr bem!) uma surpresa para ajudar a fazer a digestão... e não, não é a conta ;)... essa será 17 euros por pessoa. E não meninas, tb não convidei o Brad Pitt... já tinha um compromisso, o infeliz!

Estejam atentos à vossa caixa de correio porque vos vou enviar um e-mail com um pedido de confirmação da inscrição e com todas as indicações para chegarem sãos e salvos ao ponto de encontro que será às 19 horas no Parque das Nações, ou ao restaurante Floresta, na rua Almirante Gago Coutinho, 12, frente ao jardim em Moscavide. Muito perto do Parque das Nações, portanto.

Quem não deixou indicação de e-mail, será contactado no respectivo blog. Agradeço que confirmem para que não surjam problemas e todos possam receber o trajecto e o telefone de contacto caso alguém vá parar a Alcochete outra vez, hehehee!

PS: Hum, ainda não te inscreveste? E estás à espera de quê? Ainda podes fazê-lo clicando ali no talher ao lado e preenchendo o formulário disponível para o efeito.

Pandora

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domingo, março 20, 2005

Pai


Raros são os dias em que não converso, na dinâmica do silêncio, contigo, meu querido Pai.

Muitas são as vezes em que as prosas, os poemas, que leio e oiço, fazem brotar lágrimas que vão rolando pela face detendo-se na minha barba salpicada de argenta e em que ainda sobressaem uns resquícios do negro que elegi como a minha cor preferida.

Eu ainda aqui estou, procurando sobreviver, lutando sempre, vivendo a Vida que nunca tiveste a ousadia de Viver. O teu Filho mais novo, que te fazia sorrir, perante a tua postura de Homem simples mas vertical, a quem todos respeitosamente, mas de igual forma afável, saudavam e tu retribuías descobrindo a cabeça de que retiravas com a mão direita, o sempre aprumado chapéu de feltro.

Com a tua altura mediana e o fato e demais acessórios meticulosamente preparados pela nossa Carolina, a pasta com a papelada burocrática, bem segura numa das mãos, passavas por entre aquela gente lá do Bairro, olhando-os, mas sem os reconheceres, através das grossas lentes dos teus óculos.

De cliente em cliente. De uma repartição para outra. Eram dos momentos em que sentias preenchida uma parte da tua Vida. Os outros, eram aqueles em que o teu Filho rebelde te fazia Feliz. Dizendo-te piadas, metendo-se contigo. Muitas das vezes querias mostrar-te impávido às minhas adolescentes impertinências, mas não conseguias “desmanchavas-te a rir” e quantas vezes a Carolina dizia “tão maluco é o Pai como o Filho…”.

Até que um dia o teu filho foi encarcerado pelos abutres. Nos primeiros dois meses só vos via de 15 em 15 dias, quando abriam as duas portas de uma cela escura, com pouco mais de um metro de largura e de onde pendiam, presos por correntes, ao longo de uma das paredes, dois estreitos catres. Depois levavam-me para baixo onde um Pide ia passeando cadenciadamente, interpondo-se entre nós e as grades que nos separavam. Trinta, quarenta e cinco minutos? Sei que o tempo voava e que me levavam de volta para o “curro”, nome, que entre nós resistentes, dávamos àquela celas.

Foi um tempo de angústia para mim e para todos vós. No terceiro mês, mandaram-me para uma sala comum, junto com outros companheiros da Resistência. Lá de cima, por entre as grades, víamos a parte lateral da Sé Patriarcal. Pelo passeio que acompanhava o edifício passava gente, entre os quais turistas que se dirigiam ou regressavam, do, ou para o, Castelo de S. Jorge. Um jovem companheiro alentejano, então, berrava a plenos pulmões “nous sommes prisonniers politiques”.

Nesse terceiro mês, mais que uma vez por dia, para cima ou para baixo, lá andavas tu, com a tua pasta, olhando com a tua forte miopia atenuada pelas lentes grossas, mão servindo de pala, tentando descortinar a silhueta do teu Menino. Por vezes os GNR’s berravam: “toca a circular, não pare”! Claro que tu obedecias e creio que até os saudavas com um leve aceno de desculpas e a costumada “chapelada”. Quantas vezes terias feito esse mesmo percurso nos primeiros meses em que estive “encurralado”?

Depois foram mais três meses em Caxias. No mês seguinte à minha libertação, foi o meu casamento, ainda com vinte anos de idade. No ano seguinte, tropa, Mafra, Sacavém. Trem-Auto, Tomar e mais um mobilizado para guerra colonial. Lá estavam vocês, lá estavas tu, parco em palavras, mas com os olhos marejados de lágrimas, gerindo em silêncio a angústia comum a toda aquela gente que via partir os seus entes queridos com a incerteza de voltarem ali ao cais para vê-los retornar com Vida.

Fui dos que tive a sorte de regressar, são e salvo. A Mira fez-me a surpresa de já ter uma casa alugada só para nós. Não muito longe do “ninho” em que vivi convosco, mesmo alguns meses após o meu casamento. Arranjavas sempre pretexto para passar lá por casa. A Mira apaparicava-te. Café com leite, o pão com queijo que tanto apreciavas ou não fosses tu um Alentejano do Alto.

Quando aos fins-de-semana juntávamos as famílias eram momentos muito agradáveis para todos. Tu querias ir sempre no meu carro. Eu e a Mira nunca te deixávamos em paz. Era uma festa todo o caminho. Lembras-te daquela vez no Portinho da Arrábida? Bebes-te um copito a mais e tu, sempre um Senhor de ar respeitável abandonas-te os formalismos e toca de tentar trepar a uma árvore!

E os anos foram rolando e a aterosclerose foi invadindo precocemente o teu Corpo. Ainda saboreaste a nossa alegria dos cravos vermelhos que nunca deixámos murchar. Ainda conheces-te a casa nova que adquirimos em Carnaxide, para pagar em 25 anos. Vinte e cinco, o número de Abril! Já pouco te apercebeste da minha raiva por ver a Revolução enredar-se por rotas ínvias.

Dois anos depois dos cravos, ainda caminhavas com a tua pasta plena daquela papelada burocrática. Até que em Junho, ao desceres do segundo andar, o teu Sistema Nervoso Central não aguentou mais. Rolaste pelos degraus até ao primeiro andar. As vizinhas, daquele Bairro popular, sempre solidárias, pegaram no teu Corpo com Vida, mas sem vitalidade e levaram-te para o teu quarto.

Foram nove meses de angústia para nós. Em que passaste por um Lar situado numa zona nobre da Cidade. Uma ou duas semanas. Um palacete, transformado em deposito de Seres que esperavam ser chamados para o outro Lado. Gerido por gente sem escrúpulos. Um dia, até formigas passeavam pela tua face e tu, quase completamente inerte, como se não as sentisses. Tiramos-te daquele local grotesco. Regressas-te à tua Casa e nós combinámos revezarmo-nos para cuidar de Ti.

Nove meses em que o teu Corpo ia definhando, sem um lamento saído da tua boca. A cabeça aproximando-se progressivamente dos teus joelhos dobrados. Quando a Mira e a Mãe te lavavam, por vezes soltavas um ténue ai. De resto, poucas palavras pronunciavas, limitando-as a monossílabos que carinhosamente te obrigávamos a verter.

Quase nos finais de Janeiro partis-te, o teu Corpo inerte pôde finalmente endireitar-se para assumir uma postura condigna dentro da caixa de madeira em que te colocaram. Finalmente libertaste-te de uma Vida que nunca te apaixonou e pela qual foste passando.

O António, o teu Filho mais velho, também está a passar por momentos dramáticos. De ti herdou os genes da passividade perante a Luta. Mas sei que te consola saberes que este teu Filho irreverente estará sempre presente para obrigar o Irmão a Lutar e que enquanto puder não o deixará afundar-se.

Geneticamente devo-te a postura fraterna, solidária e de honra, transmitidas mais pela tua praxis, do que pelas poucas palavras que pronunciavas. Da Mãe, tua Companheira, a Abelha-mestra do nosso Lar, herdei a Coragem, a Ousadia, a Força, enfim, a determinação para Viver, não passando só pela Vida.

Para ti meu Pai, meu Mestre de palavras mudas, mas de gestos muito Nobres, o Amor do Filho em cuja memória permanecerás silenciosamente para Sempre!

Querido Julinho, até um Dia…

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quinta-feira, março 17, 2005

Je suis malade

Je ne rêve plus je ne fume plus
Je n'ai même plus d'histoire
Je suis sale sans toi je suis laid sans toi
Je suis comme un orphelin dans un dortoir

Je n'ai plus envie de vivre ma vie
Ma vie cesse quand tu pars
Je n'ai plus de vie et même mon lit
Se transforme en quai de gare
Quand tu t'en vas

Je suis malade complètement malade
Comme quand ma mère sortait le soir
Et qu'elle me laissait seul avec mon désespoir

Je suis malade parfaitement malade
T'arrives on ne sait jamais quand
Tu repars on ne sait jamais où
Et ça va faire bientôt deux ans
Que tu t'en fous

Comme à un rocher comme à un péché
Je suis accroché à toi
Je suis fatigué je suis épuisé
De faire semblant d'être heureux quand ils sont là

Je bois toutes les nuits mais tous les whiskies
Pour moi ont le même goût
Et tous les bateaux portent ton drapeau
Je ne sais plus où aller tu es partout

Je suis malade complètement malade
Je verse mon sang dans ton corps
Et je suis comme un oiseau mort quand toi tu dors

Je suis malade parfaitement malade
Tu m'as privé de tous mes chants
Tu m'as vidé de tous mes mots
Pourtant moi j'avais du talent avant ta peau

Cet amour me tue et si ça continue
Je crèverai seul avec moi
Près de ma radio comme un gosse idiot
Écoutant ma propre voix qui chantera

Je suis malade complètement malade
Comme quand ma mère sortait le soir
Et qu'elle me laissait seul avec mon désespoir

Je suis malade c'est ça je suis malade
Tu m'as privé de tous mes chants
Tu m'as vidé de tous mes mots
Et j'ai le cœur complètement malade
Cerné de barricades t'entends je suis malade


Musica: Alice Dona

Interpretado por:
Serge Lama





Há dias em que nos sentimos assim, por vezes antecedidos de momentos altamente gratificantes.

A Roda da Vida tem destas coisas.Tempo de Lutar, de Amar, de indignar, mas também de parar para reflectir e realizarmos a nossa introspecção.

Todos poderemos estar doentes, física ou psicologicamente, mas recusarmo-nos a ser Doentes. Esta será uma postura de combate.

Obrigado Serge Lama. Pois o teu nostálgico grito intimista que antecedeu a tua morte física foi e continuará a ser uma lição de Vida, para todos aqueles que poderão tropeçar nas suas encruzilhadas, mas que recusam a ficar-se perdidos, estáticos, no enredo dos seus labirintos.

Hoje, estou doente, mas, EU, não sou Doente!

Nota de Rodapé: Caras Amigas e Caros Amigos, fiquei bastante sensibilizado com a vossa preocupação com a minha saúde física. Na realidade eu tenho uns problemazitos do foro cardio vascular. Mas convivo bem com isso. Serei doente, mas não estou doente! O que eu pretendi, com este poema e com o meu texto, foi o de transmitir de uma forma metafórica um estado de Alma de um momento. Esclarecidos?

Um abraço do tamanho do Mundo para todos vós, minhas queridas Amigas e meus queridos Amigos.

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domingo, março 13, 2005

Oito Meses na Blogosfera


Mais um mês, o oitavo, a escrevinhar prosas e alguns versos. Duzentos e quarenta dias, mais ou menos, em contacto com velhos e novos e Amigos.

Neste último mês algumas coisas se passaram neste rectângulo Lusitano.

Despedimo-nos de um governo centro-direita, trocando-o por um de centro-esquerda. Os senhores do Capital, podem dormir sossegados, lá terão que fazer umas concessõezitas (mesmo assim veremos), umas migalhitas, comparadas com o fluxo uniformemente acelerado dos milhões de Euros que continuarão a engrossar as suas gigantescas algibeiras.

O Desemprego, as falências fraudulentas de Empresas, o estrangulamento dos pequenos e médios Empresários, a ausência de auto-estima da maioria dos portugueses continuam, de igual modo a um ritmo avassalador. Não há psiquiatra ou psicanalista que nos valha!

No panorama internacional, as coisas continuam iguais a si próprias.

Bush, essa incontornável figura do anedotario dos cinco continentes, continua a fazer o que muito bem entende, com o beneplácito dos seus grandes e minúsculos amigos de além USA.

O Vaticano, esse poço de mistérios, continua a produzir poções magicas para manter um obstinado ou manietado Chefe, agarrado à chamada cadeia de S. Pedro. Eles lá saberão o porquê e o desenrolar do próximo capítulo da sua sinistra novela que tem acompanhado a Humanidade através dos séculos.

E nós, os escribas, deste ciberespaço, uns mais intervenientes do que outros, cá vamos dedilhando algumas prosas ou versos, que a maioria só lê de forma fugaz, remetendo para a minoria dos “persistentes” a função de trazer para este espaço algumas palavras incomodas.

Oito meses de prosas e alguns versos de Amor ou de Dor. Um misto de intervenção social ou cívica e de partilhas intimistas.

A todos os que têm a paciência de ler os meus escritos e em especial, para os que o fazem da primeira à última linha, o meu muito obrigado.

Até logo Companheiros!

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quinta-feira, março 10, 2005

Mulheres autarcas, Para fazer o quê?

Mulheres autarcas, Para fazer o quê? É o tema do primeiro de um ciclo de colóquios mensais que a Associação dos Amigos do Notícias da Amadora promove no próximo sábado, 12 de Março, a partir das 15 horas, no auditório da Câmara Municipal da Amadora.

A iniciativa visa assinalar 30 anos sobre a 1ª celebração pública em liberdade do Dia Internacional da Mulher e propõe um debate sobre a participação feminina no poder local num ano em que terão lugar eleições para as autarquias locais.

Participarão no debate Joana Marreiros, Membro da Assembleia Municipal da Amadora, eleita pelo PCP, Sandra Monteiro, 2ª Secretária da Assembleia de Freguesia de Algés (Oeiras), eleita pelo PSD e Fátima Campos, Presidenta da Junta de Freguesia de Monte Abraão (Sintra), eleita pelo PS.

A Apresentação da Associação será feita por Universina Coutinho, sócia do núcleo fundador da Associação e a moderação caberá a Albertina Jordão autora de tese sobre participação política das mulheres nas autarquias locais na Grande Lisboa.

O colóquio será ocasião para reflectir acerca das seguintes questões:

  • Mulheres nas autarquias, porquê?
  • Qual o seu papel nas listas?
  • Será para enfeitar ou para cumprir a quota ou ainda para garantirem a representatividade da democracia?
  • Porque interessa aos partidos incluírem uma ou duas mulheres, ainda que em lugar de difícil eleição?
  • Será que as mulheres exercem o poder de forma diferente?
  • Será que a composição das listas é indiferente para eleitores e eleitoras?
  • Mas quantas são afinal as eleitoras?
  • E como votam?
  • Ou será que se abstêm?

    Esta primeira iniciativa pública da Associação dos Amigos do Notícias da Amadora faz parte dos objectivos que presidiram à sua constituição, isto é:

    1 – Contribuir para assegurar os meios necessários à produção do jornal em condições de independência.
    2 – Preservar o seu património e cultura editorial.
    3 – Organizar a participação crítica dos leitores.
    4 – Educar para os media.
    5 – Promover a investigação e o conhecimento numa perspectiva de inserção territorial.
    6 – Promover o debate e reflexão públicos sobre matérias candentes em todos os domínios.
    7 – Promover a comunicação entre os diferentes actores sociais e culturais e as suas organizações.
    8 – Garantir a expressão da pluralidade e a igualdade de tratamento noticioso.
    9 – Reclamar o direito à informação.
    10 – Defender a imprensa regional e a prática de um jornalismo cívico.


  • Notícias da Amadora Associação dos Amigos do Notícias da Amadora


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    terça-feira, março 08, 2005

    A Última Batalha


    Oito de Março de mil novecentos e noventa e oito.

    Último dia, o décimo, de uma participação minha, integrada numa feira de Artesanato, onde eu expunha umas peças em “pewter” que importava do Reino Unido. Lendas Arturianas, do Tolkien, Dragões, Unicórnios, Pegasus, enfim todo um mundo magico, o meu.

    Tinha acabado de almoçar e preparava-me para o último dia daquela etapa de Vendedor de Sonhos. Toca o telefone. Era do Lar onde a minha Mãe se auto-internou. “Como sabe a sua Mãe nestes últimos dias não se tem sentido muito bem. Hoje queixou-se de umas dores no peito e de dificuldades respiratórias, chamámos o 112 e seguiu para o Hospital de S. José”.

    A minha Filha foi fazer o fecho de Exposição. E eu segui imediatamente para o Hospital com a minha mulher. Depois das primeiras informações que obtivemos, não nos permitindo, como é habitual, a nossa presença nos Cuidados Intensivos, telefonei para o meu Irmão, o único, mais velho que eu 12 anos, colocando-o ao corrente da situação, mas dizendo-lhe que não se deslocasse, que nós dar-lhe-ia mos noticias do evoluir da situação.

    Até às 17 horas foram-nos dizendo que a situação clínica da minha Mãe continuava estável. Cerca de meia hora depois, através da instalação sonora: “Familiares de Carolina…”, voltei-me para a minha mulher e disse-lhe, “acabou”. Dirigimo-nos para o médico de serviço, um jovem, que começou por dizer: “Como o senhor sabe a sua Mãe…” “Doutor, agradeço o seu cuidado, mas pode dizer-me já, acabou”? “Sim, cerca das 17,15h. Depois da entrada no serviço, estabilizou, estava muito bem disposta, conversou connosco até uns minutos antes do coração ter parado”.

    A velha Carolina pregou-me a partida. Está bem, ela nos últimos dias andava um bocado em baixo, mas isso já tinha acontecido antes e ela, que tinha uma enorme força de viver, embora, eu desde miúdo a ouvisse queixar que “a Mãe é muito doente”. E eu dizia-lhe, nos últimos anos de Vida, “pois é, a Mãe sempre disse que era muito doente e está quase nos 90 faria se não fosse…” Ela amuava, mas passava-lhe. Conheceu duas Netas, Filhas dos Filhos, uma Bisneta e um Bisneto, Filhos das respectivas Netas. A Matriarca tinha noventa anos à data do seu falecimento, e a Bisneta já estava com 18. Por isso eu dizia para a minha Mãe, que Ela andava sempre a queixar-se das doenças, mas que passaria dos 100 e ainda haveria de conhecer um trineto.

    E estava mesmo esperançado que assim fosse. Pois a minha Carolina, de porte altivo e de difícil trato, tal como uma “abelha-mestra” como eu lhe chamava, não parava. Sempre muito repentista, até ao fim, nas decisões. Aos oitenta e tal anos resolveu entregar a casa ao senhorio e hospedar-se no Lar que escolheu e só depois deu conta aos filhos. Antes tinha elaborado um documento, que levou ao Notário para ficar oficializado, declarando que desejava ser cremada. Não queria que o seu Corpo ficasse soterrado, pois tinha pavor de ser sepultada viva. Fez várias cópias desse documento e entregou-nos. Em casa tinha o original exposto em local bem visível. Quando se mudou para o Lar, procedeu do mesmo modo.

    Tinha completado 90 anos em 19 de Outubro de 1997. Até praticamente essa data, ela não parava, saía do Lar para passear, participava nas Festas, mas não gostava de cantar em Coro. Sozinha, interpretava, o que sempre fez muito bem, o Fado. Ela sentia e cantava o Fado. E a sua entrega e maneira de cantar era tal, que mexia connosco interiormente, deixando-nos como que angustiados. Eu lembro-me que em miúdo chorava de comoção.

    Cumprimos o desejo da minha Mãe e ainda outro que ela pediu à minha Mulher. Não queria coroas de flores, nem levar sapatos e assim partiu o seu Corpo, descalça, com umas rosas vermelhas por entre as mãos sem Vida. Dois dias depois de nos ter deixado, postadas em silêncio junto ao Crematório, algumas pessoas dizendo um último adeus àquela caixa de madeira contendo os restos daquela que foi a nossa Mãe. O meu Irmão estava um pouco afastado, como que petrificado. Junto da urna fiz um leve aceno de cabeça para os funcionários. Colocaram-na no tapete rolante. Começou a deslizar e ao passar a cortina ouviu-se um baque. O Fogo estava à espera.

    Não foi Feliz. Mas também não foi Infeliz: Não passou pela Vida, procurou vive-la e partiu de cabeça erguida. Levou com Ela a angustia, que sempre a acompanhou, de não ter conhecido o Pai. Transportou até ao fim o estigma de “Filha de Pai incógnito”. O nosso Avô, sacerdote da Igreja Católica Apostólica Romana, procedeu como milhares dos seus comparsas ao longo da História, cumpriu uma das que eles dizem ser uma determinação de Deus: “Crescei e multiplicai-vos”. Mas parece-me que esse Deus que sempre nos foi incutido, também falava no Espírito de Família.

    Quando se viu confrontado com a presença de uma recém-nascida, a Sua Filha, ao invés de a tomar nos braços oferecendo-lhe Amor, fugiu. Tal como muitos dos seus confrades fizeram e ainda fazem, continuando hipocritamente a pregar pela defesa da Vida.

    Neste dia 8 de Março, em que alguém decidiu consagrar à Mulher, presto aqui, perante vós, meus Amigos, a homenagem à memória da Minha Mãe e a todas as Mulheres que procuram sobreviver com dignidade, não obstante os escolhos que se lhes têm deparado e deparam, ao longo das suas Vidas.



    Sugiro a leitura ou releitura de dois Poemas meus, relacionados com o conteúdo deste texto:

    O Dito Senhor - Aristóteles e a minha Avó


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    sexta-feira, março 04, 2005

    Valsa no Éter

    A grande barcaça encostou mansamente ao cais vinda do outro lado do Lago, repleta de gente, que começou a sair apressadamente para terra firme. O Visionário de Negro, aguardava-a ansiosamente, percorrendo veloz e minuciosamente com o olhar aquela mó de gente. Em poucos segundos a sua ansiedade desvaneceu-se. Era Ela, a sua delicada Rosa Púrpura de frágeis pétalas perfumadas que vinha ao seu encontro. Ele barrou-lhe o caminho suavemente, recebendo a recompensa de um agradável e feliz sorriso de surpresa.

    A pequena Rosa procurou-lhe os lábios e beijou-o docemente. Como dois adolescentes que vivem intensamente a saudável loucura de um primeiro Amor, começaram a caminhar por entre a Floresta de cimento armado. Ela procurou-lhe as mãos entrelaçando-as ternamente, apoiando o seu frágil Corpo entre a massa possante dele. O Visionário de Negro, com as suas largas mãos acariciava delicadamente os braços de fina porcelana da sua Rosa Púrpura.

    Caminharam durante algum tempo pelas labirínticas veredas daquela Floresta, detendo-se na privacidade de um quarto acolhedor. Finalmente, estavam completamente sós. Mansamente, foram-se despojando das suas vestes. Cruzaram os seus olhares aproximando suavemente os seus Corpos. Pela primeira vez, viviam o contacto total da sua pele. O possante Visionário tomou-a de forma delicada em seus braços beijando-a longamente. Confundiram-se os odores. As línguas entrelaçadas num doce bailado, executavam uma Valsa no Éter dos seus fervorosos desejos.

    Sentando-se à beira da beira da cama, Ele colocou-a ternamente no seu colo beijando-lhe o Corpo ardentemente. A Rosa Púrpura acariciava-lhe a longa barba salpicada de negro e prata, com as suas frágeis mãos. Ele diz-lhe mansamente “sou Teu, possui-me”. Rosa percorreu-lhe o Corpo docemente, tocando-o com os seus dedos delicados até ao encontro do Phalo. O Visionário abandonando-se à Magia daquele toque suave, delirava de prazer.

    Deitou-a, esquadrinhando o seu Corpo milimétricamente. Deteve-se no suave montículo venusiano acariciando-o longamente. Os dois Corpos entrelaçaram-se. Ela ficou totalmente aninhada naquele Corpo enorme e protector. Uma partilha infindável de carícias de amantes rolando, voluptuosamente amparados pelos braços de Eros.

    Os seus lábios sussurravam simultaneamente ternas palavras de Amor. “Amo-te”, “Amo-te”. A libido pulsou racionalmente entre eles. O Visionário espalhou abundantemente por entre as delicadas pétalas da sua Rosa Púrpura a seiva da Vida. Tinha-se sublimado o Amor. E os dois em uníssono pronuciaram a mais Bela das palavras:

    Amo-te

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    terça-feira, março 01, 2005

    Le Chef du Parti socialiste espagnol


    José Socrates
    Para ver em maior, clique sobre a imagem
    Na edição de 21-02-2005, no diário canadiano «La Presse» (Montreal), em legenda da foto que ilustra as eleições em Portugal, escreve-se: «Le Chef du Parti socialiste espagnol, José Socrates, afichait um airtriumphant...»

    Finalmente passámos a ser nós a anexar a Espanha!!!!!!!!!!!

    (enviado por um Amigo)


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