Loreena McKennitt - Dante's Prayer

segunda-feira, outubro 24, 2005

Personalidade e Motivação

1 - Introdução


Aristóteles concedeu-me a honra, de me dar, o empurrão decisivo e necessário para meter ombros a este meu trabalho.

Mas terei aqui, de fazer justiça, ao saudoso e genial Poeta Ary dos Santos, cujo Resumo, um pequeno livro com alguns dos seus poemas mais significativos, publicado no ano de 1972, fui descobrir na minha biblioteca.

Há trinta e dois anos, ano da publicação do citado livrinho, vivia-se ainda, num clima de castração do Pensamento. Numa sociedade cinzenta, onde a grande maioria as pessoas, se sentia ferida na sua dignidade, de não poderem expressar-se e ter livre acesso ao Conhecimento.

Mas passados dois anos, graças à luta persistente de um punhado de Homens e Mulheres, livramo-nos do pesadelo que nos atormentava e recuperámos a nossa auto-estima. Abrimos as portas e soltámos as grilhetas do Conhecimento que nos tinham negado.

Actualmente, pesem embora, as vicissitudes que conhecemos e nos apercebemos, temos à nossa mercê, uma riqueza tão vasta, como a de termos a oportunidade de nos enriquecer através do Conhecimento, que podemos e devemos adquirir.

Aristóteles fala-nos sobre a qualidade moral das acções humanas, que são o bastante para extrairmos dele uma teoria do comportamento, apesar do próprio filósofo não ter apresentado as suas ideias sob essa forma.

No primeiro livro da Ética a Nicómaco, Aristóteles questiona-se sobre qual o bem cuja busca é a motivação fundamental do comportamento humano. Apesar de filósofo, ele não parte de deduções filosóficas, mas da opinião do que as pessoas têm, sobre qual a finalidade que as atrai naquilo que fazem. E revela: Em palavras, o acordo quanto a este ponto é quase geral; tanto a maioria dos homens quanto as pessoas mais qualificadas dizem que este bem supremo é a felicidade, e consideram que viver bem e ir bem (ser bem sucedido) equivale a ser feliz.

O que será, então, para essas pessoas mais qualificadas, viver bem ou "ir bem"? Diz Aristóteles, dos indivíduos mais qualificados, que estes parecem perseguir as honrarias com vistas ao reconhecimento de seus méritos; ao menos eles procuram ser honrados por pessoas de discernimento, e entre aquelas que os conhecem, e com fundamento em sua própria excelência. E mais adiante: Na realidade, são nossas actividades conformes à excelência que nos levam à felicidade, e as actividades contrárias nos levam à situação oposta.

Para Aristóteles, a alma mais simples é própria dos vegetais. Ela é fundamentalmente "vegetativa", no sentido de que suas funções principais são a nutritiva e a reprodutiva. Mas é nos animais dotados de movimento que estas funções se traduzem em comportamentos.

Os animais têm na alma faculdades, outras, além daquelas próprias da sua alma vegetativa, pois movimentam-se e buscam os objectos que desejam, ou fogem dos que os assustam. Possuem almas sensitivas, a que somam funções da alma vegetativa e às funções que lhes são próprias, como animais, e que não existem nos vegetais. Entre as ocupações que se vinculam à alma sensitiva dos animais está a busca do prazer. Mas, a alma humana é a mais completa de todas, e assim sendo, além das funções que encontramos nas almas dos vegetais e dos animais, tem mais uma outra, que é a função da racionalidade, de modo que o seu comportamento mais próprio e mais excelente seria aquele governado por essa última e mais alta função. Porém, diz Aristóteles, incisivamente: A humanidade em massa assemelha-se totalmente aos escravos, preferindo uma vida comparável à dos animais.

Podemos, assim, concluir que o homem busca para ser feliz, seja tanto directamente no contacto e na posse de objectos de prazer, quanto por via transaccional, em que recebe do outro o reconhecimento da sua qualidade pessoal. No primeiro caso, busca a posse directa de objectos da sensualidade, na satisfação de necessidades vitais, incluído o objecto sexual, porém segundo uma conveniência racional. No segundo caso, podemos aproveitar a referência clara de Aristóteles às pessoas que procuram ser reconhecidas pelos seus méritos. E é fácil verificar que o homem também pode sentir-se feliz por estar bem, quando é ele próprio que se reconhece, ao buscar algo com que se premiar. Esse é um comportamento objectivo, no sentido de que lida com objectos, e que existem objectos com valor em si mesmos, que podem ser procurados e consumidos no viver bem e no ser feliz de uma pessoa, sem envolvimento de alguém mais.

Todos estes conceitos (resumidos), de um Homem da Grécia Antiga, adicionados a muitos, de outros, que têm concorrido para o enriquecimento do Património do Conhecimento Humano e à minha própria experiência vivencial, continuam a moldar a minha Personalidade e motivaram-me a tentar fazer algo de útil, contribuindo e partilhando com os meus pares, os Conhecimentos adquiridos.

Muito embora tenha a consciência de que a maioria deste texto introdutório tivesse cabimento no trabalho que vou procurar desenvolver, pareceu-me oportuno registar nesta Introdução, alguns princípios Aristotélicos, para tomar fôlego para a tarefa que me propus realizar.


Aristóteles (384-322 a. C)




Nota: Se desejarem ler o trabalho completo, por favor sigam a ligação abaixo indicada.

Este trabalho, realizado em 2004, foi executado em Word e está programado para ser impresso. Assim, ao clicarem no link, aparecerá uma mensagem perguntando se o desejam abrir ou guardar.

É natural que este ficheiro demore um pouco a abrir.


Clicar aqui

Comentários Alternativos - Haloscan:

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Comments:
Esta introducao ao pensamento aristotelico e absolutamente brilhante!
 
A filosofia não faz bem o meu género, mas conseguiste aqui dar uma panorâmica do pensamento deste filósofo que nos abre o apetite para espreitar o resto do trabalho. Quanto ao Ary também o Resumo está arrumado na minha estante e faz parte dos meus poetas de eleição.
"Ele sabia que o poeta
(...)
teria de ser presente
não futuro antecipado
não profeta não vidente
mas aço bem temperado
(...) "
Beijos
 
oh :( não consegui abrir o trabalho completo.
 
Caro Fernando:


Descarreguei o documento que prometo "saborear", pois é daqueles temas que me fascinam!

um abraço!
 
Ele foi o cara!
 
Fernando,
Gostava que passasses lá no "ATORDOADAS" para "comeres" uma fatia de bolo pelo 1º aniversário.
Abraço.
 
Percebo que gostas de Filosofia! Comecei a ler um pouco quando estudava Psicologia.. Comecei a comprar a coleção "os grandes pensadores" para começar uma leitura mais profunda.. A Filosofia nos obriga a pensar, o que nem sempre estamos acostumados!
Gostei muito do blog porém infelizmente no momento estou sem tempo para explorá-lo melhor pois tenho certeza que irei encontrar escritos maravilhosos,mas irei linkar teu blog para retornar mais tarde!
Abraços!
 
Fizeste lindamente em recordar os tempos em que nos calavam a caneta!
 
Imenso respeito pelo que dizes, de difícil digestão, o que quer dizer; nada fácil.

Quanto ao ficheiro, não consigo abrir talvez mais tarde
Beijos
 
chego ao teu blog atravé do da Paula, vou ficar a ler.
este primeiro texto já li.
fiquei a admirar-te profunadamente. as palavras são tudo.
as tuas têm a tua marca.
bom fim de semana, companheiro!
 
Fernando,
Um texto como sempre muito bem escrito e de tema fascinante!
deixo-te beijos!
 
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