Loreena McKennitt - Dante's Prayer

domingo, outubro 31, 2004

O Stress e a "Corda"

Caro Amigo,

O stress é o pior inimigo...

Eu sei que essa "Corda" dá vontade de pendurar alguém nela, pois pendurados ficamos nós, sem poder comunicar.

Já passei por esse problema com a netcabo e por isso mudei de servidor.

Mas se, se melhora por um lado, na velocidade e prontidão de serviço, piora-se por outro, neste caso, no atendimento que sem ou com eficiência é cobrado a domicílio...

Por isso, e porque vivemos em Portugal, há que agir como bom português, alentejano de preferência.

Reclame com empenho e direito, mas sem stress, se não quando a "Corda" estiver operacional, está o meu amigo impróprio para consumo...

Relaxe... e antes deste vício da net, (do qual por vezes me sinto também dependente), que fazíamos?.

Se calhar a paragem é para aproveitar para fazer algo diferente, ter mais tempo para si, passear, fazer um pouco de exercício, ler um livro, conversar com a família, desenhar, quem sabe?

Há sempre um porquê oculto... (à parte da "Corda")

Nós sabemos que está aí e isso é o que importa.

Que esteja desse lado, com saúde e bem estar.

Até breve,

Guida


Prezada Amiga,

Muito obrigado pelas suas sempre gentis e simpáticas palavras.

Normalmente, consigo auto controlar-me e como tal, gerir situações de stress.

Mas há momentos na nossa Vida, que fazem eclodir a revolta contida no nosso âmago, provocando-nos alguns momentos de descontrole, face aquilo que fomos digerindo em silêncio, na esperança vã, de que os outros, nos devolvam aquilo que lhes oferecemos: frontalidade e verticalidade de princípios.

O que se tem passado comigo em relação à "Corda" é tão e somente, um pormenor, que se torna num "por maior", como diria um companheiro de luta já falecido, revelador da falta de competência e de honestidade que grassa por esta Lusa terra.

Desde o passado dia 21, que quase diariamente e mais que uma vez por dia, faço as minhas reclamações para os "serviços técnicos(?)" da Netcabo. De todas essas vezes, tenho obtido outras tantas respostas diferentes. A penúltima, na passada quarta-feira, foi a tal, a da "Corda". A última foi dois dias depois, de outro "iluminado", que contradisse tudo o que os outros colegas tinham diagnosticado. Que a culpa era do meu sistema que não reconhecia o modem. Apesar de na quarta-feira de manhã aqui ter estado aqui um técnico de exteriores, fazendo o teste e concluindo que o problema era externo ao meu sistema, ou seja, da própria central. O "iluminado" interno, após mais de uma hora de contacto telefónico à minha conta (e que conta me deve aparecer), disse-me que teria de ser eu a resolver o problema, caso contrario, se optasse pela deslocação de uma "equipa técnica" teria de pagar a respectiva deslocação...

Face a tudo isto, não tenho mais disposição, nem pachorra, para contactar com os chamados "serviço técnicos". Vou tentar resolver as coisas de uma forma mais radical, porque não me deixam outra alternativa.

Estou farto, saturado, de tanta incompetência e no ultimo caso, o do "iluminado", de quase arrogância no trato.

Devo dizer, que depois do diagnostico do dito "iluminado", consegui acesso à Net. Muito vagaroso, sim, mas consegui.

Por tudo isto, minha querida Amiga, não há auto controle que resista.

Mas, parafraseando o Poeta: "Há sempre alguém que resiste. Há sempre alguém que diz não!".


Nota: Espero que a minha Amiga e os outros Amigos consigam ler este texto. Pois prevejo, tal como o anterior, que terei de fazer varias tentativas para o colocar online.


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sexta-feira, outubro 29, 2004

O Problema é da "Corda"

Pois é caríssimas Amigas e caríssimos Amigos, o Problema é da "Corda".

A "Corda" é a grande responsável pelo mau desempenho homeostatico deste vosso Fraterno escrevinhador de palavras.

Contra a "Corda" vou deduzir o meu auto de acusação por graves danos atentatórios ao normal funcionamento dos meus neurónios, com a mais que provável destruição extemporânea dos mesmos .

A "Corda" conduziu-me ao rubro da minha Fraternal e peculiar paciência para com os meus semelhantes, a quem sempre concedo o beneficio da duvida, compreendendo os seus eventuais erros por negligência ou omissão, dando-lhes novas oportunidades para alterarem os seus comportamentos.

Por causa da "Corda", há uma semana que estou impedido de comunicar com os meus Amigos. Porque é através das suas teias que me permitem faze-lo.

Ora, se a "Corda" é da corda, não há comunicação para ninguém. E não é só o Professor Marcelo que foi silenciado. Este vosso paciente e Fraterno Amigo também.

Por coincidência quando eu estava muito entretido a dar-vos a minha perspectiva sobre os Caminhos Da Suástica, em terras lusas.

Foi só por coincidência, claro, tal como eu não acredito em bruxas, mas que as há...

E para aqui estou eu, já com as minhas ânsias depressivas aparentemente mais aplacadas, esperando que as teias da "Corda" me dêem uma oportunidadezinha para retomar o contacto com os meus Amigos.

Enquanto isso não acontece, estou mesmo pendurado pela "Corda* ".



Corda: Termo utilizado pela NetCabo para designar qualquer coisa(?) que permite os utilizadores, seus clientes, terem acesso à Net. Um jovem técnico dessa Empresa disse-me que a Corda da minha zona está com problemas e que até ao fim de semana estariam resolvidos. Penso que devem andar muito atarefados a desatar os nós da Corda...

Se por acaso conseguiram ler este texto, isso deve-se, por certo, a uma concessão das teias da Corda.



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quarta-feira, outubro 27, 2004

Anomalias NetCabo

Estou saturado meus Amigos!.

Desde a passada quinta-feira, que tenho problemas com a Net.

Falta de acesso. Quando o tenho, as paginas demoram uma imensidão de tempo a abrir. Reclamações diárias para os serviço técnicos. Sou bem atendido, quanto a isso não me queixo. Já me disseram que há problemas aqui na zona. Hoje, quarta-feira veio cá um técnico. Está tudo bem com o modem. O problema é da própria NetCabo.

Estou farto de reclamar e o problema mantém-se. Eu, sou um leigo nos pormenores técnicos, mas penso que o cerne do problema está no facto de cada vez haverem mais utilizadores e a NetCabo não ter capacidade de resposta.

E assim se passa tudo em Portugal. Ninguém assume as responsabilidades. A incompetência e o lascismo, são a pratica da maioria das pessoas responsáveis, pelas Empresas que nos levam o nosso dinheiro por serviços mal prestados.

Desculpem o desabafo, mas meus Estimados Amigos, a paciência tem limites. Quero continuar o meu dialogo convosco e não me deixam faze-lo. Espero que este texto consiga ser publicado. O meu Template está uma miséria e não consigo altera-lo.

Estou farto!.

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segunda-feira, outubro 25, 2004

Noticias da Amadora


Segunda-feira, dia 25 de Outubro de 2004, o semanário Noticias da Amadora (NA), completa 46 anos de publicação.

Fundado em 25 de Outubro de 1958 por António de Jesus, ainda no consulado de Oliveira Salazar, o NA sobreviveu durante quase 16 anos, passando pela pseudo Primavera Marcelista, garrotado pela ignóbil Censura e foi com muita dificuldade, só ultrapassada pela força idealista dos seus trabalhadores e com o apoio de um punhado de fiéis leitores, como este vosso Amigo, assinante, desde os finais dos anos 60, que o nosso NA conseguiu sobreviver.

Nesses quase 16 anos, o Noticias da Amadora, nunca se vendeu, nunca se rendeu, perante o poder político de cariz fascizante, nem nunca se vergou ao poder económico.

Foram anos muito difíceis, para quem, com todos os condicionalismos impostos pelo antigo Regime, procurou dar aos seus leitores uma informação minimamente digna, usando a arte das palavras, muitas das vezes sob a forma de metáforas, onde se denunciavam toda a espécie de injustiças.

Pouco depois de me ter tornado assinante do NA tive a ventura de conhecer pessoalmente o saudoso Orlando Gonçalves, director do jornal desde 1963, até nos ter deixado em 1994. Era um Homem de fino trato. Estatura média, cabelo impecavelmente penteado e o seu peculiar bigode muito fino.

Algumas vezes, antes do 25 de Abril, me dirigi à redacção para lhe entregar pessoalmente os meus textos para publicação. Eram fruto da minha observação quotidiana da gente simples. Crianças, "filhos dos homens que nunca foram meninos", parafraseando Soeiro Pereira Gomes e de adultos marginalizados pela sociedade. Entre outra temática da vida real, dos finais dos anos 60, até aos anos iniciais da década seguinte.

Há dois meses Orlando César, filho do saudoso Orlando Gonçalves e seu digno sucessor na direcção do NA após o falecimento do seu Pai, teve a gentileza, de me enviar quatro desses meu textos, após aturada pesquisa nos arquivos. Um deles, intitulado "Do Alto da minha Janela" já tive a oportunidade de o publicar neste Blog.

Para o Orlando César, o meu agradecimento publico por essa gentileza.

Não podia de forma alguma deixar passar em claro esta efeméride. Recomendo a todos os meus Amigos uma visita ao sitio do NA indicado aqui no lado direito do Fraternidade. Destaco os Cadernos Censura 16, que desde 2001 o NA, tem mensalmente oferecido aos seus leitores. Vale a pena, dar uma vista de olhos por lá, acreditem.

Desejo ao Orlando César e a toda a sua equipa as maiores venturas e força para prosseguirem o seu excelente trabalho.

A LUTA CONTINUA!



Atenção: Tenho tido diversos problemas, com o acesso à Net, desde a passada quinta-feira. O Fraternidade, pura e simplesmente desapareceu. Por sorte tinha uma cópia do Template. Porém, ainda se verificam diversas anomalias, especialmente nas palavras com acento, etc., etc., . Peço a vossa compreensão para este lamentavel incidente, do qual não tenho qualquer responsabilidade.


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segunda-feira, outubro 18, 2004

Caminhos Da Suástica - III

Relativamente à Radio e à Televisão, na chamada Primavera Marcelista e na "continuidade" da tradição salazarista, existiam:

A EN - Emissora Nacional de Radiodifusão, predecessora da actual RDP - Radiodifusão Portuguesa. A EN cobria todo o território nacional com os seus emissores regionais. Tinha dois programas principais. O Programa I e o Programa II. O primeiro emitia essencialmente musica portuguesa e uma reduzida percentagem de musica estrangeira. Fado e canções brejeiras do chamado nacional cancenotismo. Comentários de exaltação do Regime, transmissão de cerimónia católicas e pouco mais, para além dos noticiários. O Programa II era essencialmente composto por emissão de musica clássica. Este tinha como ouvintes as elites intelectuais da época e autodidactas, trabalhadores, com consciência cívica e política. Abro aqui um parêntesis para se aquilatar do modo como os ideólogos do Regime, moldavam as consciências da época, dando o exemplo do filme O Pátio das Cantigas, produzido em 1942 por António Lopes Ribeiro, um dos cineastas do Regime e realizado por Francisco Ribeiro (Ribeirinho), irmão daquele. Há uma figura de um pequeno comerciante, proprietário de uma Drogaria, interpretada por António Silva, que representava o protótipo de um pequeno burguês, entendido e apreciador de musica clássica, que punha rodar os seus clássicos numa grafonola, abrindo a janelas de par em par sendo alvo da chacota da vizinhança, composta por gente simples, apreciadores da Canção Nacional, o Fado, e pelas Marchas Populares, onde não faltava a apologia do vinho para a felicidade do Povo e os seus consumidores, pobres, embriagados, mas "felizes".

Outra estação radiofónica muito importante era o RCP - Radio Clube Português, fundado em 22 Novembro 1931 por Jorge Botelho Moniz , figura de proa do Regime e Alberto Lima Basto. Oficialmente, uma estação privada, na prática um dos suportes do Regime Corporativista. Contudo, para além, das peripécias em que Botelho Moniz esteve envolvido, tentando golpes de Estado ultra Direitistas, quando das farsas eleitorais, o RCP permitia aos seus microfones algumas vozes oposicionistas, tendo algumas vezes o próprio Botelho Moniz, desempenhado a figura de entrevistador. Nos últimos anos de vida do ditador de Santa Comba e principalmente durante a Primavera Marcelista, começaram a surgir alguns programas, produzidos por gente jovem, onde, principalmente após as vinte e duas horas, no meio de alguns temas mais inocentes, passavam nomes como Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Chico Buarque, etc.

A RR - Rádio Renascença, tão ou mais importante, em termos de cobertura Nacional, propriedade da Igreja Católica Portuguesa, era outro dos sustentáculos do Regime. Com as suas prédicas doutrinárias, em que o papão comunista tinha papel de realce. Mas, curiosamente, talvez devido a uma importante corrente de jovens católicos progressistas, também aqui, principalmente no consulado Marcelista, surgiram programas nocturnos muito interessantes.

No espectro radiofónico nacional, pouco mais havia, como por exemplo, rádios locais, tais como: Rádio Graça; Rádio Voz de Lisboa ; Rádio Peninsular ; Rádio Ribatejo; Alfabeta e Rádio Alto Douro. Todas muito certinhas. Que não se atreviam a "pisar o risco". Este vosso Amigo ainda participou, quando miúdo, em alguns programas da Rádio Graça, cuja sede era em Lisboa, na Rua Verónica, dizendo alguns poemas e cantando. Foi aí que eu conheci o actor Rui Luís, falecido a alguns meses. O Rui era então um jovem alto e elegante, muito diferente, do gordo e de aspecto descuidado, que a TV nos deu a conhecer.

(continua)


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sábado, outubro 16, 2004

Mistérios Insondáveis

Caro Amigo,

Os "mistérios insondáveis", são o veio puro e cristalino que incentiva e impulsiona o dinamismo da Vida do Ser Humano adulto e "maduro".

Esse é o alimento anímico tão necessário ao caminhar de uma vida sufocante e descolorida, para quem perdeu o brilho das Estrelas, o murmurar do vento e do mar...

Para uns é o perpetuar de uma fantasia infantil;

Para outros, a Crença no presente Sonho de uma futura Realidade;

Historicamente, é a Fé que tão conhecidamente "move montanhas"...

Analisando a lógica criativa do Universo e o sincronismo das coincidências, colocando de parte como mero factor o "acaso", muitas vezes me questiono sobre o "porquê" e o "para quê"...

- Porque nasceu o seu Blog num dia 13... de Julho?

- Porque irá sempre coincidir a comemoração deste "pequeno mistério", com a comemoração de um "mistério maior"?

Provavelmente o meu Amigo saberá estas respostas...

Parabéns pela data 13. Em minha opinião, este é um bonito número, cheio de potencial energético.

Guida Costa


Prezada Amiga,

As suas mensagens plenas de Vida e Esperança, são para mim preciosas, porque transportam uma carga de Fé nos caminhos a trilhar pela Humanidade.

A força anímica que me move é a Crença de que será possível edificar um Homem novo, que exorcize os seus fantasmas, livre de dogmas castradores, encontrando o seu Caminho na partilha, ao invés de dependências alheias.

Recordando Darwin, as espécies evoluíram, no seu aspecto genético e ambiental. Mas também sabemos o quão importante é o meio social em que se desenvolvem.

Pelo que conhecemos da História da Humanidade, quando os animais que designamos por Homens, atingiram o seu desenvolvimento físico e psíquico, diferenciado-se dos outros seres viventes, a que se convencionou chamar de irracionais, os Homens, ao contrário daqueles, cedo ficaram enredados por teias de crenças e superstições.

A maior parte dos Seres humanos, passou a sua Vida, passivamente esperando por um Deus desconhecido, esperando que Ele resolvesse pelo poder Divino, as suas angustias e frustrações.

A maior parte das pessoas, não viveram, não vivem, passaram, passam, pela Vida.

E em toda a História do Homem, sempre tem havido aqueles que se evidenciaram pela negativa, aproveitando-se do conformismo e da passividade da maioria dos outros homens.

São os falsos Messias, fomentadores de dogmas que têm proliferado através dos Séculos e que em nome de um qualquer Deus desconhecido, agrilhoaram consciências, cometendo crimes hediondos sob a capa de uma Fé protectora dos seus execráveis desígnios.

Respeito as pessoas, que, com a sua Fé, pautam a sua Vida, pelos caminhos de um Deus Fraterno e não elitista.

Eu acredito na Mãe Natureza. Da terra nascemos, para a terra tornamos e da terra renascerão novas Vidas.

O dia 13, conforme aflorei de forma metafórica no texto anterior, lembrou-me, um determinado acontecimento, que um dia, com a frontalidade que me é peculiar, abordarei neste local. O facto do meu Blog ter começado a publicar-se num dia treze, considero uma mera casualidade, mas devo ressalvar, que respeito as pessoas honestas e sinceras como a minha querida Amiga, que atribuem um significado muito especial a esse número.

Estou-lhe grato do fundo do coração, por as suas, sempre Fraternas palavras, me proporcionarem a possibilidade deste naco de prosa sobre da Vida.

Um Fraterno Beijo,

Fernando



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quarta-feira, outubro 13, 2004

Três Meses na Blogoesfera

Pois é, minhas estimadas Amigas e meus estimados Amigos, hoje é dia 13 de Outubro, data em que se comemora outra "coisa" muito "delicada", envolvida por mistérios insondáveis . Mas não, não se preocupem, porque eu sei... "sei que não vou por aí!".

Hoje dia 13, a "coisa" que vou comemorar convosco, são os três meses do Fraternidade. Sem velas, sem orações, sem corpos patéticos arrostando-se pelo chão.Três meses. Em números redondos, noventa dias, a partilhar convosco as minhas "novenas", com uma ou outra, alheias, sob a forma de Prosa ou Poesia.

Noventa dias, quase duas mil visitas. Há um mês atrás, registava mil e poucas. O que quer dizer, que nos últimos trinta dias, quase obtive o dobro de visitantes, comparando com os dois primeiros meses.

Nos últimos trinta dias, o Fraternidade obteve uma média de 32 visitas diárias. Em 13 de Setembro, com 60 dias de publicação, anunciava-vos 18 visitas diárias. O que veio aumentar a média total, em relação aos 90 dias, para 22 visitas diárias.

Pelo que me tenho apercebido, o número de primeiras visitas tem aumentado. Assim como o número de comentários. Estou francamente satisfeito. E mais feliz ficaria, se os Amigos que me visitam fossem ainda mais intervenientes.

O Fraternidade continuará o caminho delineado, com a sua Prosa de intervenção política e social, de reflexão e Poesia, conforme escrevi aqui há um mês atrás. Não só, em coerência com a minha postura perante a Vida, como também, por respeito ao cada vez mais numeroso grupo de novos Amigos, que me têm incentivado a prosseguir este Caminho.

No meu Quadro de Honra de Amigos, estão todos aqueles, que aqui, ao vosso lado direito, constam a negrito nos Blogs Fraternos.

Fazendo uma ressalva, para dois Amigos muito especiais, citando-os, porque não têm Blogs, pelos seus comentários e incentivos ao meu trabalho:

Guida Costa e António.

Agora, permitam-me que faça daqui um agradecimento destacado ao meu Amigo pessoal Victor Reis, o Viktor, da Oficina das Ideias. Pois foi ele que teve muito "pachorra" para me iniciar, em 1999, nas lides da feitura de páginas para a Net, quando comecei a trabalhar nelas para o projecto Mundo Bizarro , também indicado aqui do lado direito.

A todos os Amigos e Amigas, o meu Fraterno:

Bem Hajam!


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terça-feira, outubro 12, 2004

Caminhos Da Suástica - II

Em 15 de Maio de 1969 realiza-se em Aveiro o II Congresso Republicano, que reuniu resistentes de várias tendências. Nesse ano de eleições para a designada Assembleia Nacional, efectuadas em Outubro, Marcelo Caetano convidou para integrarem as listas da Acção Nacional Popular, herdeira da decrépita União Nacional e como tal assente nos pilares podres do Corporativismo de inspiração nazi - fascista, como referido atrás, figuras de jovens licenciados, tais como: Pinto Balsemão, Magalhães Mota, Sá Carneiro, Miller Guerra, etc., não comprometidas com o Regime, mas também e até então, sem uma intervenção contestatária, bem como para cargos de chefia em grandes empresas de, igualmente jovens licenciados, tecnocratas, como por exemplo João Salgueiro, um dos impulsionadores da SEDES, instituição, que apesar de apolítica nos seu principios programáticos, era motivo de grande desconfiança e ferozes criticas dos ultras, como Cazal Ribeiro o "manda chuva" da defunta Sacor e Henrique Tenreiro, o "grande pescador" e comandante da Brigada Naval, "delegação marítima" da Legião Portuguesa fundada por Botelho Moniz, em 1936. Um arremedo "saloio" das SS de Hitler.

Marcelo Caetano esforçava-se por mostrar aos seus comparsas, democratas ocidentais, que Portugal se ia adaptando aos novos tempos e até já poderiam constatar o seu simulacro democrático, com a permissão de um Congresso Oposicionista e a realização de eleições livres para a Assembleia Nacional. Para consumo interno eram as sua paternalistas Conversas em Família, que levaram muito boa gente a acreditar que a Democracia vinha a caminho...

O Congresso de 1969, terminou e como previsível, muitos dos congressistas passaram uma temporada nos calabouços da Pide. O mesmo acontecendo com a Farsa eleitoral de Outubro desse ano, com a posterior prisão de muitos dos membros integrantes das listas, finalmente unitárias, CEUD / CDU.

A CEUD - Comissão Eleitoral de Unidade Democrática, impulsionada pelos posteriores fundadores do Partido Socialista (PS), em 1973, na Alemanha, também continha figuras independentes e católicos progressistas. A CDU - Comissão Democrática Unitária, era apoiada pelo Partido Comunista Português (PCP), único partido organizado, com largos anos de luta clandestina e, também, por católicos progressistas e outras pessoas de tendências de esquerda, não comprometidas ou mesmo criticas do PCP.

Também houve um breve abrandamento da Censura Prévia aos Jornais (aos livros era feita à posteriori), ao conteúdo dos Teatros de Revista, de Comédia e Dramático.

Da Imprensa da época destaco, em Lisboa, os vespertinos: República, já referido, único jornal assumidamente de oposição; Diário de Lisboa, independente, lido por muita gente oposicionista ao regime; A Capital e o Diário Popular, afectos, mais o segundo que o primeiro, às linhas programáticas do Estado Novo. Dos jornais matinais lisboetas: Diário de Noticias e Século, o primeiro com alguns elementos monárquicos e o segundo assumidamente republicano, mas ambos apoiantes do Regime; Novidades, jornal oficial da Igreja Católica, retrogrado, porta voz do velho Clero colaboracionista; A Voz e o Diário da Manhã, vizinhos geograficamente do República, eram os porta vozes oficiais da União Nacional / Acção Nacional Popular. No Porto publicavam-se o Primeiro de Janeiro, Jornal de Noticias e o Comércio do Porto. Todos matinais, cuja orientação política, me abstenho por agora de comentar, por falta de elementos precisos, como os anteriores, arquivados no baú das minhas memórias.

Da Imprensa não diária e revistas, recordo os anti Regime: Noticias da Amadora; Jornal do Fundão; Comércio do Funchal; Revistas Vértice e Seara Nova. Estas duas últimas avidamente devoradas por quem tinha vontade de aprender as bases programáticas da Democracia.

Dos restantes, jornais e revistas, não hostis ou apoiantes do Regime saliento apenas: O Debate, jornal dos monárquicos Integralistas; Século Ilustrado; Flama: jornais regionais, normalmente de iniciativa clerical, ficando-me por aqui.

(continua)


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domingo, outubro 10, 2004

O TAMANHO DAS PESSOAS

Os tamanhos variam conforme o grau de envolvimento.

Ela é enorme para você, quando fala do que leu e viveu, quando trata você com carinho e respeito, quando olha nos olhos e sorri destravada.

É pequena para você quando só pensa em si mesma, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas:

A amizade, o respeito, o carinho, o zelo e até mesmo o amor.

Uma pessoa é gigante para você quando se interessa pela sua vida, quando busca alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto com você.

É pequena quando desvia do assunto.

Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma.

Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos clichés.

Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas.

Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande.

Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.

É difícil conviver com essa elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos. Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de Acções e reacções, de expectativas e frustrações.

Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente, se torna mais uma.

O egoísmo unifica os insignificantes.

Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande...

É a sua sensibilidade sem tamanho...

Shakespeare


Agradeço à minha Amiga Guida ter-me recordado este pensamento de Shakespeare, o que me proporcionou uma pausa para criar fôlego para a continuação do texto anterior.

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sexta-feira, outubro 08, 2004

Caminhos Da Suástica - I

O Professor Marcelo Rebelo de Sousa, tem menos cinco anos que eu. O seu apelido não me é estranho, desde os meus tempos de menino e moço.

Baltazar Rebelo de Sousa, seu Pai, foi um dos sustentáculos do chamado Estado Novo, contudo, apesar de "muito ligado ao regime de Salazar e Caetano, a sua postura, era a de uma pessoa aberta e determinada na evolução, dentro do regime, nomeadamente e ao que se sabe, procurando, ainda que numa perspectiva conservadora, contribuir para o enveredar de determinados caminhos mais consentâneos com a posição de Portugal, votado ao isolamento pela maioria dos países, incluindo os seus próprio aliados ocidentais, democracias capitalistas, sustentáculos por omissão ou por apoio efectivo a um regime, dictatorial, arremedo provinciano de um nazi-fascismo.

O Professor Marcelo, recebendo uma educação conservadora, convivendo e rodeado de uma conjunto de pessoas afectas ao Regime de então, cedo começou a revelar-se uma pessoa inteligente, com um espirito ainda mais aberto do que o seu progenitor, o que por certo incomodava os ultramontanos do Regime, que haviam traçado para esta Lusa terra, os Caminhos Da Suástica.

Quando o velho senhor de Santa Comba, ficou privado dos seus desempenhos físicos e psíquicos, o Regime encontrava-se numa grande encruzilhada e a muito contragosto dos ultramontanos, o Almirante Tomaz, figura incontornável da ignorância lusitana, decorativa, uma marionete de tristes figuras, viu-se na contingência de nomear o Professor Caetano, um dos grandes ideólogos do Regime, mas que, como pessoa inteligente que era, previra o seu estertor a breve prazo, tentando fazer algumas reformas que agradassem a gregos e a troianos. "Uma evolução na continuidade", que projectasse para o exterior a imagem de um País aberto aos novos tempos.

Pois foi. Mas o País já estava há oito anos metido num imbróglio, de seu nome, Guerra Colonial, que aceleraria a queda do Regime e o breve quinquénio de Caetano, que não conseguiu reformula-lo por dentro.

É no decorrer destes cinco anos que o Professor Marcelo Rebelo de Sousa começa a emergir para a coisa pública.

O Professor Caetano (re)baptizou a arcaica União Nacional, de Acção Nacional Popular, e permitiu que nas listas para Assembleia Nacional (como se designava na altura), fossem incluídas cinco ou seis figuras, de homens mais ou menos independentes, que foram apelidados de Ala Liberal.

O Povo Português, saturado de uma vivência de mordaça, agravada pela partida dos seus Filhos para uma Guerra, de que muitos não regressavam, ou chegavam estropiados, começou a vislumbrar uma luz ao fundo do túnel.

D. António Ferreira Gomes, então Bispo do Porto, uma voz incomoda dentro da hierarquia da Igreja Católica, obteve a permissão de regressar à sua Pátria, de onde fora obrigado a sair, por Salazar e seus apaniguados, exilando-se. O Dr. Mário Soares e mais alguns oposicionistas moderados, obtiveram igual benesse.

(continua)

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quarta-feira, outubro 06, 2004

Alma Renascida

O cair das folhas
Transportadas
Pelo vento
A partida das aves
De migração
Os nossos Sonhos
Guardados
De uma Noite
De Verão
Cabelos prateados
Pelo Compasso
Do Tempo
Folhas e Corpos
Em decomposição
Fertilizam a Terra
Com novas Sementes
É o Ciclo da Vida
Em perpétuo
Movimento
É a Alma Renascida
Transportada
Pelo Vento

Para a Margarida A. e por sua sugestão, aqui publico a minha resposta ao seu Poema Outubro

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terça-feira, outubro 05, 2004

5 de Outubro de 1955

Há 49 anos atrás, tinha eu 12 anos de idade e já fumava há dois... Mas isso é outra conversa, que relatarei, quando escrever algo sobre a minha entrada no então designado Ciclo Preparatório.

Era uma Quarta-feira, feriado Nacional, mantido a contragosto pelos senhores do chamado Estado Novo, de má memória.

Os meus Pais, tal como a maioria dos Pais portugueses de então, não "ligavam" à política. Ou para ser mais exacto, era um termo que lhes causava temor e arrepios gélidos através da medula espinal. Eu era um pré adolescente irrequieto, muito diferente em termos comportamentais, daquele menino, estudante certinho, que até completar a Instrução Primaria e o exame de admissão ao Secundário, tinha desempenhos brilhantes. Mas ao entrar no Ciclo Preparatório, o meu comportamento alterou-se, tendo chegado a frequentar um conhecido Colégio católico, que teve a virtude de me por a questionar sobre certos valores. Mas, adiante...

Nesse dia, há 49 anos, a minha Mãe, sempre muito diligente no aprumo dos Filhos, deu-me para vestir o fato das ocasiões especiais, ou seja, o domingueiro, camisa branca, gravata, sapatos bem engraxados pelo meu Pai, que era um Mestre na Arte de bem engraxar, sapatos (nada de confusões), com graxa e algum cuspo à mistura. Ficavam a brilhar de forma resplandecente. A D. Carolina deu-me uns escudos e disse-me:

"Meu Filho, já estás com 12 anos e é altura de começares a aprender a ser um homem. Hoje comemora-se o dia da implantação da República e tu vais até cemitério do Alto de S. João, porque vão lá uns Senhores fazer uma cerimónia e tu com certeza que vais gostar".

Lá foi o Fernandinho, a caminho da paragem do eléctrico, rumo ao Cemitério do Alto de S. João, em Lisboa. Chegado lá, este menino começou a observar o que se passava em seu redor. Muitos policias com a farda normal de caqui, na parte exterior do portão. Lá dentro umas dezenas ou centenas de pessoas, predominantemente do sexo masculino, falavam muito baixinho. Os homens, na sua maioria, trajavam fatos cinzentos, camisas brancas e chapéu de feltro na cabeça. Uma ou outra bandeira dos Centros Escolares Republicanos e bandeiras Nacionais.

A determinado momento aquelas pessoas começaram a movimentar-se silenciosa e ordeiramente. Paravam num ou noutro jazigo onde iam depositando coroas de flores. E eu ia acompanhando aquela gente de silêncios contidos, com muita curiosidade e tentando obter resposta do que estava a observar. Na última paragem que fizeram, as pessoas dispuseram-se em circulo, os senhores, todos, com os seus chapéus junto ao peito. Até que irrompendo o silêncio, um deles pôs-se a discursar muito baixinho. Foram palavras muito breves, pausadas e no final, todos disseram num tom não muito alto: "Viva a Republica!". Nessa ocasião reparei, que não muito longe, um grupo de policias e de outros indivíduos vestidos à civil (Pides, vim algum tempo mais tarde a saber), observam-nos muito atentamente. Um oficial da policia foi falar com o Senhor que tinha discursado e apercebi-me que ele lhe estava a dar instruções para as pessoas dispersarem rapidamente.

O grupo fez o caminho de volta. Alguns trocavam palavras quase imperceptíveis. Já perto do portão, abeirou-se de mim, um homem, que não estava engravatado e que eu conhecia de vista. Alto, seco e moreno. Vendia jornais e revistas, no Terreiro do Paço (Praça do Comércio), nas arcadas, com esquina para a Rua da Prata. Falou brevemente comigo. Incentivou-me a voltar no ano seguinte e a ler o jornal A República. Achei piada, porque ele disse-me que à noite ia participar num jantar com algumas daquelas pessoas e que também levaria fato e gravata como eu.

E fomos saindo do Cemitério. Cá fora, um grande aparato policial. Policias com capacetes. Iam berrando ordens de dispersar com ar ameaçador para aqueles pacatos cidadãos e fizeram-nos seguir em pequenos grupos. Penso que nesse dia não houve agressões, mas nos anos seguintes assisti a algumas.

Regressei a casa a pensar naquilo tudo que tinha visto e ouvido. Almocei e durante a tarde, pela primeira vez, comprei o jornal A Republica. Sem ser essa a sua intenção, a minha Mãe abriu-me os horizontes para a Vida. A partir desse dia, comecei a por de parte o Mosquito, o Cavaleiro Andante, o Mundo de Aventuras, etc. e comecei a interessar-me pelo fenómeno político e social.

Para além do jornal A Republica, o vespertino mais diminuto em termos de paginas, bem crivadas pela Censura, passei a frequentar os alfarrabistas da zona do Carmo. Aos 14 anos descobri num deles o Pequeno Manual de Filosofia do Professor Vitorino de Magalhães Vilhena e assim por diante...

Obrigado Mãe pelo conselho inocente que me deste!

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sábado, outubro 02, 2004

Primeiro Amor - parte V (conclusão)

Suzete foi lá passar o dia. A Neta dos meus Tios, assim como a Filha mais nova destes, eram muito brincalhonas, "gozonas", que gostavam muito de pregar partidas. A Tia era uns anos mais velha do que a Sobrinha. Estas minhas Primas tinham uma grande cumplicidade. Apresentaram-me a "lourinha" e incentivaram-me a pedir-lhe namoro...

E o Menino da Capital, superprotegido pela sua Mãe, que lhe contava aquelas histórias de encantamentos, com finais felizes e que tinha, além de alguns Amigos, poucos, miúdos da mesma idade, uma Amiga, a Miká (nome fictício) do prédio do lado, na Rua da Adiça, dois anos mais nova, com quem brincava e considerava sua namorada, sem contudo, Miká lhe provocar qualquer sentimento de fascínio, talvez porque a proximidade e a habituação mutua assim o ditaram, ao deparar-se com Suzete, três ou quatro anos mais velha, talvez tenha experimentado as primeiras pulsões inocentes de atracção e fascinação, ficando extasiado a contempla-la.

Passados que foram aqueles primeiros momentos da "descoberta", comecei a entabular conversa com Ela. Demos largos passeios, pela Quinta, tomámos banhos juntos no tanque, continuámos depois de mãos dadas, pelo pomar, vinha, pinheiral e eucaliptal. Inebriado com o perfume emanado pelos seus olhos anilados, procurava cuidadosamente as palavras que lhe dirigia. Ela correspondia com uma expressão carinhosa e sedutora. Eu, estava completamente "apanhadinho". Trocámos juras de, Amor? Amizade? Qualquer coisa assim ou ambas entrelaçadas. Mas, pelo que me dizia respeito, algo etéreo, limitando a atracção carnal, ao brilho emanado por aqueles olhos, que eu penetrava, embalado por uma suave dança imaginária, estreitando nos meus braços uma Valquíria, que ao invés de aproveitar o meu corpo retalhado, me acompanhava por entre o delírio das Brumas dos meus Sonhos na procura do Paraíso do meu Imaginário.

Tal como começam, os Sonhos são lapsos de tempo diminutos. Momentos fugazes de Viagens do nosso Inconsciente, neste caso, por entre o pequeno Mundo de uma Criança erigido à medida exacta da sua Imaginação, fruto do inato, mas principalmente pela envolvência adquirida, que na minha opinião é decisiva, no seu processo de desenvolvimento e consequentemente na formação do seu caracter e desempenhos futuros perante o Mundo externo.

Os meus Sonhos, tal como aquele dia, rolaram céleres. Ao fim da tarde foi o regresso de Suzete a Setúbal. A angustia de uma despedida. Ela prometeu dar noticias. Nessa noite, sozinho no quarto, a musica emanada pelos grilos e pelas cigarras, quebrando o silêncio da noite no campo, acentuou mais a minha tristeza e desencanto. As lagrimas rolavam pela face, humedecendo o travesseiro. Soluçava em silêncio. Saboreava o amargo da perca da minha Deusa, por um dia.

Poucos dias depois os meus Pais foram buscar-me. As minhas Primas, matreiras, contaram-lhes divertidas que eu tinha arranjado uma namorada. Regressámos, a Lisboa, para o Bairro que me via crescer. Não conseguia esquece-la. Desabafei com a minha Mãe. Ela não gozou, pelo contrário, acarinhou-me, reconfortou-me, dizendo-me que eu ainda era um Menino e que quando crescesse haveria de encontrar alguém de quem gostasse. Mas o Mundo de uma Criança é isso mesmo. Embora reconfortado pelo Amor Maternal, Ela, continuava a povoar os meus Sonhos.
Passados poucos dias do meu regresso, recebia a minha primeira carta. Um envelope decorado com um par de bonecos, com dois corações entrelaçados. A carta estava decorada da mesma maneira. Era uma carta de Amor, com linguagem adulta, que eu devorei, povoando o meu Espirito de novas Ilusões. As minhas Primas tinham continuado aquela brincadeira de mau gosto, redigindo uma carta que Ela escreveu. Então a minha Mãe tomou uma atitude drástica. Contactou com as minhas Primas, dizendo-lhes para acabarem com a brincadeira. E a imagem da Suzete foi-se diluindo com o passar do tempo.

A minha Tia Ana, era Irmã do meu Pai. A minha Mãe também tinha uma Irmã, que vivia em Linda-a-Velha, curiosamente a freguesia vizinha de Carnaxide, para onde vim morar há vinte e oito anos atrás. E, coisas do destino, quando do casamento da Filha dessa minha Tia materna, vim a reencontrar a Suzete, como convidada. Já casada, tal como eu. Apesar deste reencontro ter sido há menos tempo, do que os factos relatados atrás, não me recordo como é que a reconheci. Lembro-me que, quando lhe dirigia a palavra, recordando-lhe quem eu era, deixando-a visivelmente incomodada, o marido, pressuroso abeirou-se de nós para saber do que se tratava. Expliquei-lhe quem era e a partir daí ignorei o casal. Pareceu-me que bem de Vida, em termos financeiros, claro. Ainda bem. Abomino pessoas ciumentas. O ciúme revela a insegurança e o caracter de um indivíduo. Que sejam muito felizes, que eu também o sou, com os valores morais que adquiri. E as situações descritas ao longo destes episódios, tiveram efeitos positivos na minha aprendizagem como Ser humano.

O ano passado, tive oportunidade de poupar ao meu Neto mais velho a idêntica situação de angústia. Numa das visitas semanais que fazemos à minha Sogra e aos meus cunhados, o André, então com oito anos, conheceu a Simara (nome fictício), três anos mais velha. Uma bonita pré adolescente. Morena, elegante, de cabelo negro. A História repetia-se.

Pediu um bocado de papel e escreveu "queres namorar comigo"? e quando a viu passar, entregou-lho. Passadas uma hora ou duas, a mãe da Simara, bateu à porta dos meus cunhados. A Filha tinha-lhe incumbido a missão da resposta. No mesmo papel, a miúda escreveu "não". Foi notória a expressão desencanto do meu Neto. Metemo-nos no automóvel para regressar a casa. No banco de trás, ele estava prostrado e com os olhos marejados de lagrimas. Durante os vinte minutos de caminho, conversámos com ele muito calmamente. O André tinha ainda aquela expressão de desencanto, mas aceitou as nossas palavra reconfortantes e conselhos adequados à sua idade. Um ou dois fins de semana seguintes, ainda pronunciou o nome dela, mas depois a imagem do seu deslumbramento, desvaneceu-se.

Para finalizar, quero expressar o quanto é importante respeitarmos os sentimentos de uma Criança, não brincando com eles, pelo contrario e de acordo com o seu desenvolvimento cognitivo, devemos apoia-las e aconselha-las, sem que isso signifique uma imposição de valores que elas deverão de forma natural, descobrir por si próprias. Só assim daremos a nossa quota parte para o aperfeiçoamento humano das nossa Crianças. Aquele estádio de desenvolvimento porque todos já passámos, mas que muitos já esqueceram.

Considero que este, foi um final Feliz. Não em relação ao meu Primeiro Amor. Onírico. Digerido pelo Compasso do Tempo, registado no arquivo da minha Memória. Mas pela lição colhida, que poderia ter sido negativa, mas que eu apreendi de forma positiva, para "memória futura"...

FIM

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