Loreena McKennitt - Dante's Prayer

quarta-feira, setembro 29, 2004

Primeiro Amor - parte IV

Recordo-me que da primeira vez que os meus Pais me deixaram na Quinta para passar férias devia ter os meus seis anos de idade. O Dr. Damas Mora, médico da antiga Junta Geral dos Distritos, na Rua Capelo, em Lisboa, quase em frente às antigas instalações da Rádio Renascença, detectou-me uns gânglios nos pulmões e como tal a par da prescrição medicamentosa, recomendou contacto com o ar puro campestre. E foi essa a razão principal das minhas idas para a Quinta.

Já contei que os quartos lá da casa, ficavam paredes meias com o estábulo da mulas. Acontece que por causa disso, as primeiras noites lá passadas foram para mim um bocado dolorosas. Quantas vezes chamei pelo meu Tio, dizendo que andava gente a rondar (expressão actual) a casa, pois ouvia barulhos com frequência, junto à parede do quarto onde dormia. O Tio Zé levantava-se a resmungar, dava a volta à Casa e dizia que não estava ali ninguém. Até que chegaram à conclusão, de que os barulhos de que eu me queixava, eram provocados pelas mulas, presas a manjedoura por umas cordas que terminavam num nó nas argolas de ferro incrustadas na parede da manjedoura. Os animais ao comerem moviam as cordas que imprimiam um batimento intermitente das argolas contra a parede de cimento, que ecoavam pela madrugada campestre, martelando os ouvidos e provocando o sabor do medo num menino citadino.

O ritmo de Vida na Quinta era muito calmo e rotineiro. Por vezes aparecia uma, ou outra pessoa. Dois dedos de conversa, por vezes um petisco, um copo de vinho e passado algum tempo de fugaz convívio, seguiam o seu caminho. Entre os passantes, contavam-se alguns caçadores. Um dia apareceram lá dois. Um deles tinha sido alvo de um percalço provocado por um colega caçador. Levou com uns chumbos de raspão. Mas isso não obstou para que não se sentasse à mesa plantada na parte exterior e em frente à porta de entrada da Casa, colocada sob um frondoso sobreiro, o que proporcionava aos que se sentavam frente a ela, uma agradável sensação de bem estar, com os ramos da arvore Amiga a protegerem-nos da canícula, como braços estendidos pela Mãe Natureza para nos abraçar. Como é que, com toda esta envolvência ambiental, o caçador ferido, havia de resistir a sentar-se àquela mesa, comer um petisco e beber uns copitos de vinho?. De quando em vez, queixava-se de um ardor no lado direito do tronco. O que não o impedia de continuar a comer e a beber...

Noutra altura passaram lá, creio que também dois caçadores, que nas suas deambulações, tinham apanhado, não uma peça de caça habitual, mas um ouriço caixeiro. Combinaram com o meu Tio fazer ali um petisco com o espinhoso animal. Foi para mim um momento muito doloroso. Vi o meu Tio sacar da sua pequena e bem afiada navalha. O bicho tinha adoptado a sua postura de defesa habitual enrolando-se. Os outros homens, de mãos protegidas, forçaram o pobre animal a expor o seu lado vulnerável. Então, o meu Tio cravou-lhe a navalha, na parte superior. Não foram gritos de dor. Eram os vagidos de um recém nascido que se entranhavam nos meus ouvidos. Exactamente. Os ouriços caixeiros choram como um bebé perante a morte. Uma experiência muito marcante para o meu desenvolvimento como Ser Humano. Talvez por isso, a Criança que estava a ali a assistir ao degradante espectáculo da Morte, tivesse começado a questionar-se prematuramente sobre os valores da Vida. Também poderia ter provocado efeitos contrários. Pela negativa, não é verdade?.

Certo dia, tinha eu uns 9 ou 10 anos, uma das Netas dos meus Tios, uns anos mais velha, já uma adolescente, que vivia com os Pais em Setúbal, apareceu lá na Quinta. Vinha acompanhada de uma Amiga, também já a entrar na adolescência, mas mais nova, era Ela, a Suzete (nome fictício).

Esguia, olhos azuis, cabelo louro. Tipo celta, o que não era muito vulgar por aquelas paragens, visto estarmos a menos de quarenta quilómetros do Baixo Alentejo, onde a tez mourisca deixou marcas indeléveis.

Foi o fascínio do meu despertar. Foram, o começo dos meus encantos e desencantos...

(continua)

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segunda-feira, setembro 27, 2004

Primeiro Amor - parte III

E os dias iam rolando lá na Quinta. O Sporting era um cão pequeno, negro, muito vivo que me acompanhava para todo o lado. Certo dia, a minha Mãe, simulou uma queda num pequeno declive para testar a reacção dele. O Sporting ficou todo alvoraçado e entre gemidos de aflição, tentava puxa-la pela roupa. Então a minha Mãe lá o sossegou, acarinhando-o e dizendo-lhe que era a brincar.

A minha Mãe era muito brincalhona, pregava algumas partidas inofensivas, só para se divertir. Durante o tempo que permanecia na Quinta antes de me deixar entregue aos cuidados da Tia Ana, divertia-se imenso. Certo dia, sem a intenção de o fazer, provocou uma situação algo caricata protagonizada pelo Moço da quinta. A minha Mãe usava próteses dentarias desde os quarenta e tal anos de idade. Um dia estava ela junto a uma das bicas que brotavam a água do poço para o tanque, a lavar as próteses, pois não havia água canalizada lá na casa, quando o rapaz se aproximou. Após bochechar a boca, colocou as próteses no seu lugar. Foi então que, quando se afastava do tanque olhou para trás e reparou que o jovem trabalhador, puxava os próprios dentes na tentativa de fazer aquilo que tinha visto. Foi então que a minha Mãe soltou umas das suas peculiares e sonoras gargalhadas...

Como estou a falar na minha Mãe, recordei-me agora de outra situação. Nos anos 40 / 50, inspirados pela moda germanofila, no Portugal salazarento, começaram a aparecer nas montras das lojas de vestuário, as calças à "golf ", como então lhe chamavam, por terem um elástico na ponta e que ficavam ajustadas às pernas uns centímetros acima dos tornozelos. Haviam também, calções e calças com peitilho e uns conjuntos de casacos, com um cinto do mesmo tecido e calças ou calções, de cor creme, talvez uma mistura tipo colonial e germanofila. A minha Mãe e outras pessoas, apelidavam estes conjuntos de "balalaicas". Só que, este termo, na gíria popular, também tinha outro significado, pejorativo. Chamavam "balalaicas" aos homossexuais, que nessa época não eram designados assim, mas por invertidos, termo mais "soft" usado nesse tempo, a par de outros mais mordazes.

Um dia em que os meus Pais foram à Quinta para me trazer de volta à nossa Casa, os meus tios, entre muitas outras coisas, disseram-lhes que eu tinha ido a Setúbal, de carroça, como habitualmente, com o Tio Zé, então a minha Mãe, muito naturalmente perguntou: "Foi com o 'balalaica'"?. O Tio Zé, voltou-se com cara de poucos amigos para a minha Mãe e disse: "Com o 'balalaica', que conversa é essa"!? . A minha Mãe desatou-se a rir, apercebendo-se da confusão e calmamente explicou-lhe que aquilo a que ela se referia era ao meu fato novinho que tinha levado na bagagem. Ele lá resmungou qualquer coisa, não sei se convencido com a explicação. Mas garanto-vos que a minha Mãe naquele momento estava completamente inocente...

As viagens de carroça com o Tio Zé eram divertidas, mas ao fim de umas quantas horas a balouçar com o rabo no assento de madeira da carroça, puxada pela possante Russa, deixavam-me um bocado cansado. Saíamos da Quinta em direcção a Setúbal, para onde o meu Tio levava um carregamento de produtos hortícolas para vender, de manhã cedo e regressávamos já de noite. Levávamos farnel. A Russa já conhecia o caminho, a maior parte do qual, o fazia a "velocidade de cruzeiro". De vez em quando, o Tio Zé, sempre de chicote na mão, chegava-o ao dorso. Nesses momentos eu ficava amargurado, em silêncio. Passávamos junto à SAPEC, uma empresa de adubos, situada no caminho para a Cidade e que era praticamente impossível de ignorarmos, dado o cheiro nauseabundo exalado pelas suas chaminés.

Chegados à entrada da Cidade o Tio Zé, parava junto a uma "tasca" para ir tomar o seu "bagacinho". Depois era distribuir os produtos hortícolas pelos destinatários. À hora do almoço comíamos o farnel, mesmo em cima da carroça. Depois de aliviada da carga trazida da Quinta, a carroça aconchegava algumas compras que o meu Tio fazia para suprir as necessidades caseiras e agrícolas. Petróleo, sabão azul e branco, açúcar, farinha, sementes, etc., etc.

Então, era o regresso, metíamo-nos ao caminho pelo fim da tarde, quase noite. A carroça tinha numa das partes laterais, uma lanterna amovível, rectangular, prolongada por um tubo para encaixar e a parte cimeira era parecida com um campanário de igreja. Era alimentada a petróleo, que o meu tio acendia, quando começava a escurecer. Durante os trajectos de ida e volta, o meu Tio sacava do tabaco de onça e das mortalhas, enrolava o tabaco numa mortalha, humedecia-a longitudinalmente com a ponta da língua, seguindo-se o "cerimonial", com o polegar direito a rodar não sei quantas vezes o isqueiro de pederneira e com a mão esquerda em concha, para proteger do vento. Não fazia isto sem que antes olha-se em varias direcções por causa da Guarda. É que nesse tempo e ainda durante muitos anos, era necessário obter uma licença nas Repartições de Finanças, para usar um isqueiro na via pública.

(continua)

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domingo, setembro 26, 2004

Bodas de Ouro

Há 50 anos atrás, em 26 de Setembro de 1954, o Tó e a Mariazinha, casaram-se.

Cinquenta anos depois, conseguiram percorrer os caminhos nem sempre fáceis da Vida.

Há cinquenta anos atrás, este vosso Amigo tinha 11 anos. Um puto, que da janela de um segundo andar da Rua da Adiça, em Alfama, mostrava ufano a fatiota que os Pais lhe tinham comprado para a ocasião, a um Amigo, infelizmente já desaparecido com quarenta e poucos anos.

O Casamento foi celebrado na Sé Patriarcal de Lisboa. Daí a quatro anos nascia a Dulce, a primeira e única filha do Casal. De quem eu, adolescente com quinze anos, fui um ano mais tarde Padrinho e responsável pelo nome de Maria Dulce, por influência da então jovem interprete do filme Frei Luís de Sousa. Essa actriz, foi um dos meus primeiros ídolos cinematográficos.

A Dulce gerou a Vera, actualmente com vinte e quatro primaveras. É uma jovem licenciada em Direito, desde o passado ano.

Hoje, Domingo, 50 anos depois, já com muita gente fora desta Vida, vamos lá estar. Família e Amigos.

O Tó é o meu único Irmão e a Mariazinha, claro está, a minha Cunhada.

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quinta-feira, setembro 23, 2004

Primeiro Amor - parte II

Era uma calma e um silêncio paradisíacos. Ruídos, sons? Só o chilrear dos pássaros, o latir dos cães, o cacarejar das galinhas, e o toc, toc, ,toc, produzido pelos alcatruzes da nora que uma das mulas de olhos vendados accionava com as suas quase infindáveis voltas circulares pelo poço. Por vezes, o Tio Zé, recostado numa espreguiçadeira, com um chicote na mão, erguia-o ameaçando o pobre animal, que mesmo de olhos vendados, pressentia o perigo e andava mais depressa. Outras vezes o meu Tio concretizava mesmo o castigo. Eu ficava deprimido perante aquilo que presenciava.

Em frente, o estábulo do gado bovino , albergava dois tipos de vacas. As designadas de trabalho, castanhas, que executavam os trabalhos da Quinta puxando, aos pares, o carro ou carreta. Por vezes uma delas também trabalhava na nora. Às outras, chamavam-lhe as vacas leiteiras, precisamente porque diariamente lhes iam extrair o leite para dentro de um balde. Eu gostava de estar ali a contemplar os simpáticos animais e era raro perder o "cerimonial" da extracção do leite. O Moço da quinta sentava-se num banco pequeno, friccionava por breves instantes a parte superior das tetas, apertava uma delas e com o primeiro esguicho de leite esfregava as suas próprias mãos para as lavar. Depois começava a mugi-la, alternando, as varias tetas do animal. Normalmente eu levava um copo. Quantas vezes eu bebi o leite morninho, acabado de sair. Diziam que não devia fazer isso, que o leite tinha de ser fervido por causa das bactérias. Mas eu, miúdo que era, nunca liguei a isso e creio que não fiquei com "sequelas" resultantes do consumo de leite não fervido "saído directamente da produtora"...

Se estava bom tempo, à tarde, vestia os calções de banho e toca a mergulhar, no tanque onde o gado ia matar a sede. Quantas vezes eu andava lá a esbracejar e chegava o meu Tio ou o Moço da quinta com os animais para estes beberem pachorrentamente.

A Quinta vizinha, era explorada por uns caseiros, que tinham um filho, mais ou menos da minha idade, meu companheiro de brincadeiras e de passeios, através do campo. Recordo-me que esse rapaz tinha uma deficiência nos polegares de ambas as mãos. Ausência de cartilagens. Quando movia as mãos, fazia-me muita impressão ver os seus dedos polegares dançarem desordenadamente e tentava desviar o olhar. Que será feito dele?. Espero que ainda cá esteja entre nós e de boa saúde.

Varias vezes assisti ao esmagar das uvas no lagar. O meu Tio, um dos Netos o Moço da quinta e mais um ou outro homem, Amigos, descalçavam-se, lavavam os pés num balde e saltavam para dentro do lugar. Eu também participava neste "cerimonial". Enfiavam-me lá dentro e toca pisar. E como me divertia...

Eu percorria toda a Quinta. Tinha todo o tempo do Mundo para o fazer. Uma vez, quanto me dirigia para o eucaliptal deparei com dois homens sentados e encostados a uma das arvores. Creio que chamei um dos meus Primos. Abeirámo-nos deles. Ambos tinham um naco de pão numa das mãos e uma navalha na outra. Cada um tinha o seu saco de pano com um magro farnel e uma cabaça com água. Eram trabalhadores alentejanos, que tinham palmilhado, muitos, muitos quilómetros, para chegar ali. Andavam em demanda de trabalho. Trabalho que lhes era negado no seu Alentejo. Isto vim a compreender alguns anos depois. O meu Primo falou com eles. Concluímos que eram gente de Paz. Alimentamo-los e eles lá prosseguiram o seu caminho.

Antes de terminar o presente episódio e especialmente para os mais jovens e para as Amigas e Amigos brasileiros que têm a paciência de ler os meus escritos, quero referir, que o que relatei no parágrafo anterior, era bastante vulgar de acontecer. Homens e também Mulheres, particularmente do Baixo Alentejo, eram obrigados, a palmilharem quilómetro e quilómetros, à procura do trabalho que lhes era negado nas terras onde nasceram. O Baixo Alentejo, nesse tempo, era uma vasta área pertença de um punhado de latifundiários, que ao invés de se preocuparem em fazer florescer os cereais, dando assim trabalho a toda aquela gente, usavam as suas propriedades como coutadas de caça ou pura e simplesmente as votavam ao abandono.

Após a Revolução dos Cravos, as condições de vida do Povo Alentejano alteram-se para melhor. Passados trinta anos, muitos esqueceram-se ou venderam-se. Mas... fico-me por aqui.

(continua)

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quarta-feira, setembro 22, 2004

Primeiro Amor - parte I

Residi com os meus Pais até quase aos vinte anos, pois a duas semanas exactas de os completar, fui detido e enfiado nas prisões da Pide: no Aljube e em Caxias, durante seis meses. Por motivos políticos, como é evidente. Mas isso é outra história que em devido tempo relatarei.

Morávamos em Alfama, na Rua da Adiça. Eu, os meus Pais e o meu irmão mais velho, até ele se casar.

Naquele tempo, anos 40 / 50, pouca gente tinha automóvel particular e nós, uma família pequeno burguesa, também não usufruímos daquilo que nessa época era considerado um objecto de luxo.

Aos domingos, os meus Pais costumavam levar-me a passear. O meu Irmão, doze anos mais velho, já tinha outros entretenimentos. Íamos várias vezes a Linda-a-Velha, visitar uns tios maternos e os respectivos filhos, os meus primos. Apanhávamos o eléctrico até Algés e daí uma camioneta (hoje diz-se autocarro), para Linda-a-Velha.

Outras vezes íamos até o Aeroporto, ver aterrar e levantar os aviões. Lembro-me que, quando isso acontecia, descíamos do eléctrico no Areeiro e depois ainda nos fartávamos de andar para lá chegar, pois essa zona, nesse tempo, eram uma sucessão de quintas ou de terrenos baldios.

Quando chegava o Verão, íamos visitar uns tios paternos que tinham uma quinta nos arredores de Setúbal. Algumas vezes, eu ficava lá uns quinze dias e os meus Pais regressavam a Lisboa. Lembro-me que chorava quando eles partiam, mas depois tudo voltava à normalidade. Os cães , eram a minha grande companhia e a quem eu devotava a minha amizade e eles retribuíam-me, claro.

A Ti Ana, com o seu carrapito, e a cara marcada por sulcos de uma Vida nada fácil, acarinhava-me muito. O Tio Zé, um homem de estatura médio alta, seco, tez queimada, com o seu fiel chapéu e sempre com cigarro feito de tabaco de onça na boca, durante o dia tratava da quinta, bebia o seu copito pelo meio da faina e à noite quando chegava a hora da janta já ia "bem convidado". Comia pouco, mas "atestava" ainda mais o "depósito". Tirava o tabaco de onça e o papel das mortalhas da algibeira do colete. Cigarro, atrás de cigarro, a cinza caía para cima da mesa. Depois, inevitavelmente punha-se a dormitar, cabeceando e ressonando. Braços sobre a mesa e a cabeça sobre eles. "Zé, vem-te deitar" "já vou". E estas duas frases repetiam-se vezes sem fim, entrecortadas por: "rais parta a mulher, já vou!". E por fim, a paciente Ti Ana lá conseguia que ele fosse para o quarto. Eu dormia no quarto ao lado, paredes meias com o estábulo das mulas. Eram duas, a Russa e outra de que não me recordo o nome, que era cega, "de gota serena" dizia o meu tio. De manhã cedo, ainda escuro era acordado pela tosse "nicotiniana" do meu Tio Zé. Sempre, era um cerimonial "catarronico" e "etílicoloso" de uns pulmões à beira de rebentarem, que durava minutos infindáveis. Ele lá sossegava. Levantava-se, fazia os seus cuidados primários de higiene, comia um naco de pão, umas azeitonas, sorvia café de cevada e um cálice de aguardente para rematar... e lá ia ele à sua Vida e eu reatava o meu sono.

Era uma casa rasteira, cuja metade era ocupada pela estrebaria, cujo portão ficava localizado, na parte lateral do edifício. A entrada para a zona habitacional situava-se na frente, onde se entrava pela cozinha, tendo ao fundo desta o quarto do casal, que tinha ao lado outro quarto, o das visitas, e em frente a este, uma sala. Sob o estábulo, era a adega, que tinha a porta, do lado oposto.

A quinta tinha umas dimensões razoáveis. Não consigo calcular qual seria a sua área, mas recordo-me perfeitamente da sua grande extensão. Em frente à casa principal existia uma pequena casa que servia para guardar, entre outras coisas, alfaias agrícolas. Do lado contrário a esta casita, situava-se o galinheiro. No terreno por baixo do galinheiro, ficava a vacaria. Em frente a esta, o poço envolvido por um pomar enorme, seguido longitudinalmente por uma grande extensão de vinha. Muito perto do poço e novamente em direcção ao edifício principal, dois tanques. Um servia para o gado ir saciar-se e também de piscina, o outro para lavar a roupa. Na parte alta do terreno, uma eira. Seguiam-se uma área descampada e um conjunto de pinheiros e eucaliptos.

E foi neste ambiente bucólico que eu encontrei o meu primeiro Amor.

(continua)

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segunda-feira, setembro 20, 2004

O Mundo do Silêncio

Tu que sofres a dor dos outros
Tornando-a a tua própria dor


Tu que tens momentos de desencanto
Com os outros que te rodeiam


Tu que construis-te um Mundo
Nos Sonhos do teu Imaginário
De Paz, Liberdade e Fraternidade


Tu que segues um caminho de Igualdade
Paralelo ao meu, numa Luta comum
Pela concretização daquilo que sonhámos


Nunca desistas, nunca te vendas, nunca te rendas
Porque a pureza dos nossos Sonhos não tem preço
E este Mundo de Silêncio que por vezes nos assalta
Diluindo as dores da nossa revolta e desencantos
Romperá com a amargura do nosso desespero
Retemperando as nossas forças para a Luta


Porque o fim da Esperança do nosso Sonhar
É cruzar os braços, calar e deixar de Lutar!


Para fairy morgaine em resposta ao seu Poema O Mundo é tão Teu


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sábado, setembro 18, 2004

Para uma Pérola no Atlântico

Tanto Mar
Tanta dor
Tanta lágrima
Para brotar
Tantos Sonhos
Tanto Amor
Que ainda tens
Para ofertar

Para M.P., a propósito do Poema: Há uma Lágrima Escondida

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sexta-feira, setembro 17, 2004

Desencanto

Hoje é daqueles dias em que as coisas não me correm bem nem mal. Pura e simplesmente, não correm, não acontecem, como eu gostaria que corressem ou acontecessem.

Sempre fui um Amigo dedicado àqueles que eu considero dignos da minha Amizade. A única coisa que eu espero em retorno, é pura e simplesmente, o mesmo.

Desculpem-me este desabafo, que estava para aqui engasgado.

É o meu direito ao desencanto. Tenham um bom fim de semana.

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quinta-feira, setembro 16, 2004

Vida versus Morte

A propósito do meu texto Ética, Deontologia e Bom Senso, publicado na passada sexta-feira, dia 10, a minha Amiga Guida deixou lá um comentário, que dada a riqueza do seu conteúdo, decidi com o consentimento da autora, dar-lhe o merecido realce, publicando-o como um novo texto.

Vida é algo indiscutível como Existência, tão subtil quanto palpável e, o seu valor como produto do creado, é indizível.

Mas incutir valores, na actual sociedade, parece ser algo perdido no tempo... e entender, sentir dentro de si, o valor de toda a Vida, parece ser cada vez mais utópico e distante.

Talvez devido a esta postura mundialmente social, se esfumem e descuidem cada vez mais os critérios protectores e defensivos da Vida.

Talvez devido à constante invasão da morte em nossas casas, através dos meios de comunicação social, tenhamos deixado toldar o nosso coração.

Diariamente nos servem morte às refeições e colocam em destaque como amarrotar a Vida. Talvez esta constante visita tenha contribuido para banalizar os nossos conceitos e valores e tenha retirado a nobreza da Vida.

Só quando a Morte bate à nossa porta, levando-nos um ente querido, ou um amigo chegado, é que nos tocamos e damos peso à Vida.

Posto isto, não é de espantar a falta de critérios, a falta de ética, a falta de sensibilidade... Não é de admirar o progressivo egocentrismo social, a falsa defesa dos direitos humanos, a supremacia do poder e isenção de responsabilidade sobre o valor da Vida.

Estranho é, que estejamos falando, agindo e vivendo, como se não fossemos Seres Humanos, todos nós habitados por Vida.


Guida C.

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segunda-feira, setembro 13, 2004

Dois Meses na Blogoesfera

Faz hoje dois meses que iniciei a minha incursão pela Blogoesfera. A 13 de Julho, publiquei o meu primeiro texto (não gosto da expressão anglofona post):

Valsa nas Brumas

Este texto foi dos mais lidos. Apercebi-me disso pelos comentários e pelas mensagens recebidas por correio electrónico.

Seguiram-se outros de temática variada: Prosa de intervenção política e social, de reflexão e também alguma Poesia.

Foi assim que o delineei há dois meses e assim espero continuar enquanto a lucidez não me abandonar. Neste (tenho que usar a expressão...) Blog, enquanto que para tal me restar, como diz o Poeta, um pouco de "engenho e arte", não deixarei passar em claro aquilo que eu considerar graves atentados à dignidade humana. Denunciarei, sempre que disso tiver conhecimento, atropelos à Justiça e todas as figuras oportunistas que pululam por aí.

O nome Fraternidade não foi escolhido por acaso. Desde a minha adolescência que perfilho os ideais da LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE, não para uso de um grupo de iluminados, mas como partilha com todos os meus semelhantes.

E é com este espirito que eu respeito os que não pensam exactamente como eu. Só não tenho, desculpem-me a expressão, "pachorra", para os castradores de consciências, para os ditos homens providência, que através da sua demagogia e porque não reconhece-lo, da sua inteligência ou esperteza, conseguem arrastar multidões, quando estas, mercê das suas condições materiais e naturalmente psicológicas, degradadas, acolhem os Messias, cabecilhas do polvo gigantesco que garrotou as suas próprias Vidas.

Nos Blogs Fraternos coloquei aqueles "links" que me dizem "alguma coisa", independentemente do seu posicionamento ideológico ou reciprocidade de indicação do Fraternidade nesses "sítios". A única diferença é a daqueles que apontam o Fraternidade estarem a negrito e os outros não.

O meu contador, programado para não contar as minhas próprias visitas, passados dois meses, ultrapassou os 1000 visitantes. Uma média diária de 18. Pelo que me é dado aperceber, mais de 20% destas visitas diárias, são de novos visitantes. Penso que é razoável. Gostaria, que no próximo dia 13, no terceiro mês, fosse aumentada a média e não só. Ficaria muito feliz se houvesse mais espirito interventivo sobre os conteúdos do Fraternidade, recebendo mais comentários e mesmo textos em prosa ou poesia, principalmente daqueles meus leitores que não têm paciência para construírem o seu próprio Blog. Podem nesse caso contactar-me através do email ou pelo msn.

Para todos uma expressão muito popular na Beira Baixa:

Bem Hajam!.

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sexta-feira, setembro 10, 2004

Ética, Deontologia e Bom Senso

Aqui, neste Blog, os meus leitores têm encontrado temas variados que vão dos textos de reflexão e intervenção social, à poesia, que, ao fim e ao cabo, não é mais que o expressar de sentimentos internos, motivados pelo nosso estar, perante o mundo exterior.

Nunca, até quando isso era perigoso fazer, me inibi de expressar sob forma oral ou escrita, aquilo que, em consciência, considerava como graves atropelos à Dignidade Humana ou à Ética de procedimentos.

Vem tudo isto a propósito de um assunto, algo delicado, que alguns, talvez apressadamente, venham a classificar de mórbido. Trata-se da questão das Certidões de Óbito.

Quando uma pessoa falece num Hospital, normalmente, o Médico responsável, remete o corpo para os Serviços de Medicina Legal, para que seja efectuada a respectiva autopsia. Assim, os Médicos destes serviços podem determinar com bastante precisão, as causas da morte de determinado indivíduo e, se esses serviços funcionarem de forma correcta, procedem à introdução num banco de dados, de informações preciosas para memória futura. Informações essas que devem ser encaminhadas para os Serviços de Patologia, proporcionando assim uma previsível fonte de Conhecimentos, que talvez venham a salvar muitas Vidas.

A maior parte dos familiares, faz todos os possíveis e impossíveis, para que os seus mortos não sejam submetidos a uma autopsia. Muitos, arreigados a conceitos conservadores, entendem que se está a perturbar o "caminho" daqueles que partiram. Outros, pura e simplesmente, porque querem livrar-se de uma "coisa" incomoda, que são os restos mortais dos seus entes, queridos ou não...

Mas existem outros casos, digamos, delicados, que eu não tenho conhecimento que tenham sido abordados, especialmente pelos meios de comunicação social. São, por exemplo, os casos das pessoas, que falecem nas suas residências.

Pelo que me é dado conhecer, a maior parte das pessoas que falecem em casa, são indivíduos de idade avançada, que vivem sozinhos, ou com os cônjuges, de um modo geral também da mesma faixa etária.

Pelo que eu tenho constatado, é prática corrente dos familiares dos falecidos, contactarem os Médicos assistentes destes e solicitarem-lhes a passagem da respectiva Certidão de Óbito. De igual modo, é usual, os familiares contactarem os serviços de uma funerária, encarregando-se esta, de contactar um médico das suas relações para a emissão do citado documento.

Já coloquei esta questão a uma Médica minha Amiga e colega num Curso que frequento. Disse-me que, quando um Médico segue um doente com regularidade, estando portanto na posse de todo o seu historial clinico, não é de surpreender que emita uma Certidão de Óbito em consciência, mesmo contactado telefonicamente, não ferindo assim a sua ética ou deontologia profissional.

E aqui entra a questão do bom senso. Um doente quando vive acompanhado, pode ser vitima de uma sobre dosagem dos medicamentos prescritos. Por erro do próprio doente ou de quem o acompanha, neste caso de um familiar, por exemplo.

Ora esses erros tanto podem verificar-se por negligência do próprio doente, ou por erro do familiar ou da pessoa encarregada da administração dos farmacos.

Mas ainda podem ocorrer situações mais graves. Como a do suicídio ou a do homicídio. Com ou sem farmacos.

Se o falecido é enterrado ou fica em jazigo, em qualquer altura, face a uma qualquer desconfiança, o corpo poderá ser exumado e fazerem-se os respectivos exames de Medicina Legal.

E quando é cremado?. Sendo essa ou não a vontade do falecido em Vida, como é que se podem dissipar as suspeitas?.

Não pretendo com o teor deste texto fazer juízos de intenção. Nem por em causa a maioria da Classe Médica, que muito respeito, conforme deixei expresso em alguns textos anteriores. Mas há, como em todas as profissões, Profissionais e profissionais.

Termino, deixando um apelo à reflexão sobre um assunto tão delicado como este, especialmente à Ordem dos Médicos e à Ordem dos Advogados. Mas também a todos vós, que tiveram a paciência de ler este texto, peço que expressem a vossa opinião.

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quinta-feira, setembro 09, 2004

Amanhã é sexta-feira






Os meus agradecimentos à Titas por me ter enviado esta imagem.

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Para o Recife, com Fraternidade

Para ti
Que vives
Os teus Sonhos
Com o calor
Tropical
Que te embala
A Fantasia
E te mascara
As angustias
Sussurro-te
Ao ouvido
Uma doce
Melodia
Ofereço-te
O meu ombro
Acaricio
Os teus cabelos
Furtando-te
O Perfume
Do teu olhar
E assim
Mesmo que
A madrugada
Nasça fria
Sentirás o calor
Deste lado
Do Mar


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terça-feira, setembro 07, 2004

Dois Barcos Dois Destinos



Pelorus


Borndiep

Pelorus - Luxuoso iate propriedade do sr. Roman Abramovich, milionário russo.

Borndiep - Pequeno barco propriedade da organização Women on Waves.

O primeiro andou a deambular por portos nacionais por ocasião do Euro 2004. Com segurança privada e sabe-se lá o que mais...

O segundo foi obrigado a permanecer e a balancear-se em águas internacionais, com canhões apontados por vasos de guerra.

O que é vocês, que estão ler este texto, me dizem a isto?.

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segunda-feira, setembro 06, 2004

Reverência ao Destino

Um texto de
Carlos Drumond de Andrade

Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião.

Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá. Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias.

Difícil é encontrar e reflectir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.

Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.

Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso, e com confiança no que diz.

Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.

Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer. Ou ter coragem para fazer.

Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.

Difícil é mentir para o nosso coração.

Fácil é ver o que queremos enxergar.

Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto. Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.

Fácil é dizer "oi" ou "como vai?"

Difícil é dizer adeus. Principalmente quando nos sentimos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...

Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.

Difícil é sentir a energia que é transmitida.

Aquela que toma conta do corpo como uma corrente eléctrica quando tocamos a pessoa certa.

Fácil é querer ser amado.

Difícil é amar completamente só.

Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois.

Amar e se entregar. E aprender a dar valor somente a quem te ama.

Este texto foi-me enviado pela minha Amiga Guida.

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sábado, setembro 04, 2004

Saber Amar é Arte

Amor é
Sempre profundo
Não se procura
Nem se mendiga
Acontece
A cada momento
Em qualquer esquina
Em qualquer parte
Porque
Saber Amar
É Arte


Para Lualil, deste lado do Mar...


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sexta-feira, setembro 03, 2004

Fragância do Norte

Do alto da minha janela, olho para Norte. Pelas minhas narinas vai-se entranhando uma doce fragrância...

Já sei, é o perfume emanado pelo teu olhar.

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quarta-feira, setembro 01, 2004

Women on Waves - Abaixo-Assinado Censurado

A propósito do abaixo assinado colocado a circular na net pelas associações que apoiaram a vinda do navio da Women on Waves, recebi um texto de revolta de uma Amiga, que não resisto em divulgar aqui, por estar de acordo com o seu conteúdo. Entretanto, como poderão constatar, clicando em cima, no titulo deste post, esse abaixo-assinado foi censurado. Como nos tempos negros do nazi-fascismo:

Depois de ontem ter assistido a um debate na TV, onde uma das convidadas era ligada a uma dita associação "pró-vida", manifestando-se contra a lei portuguesa por achar que é demasiado permissiva, pois o aborto deveria ser penalizado em absoluto, mesmo em caso de violação ou risco de vida para a mãe, ou qualquer outra situação, dizendo de seguida que não condena a mulher porque isso pertence aos tribunais (suprema hipocrisia!!!), recebi um e-mail de condenação com um abaixo-assinado condenando a atitude do governo nesta questão, que de imediato reenviei para todos os meus conhecidos e amigos.

Hoje recebi alguns e-mails a favor, outros contra, mas um era especialmente ofensivo para mim e uma enorme revolta me envolveu pelo que resolvi não ficar calada.

Ainda bem que existem diferentes opiniões e ainda bem que podemos expressá-las! Nem sempre foi assim, mas muitos de vocês não viveram isso na pele. Eu vivi!

Esse direito de expressão, no entanto, não significa que alguém tenha o direito de querer impor a sua opinião aos outros, ofendendo até se necessário for! Aí sim, estaríamos a voltar ao totalitarismo daqueles que querem que nem se discuta que é para ninguém ficar esclarecido e assim ninguém ser contra!!!!

Não pretendo expor a minha opinião sobre o aborto em si, pois não acho que seja isso que esteja em causa quanto à posição do Governo Português relativamente ao barco das Women On Waves e o texto do abaixo-assinado.

No entanto, devo dizer para os mais excitados, que dizem que ao reenviar o dito e-mail estou a promover a matança de criancinhas, que hipócritas (ingénuos certamente não) são aqueles que fecham os olhos á prática de abortos clandestinos, pagos a peso de ouro e sem quaisquer condições, de saúde e humanidade, a coberto de governantes, médicos e enfermeiras (que só pretendem enriquecer à custa de quem não pode ter outros recursos), porque esses quando necessitam certamente não recorrem a estes serviços "de baixa categoria" mas sim a clínicas especializadas, bem mais bem equipadas e com todas as condições de assistência, de preferência seguidas de umas belas férias em Espanha, Holanda ou outro qualquer país até onde lhes apeteça viajar, para ultrapassar o trauma...

Pois é, nem todos têm condições para pagar estes luxos tão simples, nem tão pouco para prevenir que a desgraça lhes bata à porta (tomara muitas vezes terem o que comer!), tal como a esmagadora maioria dos portugueses que vivem fora das grandes cidades, não têm acesso a qualquer educação sexual, a qualquer educação e ajuda anticoncepcional, ou a qualquer assistência médica e psicológica pré ou pós gravidez indesejada ou acidental. Ou será que estamos a esquecer que muitas vilas e aldeias portuguesas não têm sequer transporte diário para que as pessoas se possam deslocar à cidade mais próxima (que às vezes ficam a dezenas de quilómetros de distância) para uma simples consulta médica? E será que também estamos a esquecer as escolas que foram encerradas por esse país fora, a telescola que acabou, e as péssimas condições que muitas das nossas crianças têm para conseguir frequentar a escola mais básica?

Mas mesmo em Lisboa, só quem tem recursos financeiros para pagar, tem acesso a muita dessa informação. Desde a idade precoce, que é a única forma de servir uma educação de base. Ser educado num colégio particular não é de certeza o mesmo que ser educado na escola pública... será que também estamos a esquecer isso? Ser atendido numa clínica privada, não é o mesmo que ser atendido no posto clínico mais próximo, no SAP (que muitas vezes nem médicos têm para atender as pessoas) ou no hospital público. Mas isso se calhar também convém esquecemos...

Quanto a educação sexual nas escolas, nem pensar, isso iria exigir uma vontade política que nunca existiu, até porque o obscurantismo é amigo do poder exercido sem oposições!

Campanhas???? Campanhas no nosso país chegam a alguns, e por norma servem muito mais para encher os bolsos a mais uns quantos!

Para além disso, entendo que as campanhas deveriam ser complementares às acções governamentais (concretas e instituídas), e não um substituto conveniente para tapar buracos e granjear mais alguns votos, o que se vem tornando comum na nossa sociedade.

Para uma mudança efectiva e eficaz, necessitaríamos que a educação sexual (como em muitos outros âmbitos) fosse instituída e aplicada desde a escola básica e a diversos níveis a partir daí; que fosse instituída e aplicada nos centros de saúde (se até lá o nosso governo não os fechar todos ou não mandar a maior parte dos médicos embora!). È assim que se mudam mentalidades e se educa de verdade. Mas será isto que governantes e estas associações "pró-vida" querem? Será isto o que a Igreja quer? Será isto que estes apoiantes "revoltados" querem? Mudanças de fundo? Educação de fundo? Preparação para um futuro verdadeiramente esclarecido e portanto com verdadeira prevenção???

Antidemocrata e indigno, por se tratar de uma hipocrisia sem limites, é promover o obscurantismo, não querer que as pessoas sejam esclarecidas, querer esconder que há outras e muito mais simples soluções do que o aborto, a nível físico e nível psicológico, para além do nível financeiro.

Antidemocratas e indignos são os governos fascisantes e seus apoiantes que pretendem que nada se faça em prole do esclarecimento para o bem geral da população, que se permaneça no obscurantismo para que ninguém vá contra as suas próprias opiniões; lutei contra isso antes do 25 de Abril de 1974, e continuarei a lutar sempre e da forma que entender necessária. É que parece que agora temos muito quem gostasse que voltássemos atrás, para que não houvesses qualquer oposição às suas ideias, aos seus desgovernos, à sua corrupção sem limites, às suas imposições, nem que para isso seja necessário mudar leis.... não tenham memória curta, ok?!

Agora fui eu que fiquei sem paciência para tanta estupidez! EU estou mesmo farta de hipocrisias, de mentiras e de fascistas mascarados!!!

Opiniões diferentes, tudo bem, mas não me venham ofender e querer impor seja o que for que eu já sou bastante crescidinha e desde muito criança sempre aprendi a pensar pela minha própria cabeça!

Fernanda G.

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