Loreena McKennitt - Dante's Prayer

segunda-feira, junho 12, 2006

FERNANDO

...Uma homenagem


No dia 24 de Junho, um dia depois de decorrido um mês do falecimento do nosso amigo Fernando Bizarro, os seus amigos e a sua família, vão se juntar, num jantar de convívio, para o relembrar.
O jantar será as 20 horas no Restaurante Alfredo.

Mais informações e inscrições AQUI!

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terça-feira, maio 23, 2006


... (continua)
Colocado por Fernando B. 21.05.2006 às 8:00 pm
e... Hoje (Como me havias pedido amigo)



Sim meu amigo.. continua sim e sempre dentro de cada um de nós. Continua a tua história de luta, de companheirismo, de caminhada... continua tudo o que aprendemos contigo, todos os sorrisos que juntos demos, todas as indignações que passamos ao ver o sofrimento da nossa gente, continua o braço erguido sem jamais se acovardar, continua também a nossa alegria de termos tido o prazer de caminhar ao teu lado, continua os exemplos que nos deixaste.. continua a tua vida dentro das nossas vidas!



"Estás ainda aí, não estás? Olha, hoje não te digo mesmo nada... Deixo-te apenas o abraço do costume.”
OrCa

“Fernando, nunca te esquecerei, o teu carinho para com a minha pessoa. Descansa em paz amigo.”
“Fernando paz á tua alma.”
Adrika

“...caro amigo...que passas-te para o Oriente Eterno...um abraço fraterno de até sempre... “
Geosapiens

“Meu querido pai espiritual,
Estou com o teu neto ao colo a escrever-te estas últimas palavras.
A minha dor infinita, impossivel de exprimir por palavras, é brutalmanete grande, mas nunca comparável ao grande amor e apreço que sempre senti por ti.
Ao Grande homem que sempre foste e sempre serás, que a tua alma permaneça em paz!”
Elsa Pereira

“Só hoje soube da tua morte.
Que tenhas a paz e a serenidade que mereces.
Um beijo e até sempre”
Mar

“Que R.I.P.”
wind

“E o que dizer quando nos deixa um Grande Homem, com quem muitas vezes discordámos mas que sempre respeitámos?
Descansa em Paz, Fernando.”
travessias

“.. meu amigo, meu mago,
Continuo aqui de braços abertos..
beijos”
lualil

“Vim deixar-te o meu abraço, meu Amigo e um dia nos reencontraremos. Beijo.”
Menina_marota

“Um beijo doce para ti estejas onde estiveres.”
dulce

"Como agradecimento da partilha, deixamos-te um beijo doce envolto em lágrimas salgadas."
Mar Revolto/Mar Azul

"Querido Amigo e Compadre. Continuaremos sempre as nossas tertúlias à volta do sentir do Povo. Um abraço grande. "
Victor

"Vemo-nos um dia, meu amigo... "
Gnm

"Acredito que haverá um suspiro do outro lado que permanecerá... "
Eli

"Partiste, meu amigo...Mas sei que encontro um pouco de ti mesmo em tudo aquilo que fizeste, em tudo aquilo que acreditaste, na caminhada que fizemos, nos sonhos de um país novo que um dia tivemos...A luta continua. Que a tua vida sirva de exemplo e de estímulo para todos os que ainda continuam a caminhada...Até sempre, camarada!"
José Gomes

"Pois camarada, e ainda hoje de manhã "desanquei" em ti que me fartei... mas sabes que a malta só "desanca" nos que são mesmo amigos.Eras um homem bom, justo, íntegro e o amor e o abraço universal também era o teu lema, nisso caminhávamos lado a lado meu irmão, a única coisa em que divergíamos era na minha crença na luz e na tua laicicidade pura, assim sendo tenho a dizer mais o seguinte: Que o Senhor Jeus, no último dia, se lembre dos predicados que eu acima mencionei e te receba na sua infinita misericórdia e bondade. Até lá meu amigo."
Zeca da Nau

"Chegou a tua hora companheiro. Empreendeste a viagem sem regresso.Descansa em paz e até sempre,amigo.Um abraço. "
amigo de alex

“Adeus camarata escreve-nos sempre que te apetecer, porque ouviremos sempre os teus segredos. ATÉ SEMPRE AMIGO!
Friedrich

“Cabe-nos a nós que ficamos, pegar no estandarte e continuar o caminho, o caminho da FRATERNIDADE, da solidariedade.
O caminho da liberdade.”
Alegrao

“ Querido Pai,
Nada melhor que estes lindos versos para exprimir aquilo que de melhor sabias fazer: Ser Amigo.
Sei que estavas a sofrer muito, daí as tuas palvras de revolta. Como é evidente, estás perdoado. Como filha sempre te perdoei e entendi. E amei.
Obrigado por te ter conhecido, obrigado por me teres ensinado tanta coisa bonita.
Elsa

"Amigo
Maior que o pensamento
Por essa estrada amigo vem
Não percas tempo que o vento
É meu amigo também

Em terras
Em todas as fronteiras
Seja benvindo quem vier por bem
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também

Aqueles
Aqueles que ficaram
(Em toda a parte todo o mundo tem)
Em sonhos me visitaram
Traz outro amigo também"
(José Afonso)

“Querido amigo, que a Fraternidade continue. obrigada por estares sempre presente.
Um beijo eterno”
Lúcia*

“Doce amigo... ha anos perdi meu pai e doeu muito... hoje recebi a noticia que havias partido tambem, para fazer companhia a todos os que amo que me deixaram sozinhas aqui neste mundo tao cheio de incompreensoes.. Ai, amigo, queria dizer-te tantas coisas, e, no entanto, nao ha nada a dizer, so o silencio da dor e da saudade que agora se faz vazio em meu coracao, em minh'alma... hoje a blogosfera esta mais triste, como o meu sorriso que teima em nao sair... deixo-te, no entanto, flores para adornar a tua nova caminhada e muitos beijos de saudade intensa...
Descansa em paz, Fernando amigo, homem de bem, de coragem e perseveranca na crenca de um ser humano melhor!
Que Deus seja o teu Guia, hoje e sempre!”
Carmem Lucia Vilanova

“Meu querido amigo, estejas onde estiveres quero agradecer-te toda a partilha, e agradecer-te o previlégio de te ter conhecido pessoalmente. Nem me deste tempo de me despedir, garanto-te que viverás sempre dentro do coração daqueles que te conheceram. Vai em paz amigo e como já alguém aqui disse, escreve, escreve sempre, a gente ouve-te. Abraço apertado Merlim “
Micas

“Que descanse em Paz e me perdoe um comentário ou outro mais azedo. A culpa é da política. E não vale a pena guerrearmos por ela. Abraço forte a uma boa alma.
Agradeço a quem me enviou um sms e se assina JC.”
jmteles da Silva

“...o último abraço para ti Fernando
...descansa em paz “
Lobices

“Até sempre, Fernando. Os beijos doces que recebi, entrego-tos com o meu coração apertado nesta dor. “
Paula raposo

"De pé, de pé ó companheiro!
De pé e punho levantado!
O que morreu é o primeiro
A estar de pé ao nosso lado.
Até sempre Camarada! "
Escrevi

“sei k estás por aqui e como a vida é um aceno breve fraternalmente digo-te : até já, amigo. “
Tmara

“Partiste sem avisar e eu nem pude despedir-me...
Deixo aqui duas palavras: desculpa e obrigada.
Desculpa as nossas discordâncias.
Obrigada por tudo o que me deste.
Cravos, muitos cravos vermelhos, como tu gostavas e que certamente te farão sentir feliz no local para onde foste.
Até sempre! “
Júlia Coutinho

“Não acredito!!!
Não acredito!!!
Não acredito!!! “

Ainda mal refeito da notícia que nunca julguei encontrar, com um nó atravessado na garganta e os olhos rasos de lembranças e palavras que dissemos e trocámos, transcrevo-te:

"E aqueles que conheceram bem Merlin e que serviram Uther Pendragon foram ter com o Rei e disseram-lhe: 'Senhor, honrai muito Merlin pois ele foi um grande profeta para o vosso pai e sempre amou muito a vossa família. Ele prognosticou a Vertiger a sua morte e foi ele quem fez a Távola Redonda. Agora, certificai-vos se ele é bem honrado, pois nunca lhe perguntareis nada que ele não vos tenha já dito. E Arthur respondeu que assim o faria."
Eu também o faço. “
Eduardo

“Querido Fernando,
aquele abraço para além da eternidade!!!
Na amizade virtual e real...
a separação, não existe...
é só uma questão de...estado...
na...realidade!!!
Até sempre.”
A sonhadora

“Para a família que chora a perda, vai o meu abraço de solidariedade na dor.
Para o Fernando amigo, a recordação dos momentos de amizade que serão perenes.”
Dad

“vim sentir-te, entre as tuas palavras e será um até já
um abraço para ti, para alé do que é eterno
uma certeza que continuas dento de dada um”
Palavras que escrevo

“Meu querido amigo e companheiro de tantas caminhadas, haveremos de encontrar-nos!... até um dia destes!!!
Estejas onde estiveres, espero que sintas o meu abraço!...”
Frog

“Um grande e fraterno abraço na despedida.”
Augustom

“Amigo esquecer-te é-me impossivél.
Descansa em paz Fernando. “
Adryca

“Amigo de meu Amigo, meu Amigo é.
Não tendo tido a oportunidade de conhecer pessoalmente o Fernando Bizarro, faço por Solidariedade também minha, a pena dos familiares e amigos, desejando-lhe o repouso em Paz.
Até sempre. “
Rui @t blog

“Embora usando uma fórmula convencional, não quero deixar de apresentar as minhas condolências aos familiares.”
António (Castilho Dias)

“daqui, de muito longe, envio-te o meu abraço nem sempre fraterno.
pedi aos meus que te acolhessem. eles disseram que sim...

Quando a cabeça tomba para trás e suavemente repousa no ar
como se repousasse num regaço, de uma avó, de uma coisa assim,
lembra-se de pormenores dos filmes do cine-clube, ninguém
tinha reparado nos traços de um jacto atravessando os céus, podia
lá ser, no tempo do quixote da mancha. Este miúdo vai longe.

Quando a inequívoca fotografia diz que não é mentira seres tu
o único que não ia descalço à escola, não diz senão isso. Os rostos,
todos, muito sérios e tristes, olhavam para um ponto distante
por trás do fotógrafo, de nós só aquilo restaria, aquele momento
que sempre nos disseram ter acontecido. E deve ter acontecido,
embora, olhando bem para mim não vislumbre nada de mim. .

Não se notaria nenhuma diferença se eu fosse outro nesta fotografia
ou se aqueles rapazes estivessem todos calçados, se naquele tempo
nos perguntassem o que era o amor, apontávamos para cima, onde estavam
os pais, era uma pergunta difícil, talvez eles soubessem responder.
Éramos companheiros com os braços por cima uns dos outros para a escola
e quando um lagarto se assanhava à nossa frente ninguém se assustava.

escolhi um poema do Helder Moura Pereira”
Blackangel

“Para a família e amigos fica aqui o meu abraço de solidariedade.
Para ti "hasta siempre".”
Ognid

Fernando,
”...porque não te "conheci" antes de teres feito a viagem!?...
Porque me cruzei contigo na partida!?...
Saberás que estou aqui e triste mesmo sem te ter "conhecido"!?...
A dor dos teus amigos é tb a minha dor neste momento...
Deixo-te um abraço de carinho e um dia...talvez te conheça de verdade...
Até lá muita Paz e Luz para Ti!!! “
Margusta

“a mim parece-me um sonho mau... o senhor que via nas feiras de artesanato com as suas peças das lendas celtas de artur que eu tanto gostava mas que não tinha dinheiro para comprar. o senhor que via conversar com a minha mãe e que eu achava tão fofinho com a sua barbinha e seu ar de velhote sem o ser. sim, que o querido fernando bizarro pode ter todos os nomes, mas lá velhote é que não era, pelo menos no coração. velhote só se for mesmo de sabedoria. o senhor bizarro, como todos lhe chamavamos, que encontrei por acaso na blogosfera e me chamava carinhosamente amiga birboleta. diga-me que é só um sonho senhor bizarro, diga lá. ainda quero vê-lo tantas vezes. e mesmo que não o encontre nesta vida, encontrá-lo-ei certamente noutra.”
Isa Xana

“Nas tais ocasiões em que não sabemos o que dizer,curvo-me perante o ser humano ímpar que partiu cedo.
Partiu mas não nos deixou.
Caro Amigo Fernando, até um dia. “
Repórter

“O Fernando sempre foi um amigo fraterno. Cultivava a amizade sem qualquer intenção para além dela própria.
Mas ele não morreu, porque continuará vivo na nossa memória por muitos anos.
Até já Fernando. Se houver alguma coisa para além da morte vamos continuar o que nos une, tal como o fizemos através dos blogues. Nem vou retirar o teu link para não te perder.
Os meus sentidos pêsames à família.”
Nilson

“um abraço... “
Mixtu

“Meu amigo do sorriso caloroso e bonacheirão...
Deixo-te um abraço já de muita saudade, Fernando.”
Mitsou

“À sua família, as minhas sentidas condolências.”
Alberto Oliveira

“...continua...
...tu melhor sabes que continua...
...um abraço fraternal... “
Geosapiens

“hasta la vista, meu amigo.”
Fernanda

“Um grande Homem nunca morre: Transforma-se em consciência, para melhor chegar a todos nós, para melhor nos transmitir toda a sua sabedoria, toda a sua serenidade, toda a sua imensa ternura. É assim que vives agora, Fernando: Bem dentro de nós, com o esplendor de um cravo vermelho sempre em flor! Bem hajas por tocares desta forma os corações e as Almas de tanta gente. “
Sandra Feliciano

“A luta continua...”
Amigona

“ Fernando
Ter-te conhecido, admirado e sentido todas as tuas qualidades, perpetuar-te-à no tempo e no pensamento, ainda que por breves tivessem sido esses momentos.
Obrigado pela Amizade.
Agora, descansa em Paz. Até breve.”
Antonio Afonso

“Pelos laços criados
Pela nossa grande Amizade
Pelo movimento fraterno e solidário
Pela força na luta que travaste no teu percurso
Pelo belo ser humano que sempre foste
Te deixo uma rosa de lágrimas
Até Sempre
Meu Amigo Fernando
À Família que ele tanto amava, o meu sentido respeito.”
Amita

“estou sem palavras. temos que partir, mas custa. ficas sempre como o meu Fraternidades.”
seila

“Um abraço sentido Fernando, estejas onde estiveres.”
Lobo das Estepes(fernando)

“Não te conhecia destas "lides" mas, lendo um pouco daquilo que deixaste, verifico que eras uma pessoa esclarecida. Eras, nesta vida, porque "nessa", onde agora te encontras, és o Ser de Luz que já não tem quaisquer dúvidas sobre a Vida e sobre a Existência.
Hoje, estás em Deus, a um outro nível de consciência!
Pena que não tivesses completado, para nós, a tua opinião sobre Fátima...”
Amaral

“O Fernando estava guardado nos "preguinhos e tachas" onde junto os mais brandos...e agora...”
hammer

“Conheci o blog de Fernando há uns poucos meses atrás.
Muito do que lá li me fez sentir em casa.
Obrigado pela partilha e que esta passagem seja o "menos pesada possível" para a familia e amigos que com ele conviveram.
Nunca se pode quantificar a dor, muito menos a nossa.
As minhas sentidas condolências.
Permitam-me um abraço fraternal.”
Domingos Braga

“Não conheci bem o Fernando, mas tinha dele a ideia de um homem de causas, um lutador e, afinal, também um homem empenhado nas questões da blogoesfera.
Deixo o meu abraço à família e a todos os amigos chegados. Que descanse em paz!”
lique

“para o Fernando

De Abril feito

De Abril feito e aprendido
Da liberdade, desprevenido,
rasgou-se o adesivo
a cola das palavras...
hoje fazem-te esquecido
do momento da euforia
mas, sou como cão a quem se tira trela
e corre desalmado...
Até mesmo o pulmão
Se encheu de outro ar
o céu que não era azul
a noite negra e feia que se foi
disse adeus ao papão
foi um ar que lhe deu...
Abril que te querem esquecido
Feito de pensamento bravo
Foi manso sem arma, vivido
Venceu, apenas, com um cravo...

ossobo”
oisaubeau

“AMIGO

SEMPRE FOSTE UM SONHADOR

FIZESTE DO SONHO E DA FANTASIA AS TUAS BANDEIRAS ALIMENTANDO E TORNANDO POSSIVEIS OS NOSSOS PRÓPRIOS SONHOS E FANTASIAS.

NESSE TEU MUNDO DE FANTASIA ULTRAPASSASTE MUITAS BARREIRAS E "CRIASTE" AMIGOS VERDADEIROS COMO EU.

ADEUS AMIGO E ATÉ UM DIA SEJA ONDE FOR...”
CARLOS PEREIRA

“Segundo entendi, descobri este blog tarde demais...
Paz à sua alma (se é que ela existe), camarada Fernando!”
Gabriel de Sousa

“Um até sempre!
Obrigada pela simpatia e pelas boas palavras.Que mais se poderá dizer?”
joaninha

“De negro, como estas palavras, se vestiu o meu coração ao tomar conhecimento do infausto acontecimento. E de respeitoso silêncio, pela verticalidade, honestidade, pureza de carácter e sabedoria deste Homem Bom.
Apresento, à sua Família, as minhas sentidas condolências.”
Luís Manuel

“Eu não conhecia o Fernando, nem sequer de forma virtual, não era frequentadora do seu blog, nem sei porquê, mas nunca aconteceu cruzarmo-nos, e hoje...ao visitar outro blog, encontro esta triste notícia.
Vim directamente para o seu blog e aqui me detive mais de 1 hora a ler as suas palavras e, fiquei muito emocionada com o que o Fernando escreveu, no dia 21 de Abril deste ano:
«OIÇAM COMO EU RESPIRO»...
Fernando, descansa em Paz.
As minhas condolências a toda a sua família.”
Kalinka

“não me esquecerei do dia em que me chamaste filha...
um beijinho muito grande. sei que estás bem.
vê se encontras aquele que tu sabes...
muito amor para a tua Família”
Patricia (Tintapermanente)

“Sem nunca te ter conhecido, a não ser através das palavras que aqui lia e dos gestos que sabia serem os teus, vou sentir a tua falta. Por que são sempre os melhores a partir?
Um abraço solidário a todos , em especial à Família.”
Ana

“LOL, merlin, que *os pássaros quando morrem caem no céu*.”
Blimunda

“Sei que não é altura, mas é neste momento que sinto vontade de falar, com quem ficou ligado ao Fernando com laços que nunca se rompem, por muitos anos que passem.
Ele foi mas tu estás aí, continua com este cantinho...Fala-nos de ti. Deixa-nos ter-te como herança do Fernando, escreve para nós, eu prometo ser tua leitora tua amiga estar sempre ao teu lado. Eu e o Fernando, não comungávamos das mesmas ideologias, nem politicas nem na fé, mas eu gostava dele. Acredito que a descendente dele seja uma pessoa maravilhosa. Deixa-me conhecer-te mesmo que virtualmente, escreve para mim e para todos os que gostávamos do Fernando. Sei que a esposa dele faz anos no dia 26 de Maio, amanhã cá estarei a dar-lhe os parabéns. Peço que n/ abandonem este canto que ele criou, e alimentou com as ideias deles...Umas vezes aos meus olhos lindas, outras muito contestatárias, mas era a maneira de ele pensar, e eu sempre respeitei as opiniões dele, era o espaço dele como tal ele escrevia o que achava de acordo com o seu pensar. Ainda hoje ouvi uma mensagem dele de voz deixada para mim no meu telemóvel na minha caixa de mensagens, onde dizia que queria conversar comigo acerca de um post que queria escrever no crepúsculo. Já não foi a tempo, Mas, que o Fernando do Fraternidades descanse em paz… Continua por favor Elsa. Um abraço amiga”
Adryka

“Sei muito bem que é uma hora triste e soube-o agora.
Não o conhecia mas sei que o Sr. Fernando e o meu avô falavam de mim por causa dos blogs e faziam comparações àcerca dos netos que ele adorava. Alguns são da minha idade, isso sei.
Para eles o meu beijinho de conforto juntando-me à restante famíla nesta hora de tristeza. “
Thita

“Peço desculpa, mas não sei onde li que te chamarias Elsa (Filha ) do Nosso saudoso e finado amigo.”
Adryka

Fernando, fica-me o desgosto, das tantas vezes que me convidaste para confraternizar, nos teus almoços do Fraternidade, eu nunca ter podido comparecer. Mas ficam na memória as nossas conversas no MSN e ficam para a posteridade as palavras que aqui escreveste. Um último abraço e que descanses em paz!”
Predatado (vitor Fernandes)

“então, um sino dobrou nas alas do caminho.
o pintor brindou a luz do girassol.
os lobos uivaram no aulido do vento.
as cigarras cantaram, apesar da amargura.
e os poetas vieram no timbre do dia
herdar-te as asas da utopia.”
O fogo que fraga ferra

“ Para ti, Fernando

Alma que nunca soube o que é pecar...
Olhos em que jamais houve um pedir...
Peito que nunca teve p'ra explodir...
Mãos que não se habituam a afagar...

Rosto que envelheceu sem nunca amar...
Lábios que não se atrevem a sorrir...
Gente que sempre sabe por onde ir...
Mais lhes valera para sempre errar!

Que loucuras, pecados, e ideais,
São nossa humanidade!...É tudo amor!...
É tudo vida, sim! Nada é baixeza

Quando é feito delágrimas...calor!...
Que Deus, se nos quisesse só pureza,
Não noa daria um peito sonhador!

Este poema é meu e é um original, escrito há muitos anos, no tempo em que se lutava pela Liberdade

Com a minha amizade incondicional.

Para a tua família digo Amor...”
A rapariga

“ Até sempre, querido Amigo!!
À família, as minhas condolências.”
Lucilia

“ Fernando, bem sabes que te estamos gratos e fica sabendo, de sabedoria certa, que não te esqueceremos.”
Firmino Mendes

“ A todos os entes queridos do falecido as minhas condolências. Que a vida deste combatente da liberdade não tenha sido em vão. A luta continua.”
Henrique

"Embora não tivessemos tido um contacto muito estreito, foi com um grande choque que lemos a notícia no blog da Menina Marota. Conhecêmo-la na festa de aniversário do Fraternidade, tal como a Wind, a Mitsou, o Lobices e tantos outros. Promover o convívio entre os habitantes da blogosfera e ajudar os menos experientes a entrar nela, pelo que pudémos conhecer do Fernando, parece-nos que era para ele mais do que um simples hobby. Como escreve o comentador anterior, certamente que não será esquecido.
Enviamos condolências à família e para o Fernando também o nosso até sempre.”
Pamina e Viktor

“Soube hoje que o nosso Fernando partiu. O Fernando era co-Autor do Blog Ser Humano(serhumano.blog.com). E assim continuará por ser um direito adquirido. Na realidade, todos os que fomos tocados pelo Fernando têm agora mais um Amigo lá em cima a torcer por nós. Paz”
Blue C

Só agora me apercebi de que o Fernando partiu.Choro neste momento a dor que me vai na alma...Obrigado Fernando por tudo que nos deixaste.Um dia disseste-me que tinhas afinidades com Teomil terra perto da minha e que um dia me farias uma visita...não a cumpriste coisa rara em ti.Fica em Paz caro amigo. Deste teu amigo Agostinho.
Agostinho

Fico com pena de so ter conhecido o blog hoje...mas vou voltar.
Isa

Soube hoje que partiste.Soube apenas hoje...Tenho a certeza que fiquei/ficámos, bem pior com a tua partida.
Tenho tantas saudades tuas...recordo com saudade os nossos cafés onde trocávamos conhecimentos com um sorriso nas nossas caras.Beijinho muito grande à Mira,Sandra e respectivos netos!
Até sempre meu amigo...
Hugo Guerreiro

Até sempre, AMIGO!
@ngel@

Há pouco soube o que se passou...
Não é preciso conhecer um pessoa pessoalmente para sentir amizade e amor por ela.
Desculpa se não comentei todos os artigos que me mandavas por mail. Eu lia-os mas às vezes não me apetecia deixar comentário por preguiça. Desculpa meu amigo.
Que estejas em Paz.
À família as minhas sentidas condolências.
Anabela

Até um dia...
Águas da vida

Um abraço e canto João José Cochofel porque sei que gostarias de ouvir.

Vozes ao alto, vozes ao alto,
Unidos como os dedos da mão,
Havemos de chegar ao fim da estrada
Ao Sol desta canção.

Aqueles qu se percam pelo caminho
Que importa voltarão ao nosso brado
Porque nenhum de nós anda sózinho
E até os mortos vão ao nosso lado.

Um abraço fraterno.
Maria Papoila

Só agora me apercebi de que o Fernando partiu.Choro neste momento a dor que me vai na alma...Obrigado Fernando por tudo que nos deixaste.Um dia disseste-me que tinhas afinidades com Teomil terra perto da minha e que um dia me farias uma visita...não a cumpriste coisa rara em ti.Fica em Paz caro amigo.
Deste teu amigo Agostinho.

Não posso dizer Adeus... viverá num cantinho do meu coração!
Delfin Peixoto

É-me sempre difícil o adeus... por mais q tente n sei aceitar o fim...
Lembro-te pleno de vida e com uma força interior difícil de igualar... é isso q vou querer lembrar sempre!
E aqui fica a saudade e um último beijo...
Cris

Não choremos por o termos perdido, mas sim festejemos por o termos tido...
Maria dos Açores

A morte é uma continuidade, não um fim, assim não fosse e eu não teria átomos de gaivota, de acácias rubras e de dinossauros misturados no olhar…
In “ apontamentos para um manual da serenidade”,para um “manual de catalogação da transformação genética do sentir”, ou a forma mais rápida de assumirmos que somos um ponto de uma linha que não terá fim , ou ainda como se desenha a órbita da vida…
um abraço em forma de um até já
Almaro

Nunca os nossos caminhos se cruzaram, mas a dor dos nossos amigos é a nossa dor.
Até sempre amigo Fernando!
Arte em movimento

Fiquei a saber agora da tua inesperada partida...
Quando um verso
nasce tecido na minha linguagem
deixo de girar – sinto a nudez do céu
Há palavras minhas
que partem em viagem...

Há nestes gestos, em tudo isto
cores que ficam ao abandono
Um começo de saudade
um – porquê!!!
O início d`Outono
muito antes do Outono.

Aquele abraço Fraterno amigo Fernando.
Betty Branco Martins

Fernando Bizarro
Não conhecia pessoalmente Fernando Bizarro. Correspondia-me com o Fernando por e-mail e partiu dele o convite para participar no blog “Alfama é linda” http://alfamalinda.blogspot.com/ .
Ainda há pouco, quando decidi retomar o meu blog, visitei o Alfama é linda e reparei que não estava actualizado desde Janeiro. Mas o Fernando deixou lá uma última mensagem em jeito de despida e eu não entendia a razão para ele a ter colocado. Agora entendo-te camarada! A mãe terra, porque sempre lutaste por preservar, chamou-te e o teu texto é um grito e um legado que nos deixaste.
Saudades
Rogério Simões
Viva a Liberdade e a fraternidade. A luta continua.

O António era um homem notável: barbeiro de profissão e médico-enfermeiro nas horas vagas.
António, buscou o saber nos velhos livros de medicina, e, porque era letrado – poucos na sua Aldeia aprenderam a escrever – lia e escrevia as cartas do povo que não sabia ler nem escrever.
Mas o António “Barbeiro” gostava de ouvir! (Os barbeiros escutam sempre e nem sussurram as confidências!), e mal tarde tardasse a noite, pé ante pé como se fosse um salteador, acendia o velho aparelho de novo que sintonizava a Rádio Moscovo.
António era um homem prevenido. À noite colocava por cima do rádio um copo de água e se no silêncio das quatro paredes a telefonia emitisse uns silvos esquisitos, baixava o som até quase não ouvir:
- Não viesse por ali algum “bufo” para o denunciar e agente da polícia politica para o levar.
Mas o “Barbeiro” que sabia tanto… procurava descobrir na onda curta, da telefonia, o que as emissoras oficiais não lhes contavam.
Foi assim que ouviu dizer, aos comunistas, que iriam libertar o povo e que as mulheres iriam votar…
Talvez por isso, o António, barbeiro de profissão, enfermeiro e escritor nas horas vagas, escrevia “abusivamente” nas entrelinhas, algumas linhas, com recados pessoais para quem eram dirigidas as cartas.
Certa noite de intensa tempestade o António Barbeiro desapareceu e ninguém mais o viu vivo!
Dizem na Aldeia que conhecia os caminhos como ninguém…
ETERNA SAUDADE,
Rogério Simões.

Até todo o sempre Fernando, com solidariedade fraterna.
Dilbert

Há amigos que nunca morrem.
Pelo menos para mim não morrem.
Vejo o teu partir apenas como um "adeus até breve" e ficam-me na memória os risos, os prantos, os sons das palavras ditas e os silêncios das palavras presentidas, os abraços trocados e os sentimentos que nos uniram por um tempo dos caminhos cruzados nas nossas vidas.
Adeus Fernando e até breve!
Leonilde

Nem posso crer. Lembro-me de comentar o artigo:“E Depois do Adeus”.
Não tenho muito que dizer. Fui apanhada de repente.Soube no blog Babushka agorinha mesmo...
Anabela

Se perguntares ao zéfiro
e às flores onde estou,
eles te dirão que parti.
Que parti nos flancos turvos
do cedo de uma manhã de maio,
por entre as cintilações do orvalho
ainda com sabor a cravos.
E estes te dirão, num sopro
de brisa, e em segredo,
que no seu coração habito
desde sempre,
e para sempre permaneço.
Zenite


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domingo, maio 21, 2006

Os três Pastorinhos (II)

II – A experiência escutista e as minhas primeiras dúvidas


Sofrimento – purificação do pecado

"O argumento cristão habitual é que o sofrimento, neste mundo, constitui uma purificação do pecado, sendo assim, uma boa coisa. Tal argumento não passa, naturalmente de uma racionalização do sadismo; seja, porém, como for, é um argumento muito fraco. Eu convidaria qualquer cristão a que me acompanhasse ao pavilhão infantil de um hospital, a fim de observar o sofrimento que é lá suportado, para ver se continuaria a afirmar que aquelas crianças eram tão corruptas, moralmente, a ponto de merecerem o que estavam sofrendo. Para que possa dizer tal coisa, um homem tem que destruir em si mesmo todos os sentimentos de misericórdia e de compaixão. Deve, em suma, tornar-se tão cruel como o Deus em que crê. Homem algum que acredite ser para o bem tudo o que acontece neste mundo de sofrimento poderá manter intactos os seus valores morais, já que está sempre encontrando escusas para a dor e a miséria".


Bertrand Russell. Porque não sou cristão. Brasília Editora, Porto

Após o meu regresso dessa minha incursão por alguns dos bastidores do Santuário de Fátima prossegui com a minha actividade de escuteiro.

Reuniões na sede do Agrupamento a que pertencia, aprendendo com os mais velhos a história do movimento criado pelo General inglês Baden-Powell (1857-1941) em 1907. Para além desta formação teórica aprendíamos a executar os célebres nós com as cordas de sisal, armar uma tenda, etc., etc.

Acampamentos e os seus belos “fogos de Campo”, em que ao redor de uma fogueira cantávamos, contávamos histórias e improvisávamos pequenas peças de teatro.

De 17 a 27 de Agosto de 1956, tinha eu 13 anos de idade, participei com o meu Agrupamento, no X Acampamento Nacional que se realizou em Avintes. Foi a primeira vez que tive a oportunidade de visitar a bela cidade do Porto.

Proporcionaram-nos um excelente passeio fluvial entre as duas margens do mítico Douro. Este passeio ficou ensombrado quando um pequeno bote se aproximou do barco tradicional que nos transportava e o barqueiro berrando na nossa direcção: “Está aí “fulano”? “É para dizer que a mãe dele morreu”. Dito mais ao menos assim, com esta rudeza e frieza que a todos impressionou e indispôs.

Fora este dramático episódio, os restantes dias do acampamento decorreram com normalidade e com a sã alegria e convívio fraterno daquelas centenas de jovens, entre os quais se encontravam, alguns Grupos estrangeiros.

Regressando à nossa actividade normal em Lisboa, íamos prosseguindo as nossas com as nossas habituais tarefas. No que respeita às actividades religiosas, elas resumiam-se praticamente à participação na missa dominical.

Pelos 15 ou 16 anos de idade vi-me na contingência de abandonar a actividade escutista. Empreguei-me e matriculei-me num curso nocturno, o que não me deixava praticamente tempo livre. Dos escuteiros e do tempo que lá passei, só guardo boas recordações.

Continuei a frequentar as missas dominicais, porém, já com o espírito de um observador atento a todos os pormenores que ali se passavam.

A minha experiência no Santuário de Fátima, talvez tivesse sido decisiva para o levantamento de questões que até então me tinham passado despercebidas. Não foram só os pormenores que relatei no I capítulo, mas um conjunto de circunstâncias do que ali observei, adicionando outras posteriores, que, como espectador atento, via desenrolar dentro dos templos que frequentei e externamente na praxis dos senhores da Igreja e dos seus aliados laicos.

Maria, Mãe de Jesus, personificava a mulher ofendida pelos vários escribas dos escritos religiosos, inventores da concepção extra-carnal, fazendo crer, durante séculos e séculos, que a sublimação do Amor através da carne, era pecado.

Considero esta, a maior e mais grave ofensa feita a todas as mulheres, através de uma fundamentação contra-natura da concepção.

Foi José, companheiro de Maria, padrasto de Jesus?

Poucos são os locais, cidades, vilas ou aldeias, onde desde remotos tempos, se não tenha inventado uma Nossa Senhora qualquer. Alguns exemplos: Imaculada Conceição; Sameiro; Nazaré; Agonia; Navegantes, etc., etc. etc. e até da Boa-Morte (Ponte de Lima).

Já para não falar da legião de santos/as e beatos/as que foram surgindo através dos tempos. Lembram-se, por exemplo, na História de Portugal, da Batalha de Aljubarrota? Com os castelhanos a berrar “Santiago de Castela!” e os portugueses “S. Jorge de Portugal?”. Os soldados no terreiro matando-se e ferindo-se mutuamente e lá no éter o S. Jorge montado num dragão, que lançava chamas, para esturricar o malandro do seu comparsa castelhano…

Quase seis séculos depois, não muito distante dali, um, ou vários “iluminados” arquitectaram e muito bem, diga-se de passagem, o surgimento de mais uma virtuosa Senhora, a de Fátima.

Tentarei nos próximos capítulos desmontar aquele que eu considero um dos maiores embustes da História do Portugal contemporâneo.


(continua)

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terça-feira, maio 16, 2006

Os três Pastorinhos (I)

I – O meu encontro com o catolicismo e a descoberta de Fátima


Há muito tempo que sentia necessidade de escrever sobre as chamadas aparições de Fátima.

Após muita reflexão, decidi não adiar mais e expressar aquilo que sinto sobre tão polémica matéria, mesmo sabendo que, apesar de ser usualmente bastante comedido nas minhas análises, poder vir a ser alvo de muitas incompreensões, isto, usando uma terminologia bastante suave.

Nasci em Lisboa. Filho de um alentejano do Alto e de uma beirã da Beira Baixa. Os meus Pais vieram viver para Lisboa muito novos, Primeiro a minha Mãe ainda em criança. O meu Pai veio para Capital já adolescente.

Ao contrário do meu Irmão, doze anos mais velho, que conheceu os dois Avós Paternos e a Avó materna, eu só conheci a minha Avó paterna. A minha Avó materna faleceu a 2 Maio de 1940 e eu nasci a 2 de Maio de 1943, em plena II Guerra Mundial. Quanto ao Avô materno, só o conhecemos por fotografia, pertinazmente obtida pela minha Mãe, em Coimbra, junto a familiares próximos desse Avô, sacerdote católico, que exercia o seu magistério numa aldeia da Beira Baixa, onde conheceu a minha Avó, sua criada, como na altura se designavam as prestadoras de serviços domésticos. Logo que tomou conhecimento da gravidez da minha Avó, o “ilustre” senhor prior, abandonou a paróquia e passado algum tempo fugiu para o Brasil. É o pouco que sabemos acerca deste Avô materno.

Desde muito novo que me apercebi de algo que martirizava a minha Mãe. O estigma que carregou até à sua morte, de ser Filha de Pai incógnito. Apesar deste seu drama, aceitou a Fé católica, rezava diariamente e aos Domingos ia assistir à celebração da Missa.

Quanto ao meu Pai, também rezava algumas vezes e, ocasionalmente, acompanhava a minha Mãe à Igreja.

Acompanhei a minha Mãe às celebrações do culto católico desde muito novo e foi ela que me ensinou as primeiras orações. Ainda na pré-adolescência passei a dirigir-me sozinho à Igreja, conversava com o velho pároco, assistia à celebração da Missa, confessa-me e comungava. Nessa época as missas eram celebradas em latim e as respostas dos fiéis às frases do padre eram igualmente dadas num latim, a maior parte das vezes improvisado, pois, como é óbvio, os fiéis, grande parte deles analfabetos, diziam aquelas frases por habituação, sem as compreender como é evidente.

Não tardou muito o decifrar de algumas daquelas palavras, que eu ia apreendendo comparando-as com as orações em português e com a entoação dada pelo padre. Pois como sabemos, as crianças têm, quando para isso estão predispostas, uma maior capacidade de interpretação e compreensão.

Também estava muito atento ao sacristão ou a qualquer outra pessoa que ajudasse o padre na celebração da Missa. Passado algum tempo também já conseguia exercer essas funções, mais ou menos bem.

Com onze ou doze anos de idade filiei-me no Corpo Nacional de Escutas (CNE), uma organização controlada pela Igreja Católica. Mais ou menos por essa altura os meus Pais matricularam-me como aluno externo nas Oficinas de S. José, onde “aguentei” um ano lectivo. Antes os meus Pais tentaram que eu ficasse em regime de internato. Para isso era necessário um estágio de 15 dias, onde fui sujeito a algumas “provações”, entre elas destaco o facto de nos fazerem saltar diariamente da cama pouco depois das 5 da manhã para assistir à celebração da Missa na Capela. Ensonado e irrequieto que era, olhava para todos os lados menos para o altar. Então, um “Inquisidor”, padre, que nos circundava durante esse período, com o punho direito fechado de onde sobressaíam dois dedos em forma de cutelo, aplicava-me o respectivo castigo sobre o crânio, o que me deixava atordoado e com tumefacções na cabeça. Claro que não fui aceite como aluno interno e ainda bem. Mas passemos adiante.

Ainda criança, os meus Pais, de vez em quando, levavam-me com eles nas populares excursões aos locais do costume: Mosteiro de Alcobaça; Castelo do Bode; Tomar; etc. e, como não podia deixar de ser, ao Santuário de Fátima.

Dessa época recordo ter-me impressionado com alguns Seres que de joelhos cobertos ou descobertos, ou deitados, se arrastavam pelo chão dando voltas ao Santuário. De resto, nada mais do que ali se passava despertava a minha curiosidade.

Retornando à minha estada nos escuteiros, um dia, em Maio, eu e o Victor P. combinámos ir a Fátima. Como o dinheiro não abundava, resolvemos o problema fazendo essa jornada à boleia.

Preparámos as mochilas, transportando nelas algumas latas de conserva, fruta e bolachas, além de algum agasalho de reforço. Devidamente fardados metemo-nos a caminho até ao local mais apropriado junto à saída da Capital e de polegar em riste balanceando-o esperámos pela boa vontade dos condutores. Automóveis particulares, camionetas de carga, experimentámos de tudo. Finalmente, a 12 de Maio, chegámos ao Santuário.

O local já se encontrava cheio de gente. Pergunta aqui, pergunta ali e lá nos indicaram quem coordenava os prestadores (voluntários) de serviço ao Santuário. Não me recordo exactamente das funções que nos foram atribuídas. Disseram-nos onde era o refeitório e as enormes tendas montadas pelo exército pejadas de camas de metal.

Íamos circulando por aqui e por acolá, procurando ser úteis em qualquer coisa. O Sol já estava no seu ocaso. A fome apossou-se de nós, Dirigimo-nos ao refeitório, dirigido por religiosas e lá nos refizemos, preparados para uma longa noite de vigília e algum trabalho…

Nunca tinha visto tanto Padre, Freiras ou Frades, por metro quadrado. O Fiéis cantavam, imploravam, gesticulavam, choravam e sei lá que mais. O recinto estava a abarrotar. O frio começava a apertar e nós só com as nossas fardas de escuteiros com as pernas ao léu, pois usávamos calções.

Sei que a determinada altura perdi o rasto ao Victor. Passei pela chamada Capela das Aparições e notei que um pouco mais adiante existia um varandim em meia-lua que dava acesso ao templo principal. Estava pejado de gente. Dirigi-me para lá, furando por entre aquela turba. E lá arranjei um lugar de espectador privilegiado observando aquele mar de gente que povoava o terreiro.

O local onde me encontrava era bastante perto da Capela das Aparições. Estava eu muito entretido a observar tudo o que me rodeava, quando, de mansinho se aproximou um homem talvez na casa dos trinta ou quarenta anos. Gordinho, ar bonacheirão. Blaser claro, camisa branca, aberta, com parte do peito a descoberto. Entabulou conversa comigo, muito de mansinho. Primeiro, com vulgaridades inócuas e, a pouco e pouco, começou a indagar-me de onde é que eu tinha vindo e com quem, sobre o Corpo Nacional de Escutas e qual a minha opinião acerca da Mocidade Portuguesa, entremeando a sua inquirição com alguns temas inocentes.

Foi o meu primeiro contacto directo com um Pide. Apesar de ainda muito jovem já tinha ouvido falar nessa organização sinistra e avisado acerca da contenção que devia ter nos meus actos e nas minhas conversas. Mas este jovem de então, cedo começou a criar os seus anti-corpos, contra os provocadores nazi-fascistas e como tal, tratei-o com toda a deferência e simpatia possíveis, até que me despedi “afectuosamente”.

Estava pura e simplesmente “chateado” e com sono. Dirigi-me para uma das tendas dormitório. Antes da meia-noite. Na semi obscuridade apercebi-me que estava sozinho. Escolhi uma cama. Deitei-me e adormeci. Nem a barulheira daquela mó de gente perturbou o meu sono. Pouco depois de acordar e de me levantar, o Victor reencontrou-me. Fomos juntos tomar o pequeno-almoço. Depois, iniciámos o caminho de regresso.

A partir desse mês de Maio, comecei a questionar-me sobre Fátima e os seus mistérios...

(continua)

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sábado, maio 13, 2006

Um ano e dez meses na Blogosfera


Vinte e dois meses na Blogosfera.

Hoje, 13 de Maio, tinha previsto começar a publicar um texto intitulado “Os três Pastorinhos” cuja introdução, cerca de 2 páginas A4, tenho praticamente pronta. Mas por razões exteriores à minha habitual força de vontade, obrigaram-me a adiar a apresentação da primeira parte do que eu pretendo transmitir, à guisa de um pequeno ensaio da minha concepção e interpretação daquela a que eu considero a estória lusitana mais bem arquitectada e conseguida do passado século XX.

As tais razões externas à minha vontade, também me obrigaram a estar ausente da blogosfera, repartindo o meu tempo entre a cama e o sofá...

Quando me sentir minimamente em condições, procurarei retomar o meu projecto, bem como a actividade normal de escriba na blogosfera.

Até lá, beijos e abraços para todos os meus Amigos/as.


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sexta-feira, maio 05, 2006

Eles lá sabem porquê…

A UGT, este ano, escolheu Gaia para fazer o seu folclore acerca do 1º de Maio.

Tudo bem, cada um é como cada qual, mesmo juntando-se ao forrobodó, os grandes chefes do PPD/PSD e CDS/PP.

Eles lá sabem porquê…

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quarta-feira, maio 03, 2006

Até sempre, Companheiro Vasco

Faz hoje, dia 3 de Maio, um ano, que eu tive a oportunidade de lhe dirigir algumas palavras pelo seu aniversário de nascimento.

Passado que foi pouco mais de um mês, a 11 de Junho de 2005, o nosso querido Companheiro partiu para outro lugar.

Mas eu, que algumas vezes me dirigi à sua casa, a 3 de Maio, acompanhado da minha Mulher e da minha Filha, com um ramo de cravos que se juntavam ao mar de outros cravos e de outras flores que pejavam todos os compartimentos do seu Lar de portas franqueadas a quem quisesse entrar, nunca esqueci o Homem simples e a Família afectuosa que nos acolhia.

Sem quaisquer laivos de exuberância, pelo contrário, com aquele sorriso doce e a voz baixa e pausada com que nos presenteava, o Companheiro nunca denotava sinais de saturação ou cansaço. Era o anfitrião Fraterno sempre presente que aguentava firme até que a última das visitas se retirasse, já noite avançada.

O ano passado escrevi, entre outras coisas, que o meu querido Amigo era “
a espinha atravessada na garganta dos que nunca suportaram a sua verticalidade e honradez como Homem e como Politico”.

Após a sua partida, os mabecos e as hienas deste nosso rectângulo refrearam os ataques soezes com que o mimosearam por mais de três décadas, o que não quer dizer que o fel e o ódio os tenham abandonado.

Hoje, como há uma no atrás, reafirmo aqui a minha aversão a qualquer tipo de culto de personalidade, mas não posso deixar dizer que Homens com a envergadura Moral como aquela de que o nosso querido Companheiro foi exemplo, cada vez mais vão rareando.

Mas mesmo assim, querido Amigo, aqueles que nunca se vergaram, nem se deixaram atrair pelos acordes traiçoeiros de travestidas sereias, estão aqui para honrar a sua memória e a de muitos Homens cuja verticalidade não fraquejou até à sua Partida para outro lugar.

Até sempre, Companheiro Vasco!

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segunda-feira, maio 01, 2006

VIVA O PRIMEIRO DE MAIO!


Quando Maio raiava, no Aljube, em Peniche, em Caxias, no Tarrafal, no degredo de Timor ou em qualquer outro lugar onde Seres se encontravam aprisionados nos anos de escuridão, alheios às consequências, homens e mulheres agrilhoados, física, mas não moralmente, soltavam o seu grito:

VIVA O PRIMEIRO DE MAIO!

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quarta-feira, abril 26, 2006

Olhar da Imprensa - 25 de Abril de 1974



Primeira página do jornal República
Reparem no texto em rodapé

Sugiro a visita ao site da Hemeroteca Digital, onde encontrarão relatos de outros jornais dessa época, bem como vários temas relacionados com a nossa História recente.

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terça-feira, abril 25, 2006

E Depois do Adeus

Às 22h55 de 24 de Abril de 1974, através dos "Emissores Associados de Lisboa", João Paulo Diniz coloca no ar, a partir dos estúdios do Rádio Clube Português, a canção "E Depois do Adeus", de Paulo de Carvalho - que vencera a edição de 1974 do Festival RTP da Canção, realizado poucas semanas antes -, a "senha" de início da Revolução:

Faltam cinco minutos para as vinte e três horas. Convosco, Paulo de Carvalho com o Eurofestival 74, ‘E Depois do Adeus ”.


O processo é colocado em marcha!

In
Memória Virtual



Trinta e dois anos depois, aqui estamos com os encantos e desencantos dos nossos Sonhos.

Penso, que nós, os que nunca se renderam, nem venderam, sem quaisquer laivos de paternalismo ou saudosismo, deveríamos tentar recordar aos nossos Filhos e transmitir aos nossos Netos, as razões que nos motivaram a Lutar.

O porquê, “E Depois do Adeus”, entoámos a “Grândola Vila Morena”.

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sexta-feira, abril 21, 2006

Oiçam como eu respiro

Da obra de Dário Fo, estreada em Portugal em 25 de Maio de 1982, no Teatro Aberto, em Lisboa, de que destaco a encenação de João Lourenço e a interpretação de Irene Cruz, Carmem Santos e Melim Teixeira, apropriei-me do seu título para escrever este pequeno texto.

Esta tem sido para mim uma Primavera de colorações Outonais e de sentidos pulsares de um Inverno tempestuoso.

Os nossos desempenhos fisiológicos por vezes pregam-nos partidas sobrepondo-se à força anímica com que costumamos enfrentar os mais variados tipos de situações.

Pois é, caros/as Amigos/as, as passadas ofegantes que por vezes afectam o nosso caminhar são terríveis e ainda que apelemos a toda a nossa impedância neurónica, por vezes sentimo-nos impotentes para superar a amarga realidade das descompensações fisiológicas.

Isto reflecte-se no nosso dia-a-dia, votando ao abandono as coisas que nos apraz fazer, como por exemplo: escrevinhar.

Respirar é viver. Ainda que muitas vezes inalemos substancias que conspurcam o nosso corpo e a nossa mente.

Quero continuar a compartilhar convosco o meu respirar. Espero voltar em breve e a “plenos pulmões”...

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domingo, abril 16, 2006

Amêndoas Amargas - 2006


Nestes dias que passaram, designados pela Igreja Católica Apostólica Romana, como Quaresma, recebi, tal como vocês, simpáticos votos de Páscoa Feliz.

De um modo geral, o meu silêncio, foi a melhor resposta que encontrei para tão gentis gestos.

Embora compreenda perfeitamente as intenções sinceras dos meus Amigos, agradeço-as, retribuindo-lhes com os desejos de que arranjem força suficiente para enfrentarem os mais variados escolhos da Vida que se lhes deparam e que nunca cruzem os braços perante quaisquer adversidades.

As amêndoas deglutidas por muitos trabalhadores portugueses foram aquelas que lhes ofereceram os donos ou gestores das empresas onde trabalham ou trabalhavam, embaladas pela hipocrisia criminosa de quem não tem problema algum de lançar milhares e milhares de pessoas na vala comum do desemprego, à custa do encerramento fraudulento dessas empresas, descapitalizando-as, transferindo o capital para as suas luxuosas mansões e bens moveis de alta gama, ou pura e simplesmente, pela calada da noite, como bandidos de alto coturno, desmontarem máquinas e demais equipamentos para os exportarem para países onde obterão mais valias graças à exploração dos respectivos trabalhadores nativos e os nossos governantes, azuis, laranjas ou rosas, usando todos eles, o mesmo discurso circunstancial, “vão lavando as mãos, como o Pilatos bíblico”, compactuando por mérito próprio ou por defeito, com os abutres sem escrúpulos, gestores ou detentores do Capital.

Isto só tem um nome: ROUBO. E que eu saiba, qualquer tipo de roubo, seja ele por esticão, arrombamento, etc. é crime. Se, pela calada da noite se retiram máquinas, se durante o dia se fazem transferências das contas das empresas para contas pessoais, se os capitais das empresas vão parar a paraísos fiscais, etc., etc., etc., então estamos perante um ROUBO colectivo que afecta milhares de pessoas singulares e uma entidade, que se designa por ESTADO.

Houve-se muito falar de Associações Criminosas. Parece que está chegado o momento das pessoas de bem exigirem dos seus representantes que elegeram, uma profunda revisão do Código Penal.

As amêndoas podem ter sido e continuam a ser, muito doces para alguns. Mas para milhares e milhares de trabalhadores, cujo único crime que cometeram foi o de trabalhar, têm o sabor do fel vertido por criminosos sem escrúpulos.

Para bom entendedor…



Nota: Este texto já tinha sido publicado no passado ano. A única alteração está no titulo, onde acrescentei 2006.

Tomei esta decisão por considerar que, infelizmente, mantém-se exactamente ou pior, a situação que me motivou a escrever este texto em 2005.


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quinta-feira, abril 13, 2006

Um ano e nove meses na Blogosfera

Hoje completa-se o vigésimo primeiro mês do início da actividade deste blog.

Este último mês foi marcado pela realização de mais um Encontro da Irmandade Blogueira, que teve lugar em Lisboa, no passado dia 25 de Março, no Restaurante da Associação 25 de Abril.

Devido a problemas de diversa natureza, particularmente, o que está referido no post anterior, não me foi possível realizar o habitual trabalho de reportagem do citado Evento.

Aproveito, para mais uma vez agradecer a todos/as os/as Amigos/as, todas as suas preocupações e manifestações solidarias, para comigo.

Espero retomar o mais breve possível a minha actividade normal de intervenção escrita.

Bem Hajam.

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sábado, abril 08, 2006

PAULA


Minha querida Afilhada da blogosfera.

É para ti este meu texto de retorno, após mais de duas semanas de silêncio, provocado por mais uma crise cardio-respiratória que me afectou.

A crise ainda não está debelada, mas entendi que devia de arranjar um pouco de disposição para escrever este pequeno texto e manifestar-te aqui publicamente a minha gratidão pela solidariedade e carinho demonstrados, a tal ponto que privaste os teus leitores, especialmente, da tua sensível e maravilhosa Poesia.

Obrigado, querida Paula, pela tua preocupação diária acerca da evolução do meu estado de saúde e
pelas carinhosas palavras com que me presenteaste no passado dia dois, no teu blog AS ROMÃS DE PAULA.

Mas eu quero que retomes a tua escrita e como tal, faço-te daqui um apelo para dares curso à riqueza das tuas palavras.

Agora, querida Paulinha, permite-me que use este pequeno texto, que te dediquei, para agradecer a todos os Amigos e a todas as Amigas, a sua preocupação e solidariedade, expressas nomeadamente através de contactos telefónicos, sms e e-mails.

A todos/as o meu bem-hajam e a promessa de que tentarei escrevinhar qualquer coisa, mesmo durante esta fase menos boa que estou a atravessar.

Paulinha, mostra o brilho das tuas Romãs.

Escreve!


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quarta-feira, março 22, 2006

O nosso próximo Encontro

Estamos a escassos dias da realização de mais um Encontro da Irmandade Blogueira.

O Blognócio da Primavera é já no próximo sábado, dia 25.

O horário, ementa e localização, estão devidamente descritos no blog construído para este evento.

Então, até sábado!

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quinta-feira, março 16, 2006

Mário de Oliveira


Um padre exilado pelos carcereiros de Deus

Um padre sem templo nem altar – assim se identifica Mário de Oliveira. Desguarnecido do mister paroquial pelo Governo da Igreja Católica, o ex-pároco Mário e sempre Padre Mário não capitulou perante o cerceamento administrativo e territorial. E tem vindo, sem lhe tremer a voz e o site, a declarar que entre a Comissão Eclesiástica e a Missão Evangélica, em definitivo escolheu a Missão. Expulso do templo pelos zeladores do Pensamento Único e modeladores do Povo de Deus como rebanho do Senhor ou dos Senhores – este padre não se deixou anular nem sequer aceitou baixar o tom da cólera divina. Exerce o magistério em vez do ministério, cultiva a evidência em vez de vidência. Não trata Jesus como paradigma de servidão e de sofrimento, antes como irmão do infinito…
…Assim é o padre Mário: solitário e solidário. Solitário por determinação de uma Igreja satisfeita por ser sede do Poder; solidário porque ele – padre Mário – optou por uma Igreja – sede de saber e de partilha
”.

O que acabam de ler é parte do prefácio (primeiro e último paragrafo) a um dos livros de Mário de Oliveira, pelo jornalista César Príncipe.



Mário de Oliveira, um Companheiro

Ao transcrever uma parte deste prefácio não pretendi glorificar o Homem, pois sempre recusei submeter-me à prestação de todo e qualquer culto de personalidade, mas tão e somente recordar perante as pessoas da minha geração e também dar a conhecer aos mais novos, um dos exemplos de luta contra qualquer tipo de castração de consciências, de que Mário de Oliveira e uma minoria dos seus pares da Igreja Católica – um punhado de sacerdotes e alguns bispos – foram as honrosas excepções de uma Instituição, que através dos tempos, sempre foi uma fiel aliada ou servidora das classes dominantes.

Mário de Oliveira, Felicidade Alves, Francisco Fanhais, António Ferreira Gomes e mais uns quantos membros da Igreja Católica, embora com sensibilidades diferentes entre eles, foram uma referência, um exemplo de luta e companheirismo, para os crentes e não crentes, que sempre recusaram a canga que o Poder lhes pretendia impor.

Ateus, ou agnósticos como eu me defino, muitas vezes, antes de Abril de 1974, nos reunimos com alguns destes padres, para debater os problemas que afectavam este Povo e a abjecção da guerra colonial que o Poder de então nos impôs, ceifando e estropiando milhares de Vidas.

É evidente, como já tenho escrito em alguns textos anteriores, após o derrube do regime corporativista, decorridas que foram mais de três décadas, muitos outros problemas foram surgindo. O poder económico, o de cariz arcaico e o de novo tipo e seus aliados, foram minando os alicerces de uma jovem Democracia que queríamos libertadora, com igualdade de oportunidades para todos e não somente para uma minoria elitista que reparte o “bolo” entre si, deixando cair umas ténues migalhas para a maioria.

E é essa minoria que exerce a função jugular do Poder, independentemente da sua alternância cosmética.

Conheci pessoalmente o padre Mário de Oliveira, na passada terça-feira, dia 14, num jantar organizado pela TERTÚLIA CULTURAL FRATERNIDADE (não confundir com este blog), que mensalmente tem promovido encontros onde são debatidos temas apresentados por um orador convidado. Desta vez foi Mário de Oliveira que falou sobre Educação, Religião Hoje e Amanhã. Não vou pormenorizar aqui sobre o teor da sua comunicação e as intervenções que originou, preferindo sugerir a visita ao blog da minha Amiga Dad, o Momentos de Luar, que reflecte o seu sentir sobre o que ali se passou.

Mário de Oliveira e alguns dos seus pares continuam a sua Luta, junto com muitos crentes laicos, ateus e agnósticos.

Aquilo que nos une é mais forte do que alguns percursos não coincidentes que possamos ter.

Obrigado caro Mário por me ter dado a oportunidade de mais uma vez expressar o meu sentir.

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terça-feira, março 14, 2006

Um ano e oito meses na Blogosfera


Nesta segunda-feira que passou, dia 13, este blog completou o seu vigésimo mês de existência.

E é já no dia seguinte que assinalo tal facto, porque, pura e simplesmente, não me apeteceu escrever no dia anterior.

Nestes últimos trinta dias publiquei alguns textos, que me “deram muito gozo escrevê-los”. Aproveito para agradecer as vossas gentis palavras, nos respectivos comentários.

Assim como gostaria de não ser obrigado a escrever, neste período de tempo, dois outros textos, com outro tipo de conteúdo. Mas tinha razões fortes para o fazer. Acredite quem quiser. Assim, espero que tal assunto fique encerrado por aqui.

Mas falando em coisas agradáveis, é já no próximo dia 25 deste mês, que se realiza mais um Encontro, do qual sou um dos seus dinamizadores.

A propósito deste novo Encontro, eu, como fumador que sou, desde o tempo em que iniciei o antigo Ciclo Preparatório, com dez anos de idade, apelo aos meus confrades fumadores, para que compreendam o pedido e não uma imposição, que fizemos no respectivo blog, no sentido de aconselhar-mos os fumadores a satisfazerem o “vicio” no hall contíguo à sala de jantar ou no Bar.

Por hoje é tudo. Beijos e abraços.

Bem Hajam.

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sábado, março 11, 2006

Dez passos do Abismo

Iniciamos a habitual caminhada matinal. No primeiro passeio do dia o Medroso gosta de ir pelas traseiras do prédio. E é logo ali na esquina que alça a pata traseira direita.

Depois, conduz-me por debaixo do túnel que une o nosso ao prédio do lado. Entre as várias pesquisas das feromonas das fêmeas que por ali passam, vai marcando o seu território e prossegue o seu percurso por aquele que eu baptizei de “passeio dos cães”, uma via estreita que acompanha, de um lado, a serpenteante estrada que desemboca no concelho vizinho e, do lado oposto as traseiras dos outros prédios.

De ambos os lados, na área que medeia o “passeio dos cães” e a estrada ondulante e entre os espaços que permeiam aquela via e os prédios, existe uma extensão considerável de terreno baldio com uma inclinação de cerca de 90º, onde costuma florescer vegetação bravia: canas, malmequeres, malvas, cardos, etc., assim como algumas pequenas árvores que ajudam à sustentabilidade dos terrenos e impedem a erosão.

Naquela manhã notei alguma coisa de estranho. A borracheira que alguém plantou em frente das traseiras do nosso prédio tinha perdido o seu belo verde, como se a clorofila a tivesse abandonado, deixando assim de contribuir com a sua fotossíntese, privando-nos da sua quota-parte do precioso oxigénio.

Várias lagartixas e alguns sardões descreviam estranhos movimentos ziguezagueantes por entre as ervas e as flores silvestres amarelecidas. E o mais curioso é que nos últimos dias, a terra tinha sido razoavelmente regada pela preciosa chuva.

O meu fraterno Companheiro denotava sinais de agitação superiores aos habituais. Arrastava-me, através da trela que eu segurava numa das mãos, alternando com a outra.

Medroso volteava a cabeça nervosamente, de vez em quando aquietava-a com o nariz erguido em pequenos movimentos circulares, cheirando o ar, para logo de seguida, serpeando, dar algumas passadas, seguindo em frente com as narinas quase roçando o solo.

Continuámos a nossa caminhada pela estreita via. Notei que no terreno em declive que nos separava da estrada, para além do aspecto desolador das árvores desprovidas de folhagem e das ervas bravias beijando a terra, se encontravam dispersos alguns elementos que num primeiro olhar não consegui discernir os seus contornos.

Aproximei-me um pouco mais. Concentrei o meu olhar naquelas formas. Tratava-se de corpos esquartejados de aves de rapina de grande porte. As longas pernas e as enormes garras assim o confirmavam. Imediatamente o meu cérebro começou a relampejar debitando imagens de há três décadas atrás, quando, pela primeira vez, entrei na enorme câmara frigorifica de uma morgue, pejada de gavetões, que um funcionário alcoolizado, com o cigarro quase mastigado ao canto da boca, ia abrindo, deleitando-se em exibir aqueles corpos inteiros ou retalhados.

De quando em vez, naquele caminho, costumo avistar pequenas aves predadoras em busca de mamíferos roedores e de alguns coelhos que por ali abundam. Não fiquei petrificado. Simplesmente surpreendido pelo cenário mórbido que estava longe de encontrar naquele local.

O Medroso atingiu o cume da agitação. Olhava aqueles despojos para logo me dirigir os seus olhos inquiridores, emitindo uns estranhos sons. Procurei acalmá-lo. Falei com ele, acariciei-o e propus-lhe seguir em frente. Apercebi-me da sua relutância apavorada, puxando-me para trás. Não dei logo conta da razão da sua reacção e olhei em frente para procurar uma explicação.

A cerca de dez metros do local onde nos encontrávamos, a via terminava, abruptamente, na vacuidade de um abismo.

Despertei do meu normalmente pesado sono com um lamento que as feromonas de algumas cadelas da vizinhança, em período de cio, provocam no meu querido e leal companheiro.

Levantei-me. Preparei o café instantâneo que acompanhei com uma bolacha de aveia. Após a useira rotina da higiene diária, vesti-me. Coloquei-lhe o peitoral e a trela.

Saímos para o primeiro passeio matinal.

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sexta-feira, março 10, 2006

Check In / Check Out

Cinco da madrugada. O efeito dos sedativos vai-se dissipando. Vozes. Umas ténues, outras nem tanto assim. Alguns raios de luz vão inundando os quartos. Nas camas corpos mais ou menos inertes, outros em agitação quase permanente. Grande parte deles envolvidos pela urina e defecação incontinente.

As campainhas dos que ainda conseguem premi-las, emitem os peculiares sinais sonoros com uma frequência progressiva. Durante a (in) quietude da noite os sinais sonoros são mais espaçados.

É altura do costumeiro ritual dos cuidados de higiene e primeira refeição do dia. Quem consegue locomover-se dirige-se para a sala de refeições, sós ou acompanhados, dependendo do seu estado psico-motor.

Homens. Mulheres. A maioria no estado invernoso da Vida. Mas também lá permanecem seres de outras faixas etárias. Até um ou outro caso de quem ainda está na fase Primaveril, mas que cedo conheceu a degenerescência física, psíquica, ou ambas.

Após o pequeno-almoço dirigem-se ou são dirigidos para a sala de convívio. Juntam-se-lhes alguns utentes totalmente dependentes que são colocados sobre os sofás onde se mantêm praticamente imóveis, salvo um pestanejar ou algumas contracções faciais. E o que é mais doloroso, para estes Seres e para quem nutre por eles carinho e dedicação, é o facto de uma parte deles estar no pleno uso dos seus desempenhos psíquicos e como tal, aperceberem-se do porquê de ali estarem.

A maioria permanece calada. Outros, os que ainda conseguem raciocinar, têm pequenas e dispersas conversas entre si. Mas há os que se encontram em estado de delírio e é como que uma tragicomédia que protagonizam. Aparentemente direccionados para os seus parceiros laterais, estabelecem vários monólogos entre si.

Octávio pertence a este grupo. Senta-se, levanta-se, passeia ao redor da sala e pelo hall da recepção. Dirige-se com frequência ao sanitário. Uma vez saiu da casa de banho com a roupa em desalinho e um volumoso dejecto na mão direita. Era hora de visitas e o Octávio na imponência do seu quase metro e noventa rodopiava na sala com o braço direito levantado como se transportasse uma bandeja. Discreta e calmamente, uma funcionária retirou-o dali e conduziu-o para o quarto para o lavar e mudar de roupa.

Guinevere, uma gentil octogenária, de estatura pequena, num corpo seco e uns belos olhos azuis, permite imaginar a beleza Primaveril de que ainda conserva muitos traços. Fala pouco, mas com doçura.

Hora de almoço. Inicia-se a caminhada para a sala de refeições. Sentam-se nos lugares habituais e a tragicomédia continua. Há quem fique indiferente ao conteúdo do prato à sua frente. Assim como quem coma sofregamente. António pertence a este último grupo, sentado em frente de Joaquim, vai retirando do prato do parceiro pedaços de comer. Ambos entrados no tal estado delirante irreversível. Durante a sobremesa, perante a indiferença de Joaquim, António tira-lhe a laranja que deglute sofregamente incluindo a casca.

Uma parte destas pessoas necessita de ser de novo lavada e mudada de roupa, pois para além das marcas da recente refeição, a incontinência também as acariciou.

Elisabete observa tudo isto da prisão da sua esclerose múltipla. Quarenta e poucos anos. Em contraposição, o seu desempenho psíquico é normal e célere. Mulher inteligente e culta, fluente de palavras. Aparentemente conformada pela rigidez de um corpo que só lhe permite balancear os olhos e entreabrir os lábios Elisabete vive o quotidiano eivado de lembranças e entretém-se a analisar o ambiente restrito onde se encontra confinada.

Por entre estes Seres existem alguns com os corpos minados pelas escaras, com os tecidos num estado de necrose progressiva. Necessitam de ser tratados várias vezes ao dia. O cheiro exalado por aqueles buracos, alguns de enormes proporções, é insuportável. Mesmo com as mascaras a protegerem os rostos, algumas prestadoras de cuidados paramédicos não resistem e afastam-se para vomitar.

Quanto aos que se locomovem mais ou menos bem e que estão no seu perfeito estado de salubridade mental, têm comportamentos variados. Desde os que denotam atitudes comportamentais correctas, a outros que, pela sua hostilidade perante os companheiros ou funcionários, revelam um refinamento da agressividade latente durante a sua vida não dependente de terceiros, agravada pela revolta que sentem ao reconhecerem-se confinados àquele local até que o seu coração deixe de bater.

De vez em quando alguns partem. Terminam as suas angústias e os seus martírios. Quem fica, já está habituado a ver e a sentir os que partem. Os que não estão delirantes, obviamente.

Como a doce Guinevere aguardando serenamente a hora do seu embarque ou a imóvel Elisabete com o cérebro latejando de recordações, ocupando-o numa permanente análise dos seus pares e de todo o meio envolvente.

Todos estes Seres Humanos, foram colocados ali ou noutros locais similares para aguardarem a sua Partida.

Quando chegam são objecto de um breve Check In, para mais cedo ou mais tarde lhes prepararem o seu Check Out.


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quarta-feira, março 08, 2006

Companheiras

Summoning a Lover
Summoning a Lover
Linda Garland - UK

Estimadas Amigas,

Alguém se lembrou, fosse porque motivo fosse, de consagrar este dia à Mulher.

Sabemos que todos os dias deviam ser dedicados às Mulheres, assim como a toda a Humanidade.

Mas já que alguém se lembrou de que havíamos de presentear as Mulheres neste dia 8 de Março com o nosso tributo, quero aproveitar para vos saudar e exprimir todo o meu carinho e simpatia, pelas diversas formas de empenhamento e companheirismo devotadas aos vossos entes queridos: Pais, Companheiros, Filhos, Amigos, enfim, a todos os Seres Humanos.

Para todas vós, as presentes, ou para as que já partiram, os meus cravos vermelhos ou qualquer outro tipo de flor que apreciem.

E a propósito das que já partiram, permitam-me que encime esta minha homenagem à memória da minha saudosa Mãe, que foi para outro lugar em 8 de Março de 1998.

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